Torre de los Panoramas

9 de março de 2010 às 15:13 - Comentar

Enrique – Vila-Matas
El Pais

De Onetti recuerdo su rostro ayer en You Tube y su resistencia a ser filmado hasta que cede y le dice a la cámara: “Por simpatía, me resigno”. Y recuerdo también el asombro, ya hace años, que me causó Los adioses. Tan atónito me sentí al terminar aquel libro que volví a empezarlo para estudiar con supremo detenimiento cómo lo había hecho el escritor uruguayo para construir con tanta ambigüedad y talento su relato de despedidas. En los días que siguieron, fui un lento analista de su temperamento, como años después lo fui del de Horacio Quiroga, cuentista de tortuosa psicología. Y un día creí encontrarme en el centro del mundo cuando llegué a la poesía esencial de Idea Vilariño, nacida en Montevideo en 1920, 10 años después de la muerte de Julio Herrera y Reissig, iluminado precursor de las vanguardias europeas desde su internacionalmente provinciana y hoy mítica (aunque no estoy seguro, quizás olvidada) Torre de los Panoramas, punto crucial de la poesía de su tiempo y en realidad un cuartucho en el terrado de la casa de sus padres, con vistas (entonces) al Río de la Plata.

Herrera y Reissig no sólo fue un dadaísta y un surrealista avant la lettre, sino también un gran avanzado de la poesía modernista que, a la sombra de Darío, revolucionó aquel Montevideo espectral, con huellas todavía del conde de Lautréamont, el más francés de los escritores uruguayos. Por esa ciudad siento una extraña añoranza, una rara saudade de ultramar, a pesar de no haberla pisado nunca o, mejor dicho, de haber pasado allí dos horas inaguantables, encerrado en un cuarto de aeropuerto, antesala uruguaya del infierno. A Montevideo la asoció con aquel sofoco y con mi melancolía de ultramar y también con Idea Vilariño, poeta de las experiencias intensas (se encuentra su admirable poesía completa en Lumen), experta también ella en adioses, como su amado Onetti, del que se despidió en muchos poemas, como se despidió también de Darío: “Pobre Rubén creíste / en todas esas cosas / gloria sexo poesía / a veces en América / y después te moriste / y ahí estás muerto / muerto”.

Enemigo de los números redondos y de las fechas señaladas, hago una excepción para decir que hoy hace cien años, el 9 de marzo de 1910, moría en Montevideo Julio Herrera y Reissig, poeta radical y genio de las letras latinoamericanas. En su momento, tan sólo Valle-Inclán percibió en España la renovación que venía de la mano de aquel escritor que desde la Torre de los Panoramas anticipó todas las vanguardias y por bien poco incluso los espejos cóncavos del callejón del Gato: “La realidad espectral / pasa a través de la trágica / y turbia linterna mágica / de mi razón espectral…”. Antonio Machado, al hilo de unas palabras de Unamuno, se apresuró a rechazar la poética modernista. Con formas diferentes, el cerrojo de Machado perdura todavía hoy en este país obstinado en repeler ciertos registros nuevos y en el que, por ejemplo, dos de los más grandes escritores de Montevideo, el inconmensurable Felisberto Hernández y Mario Levrero, son casi unos desconocidos. Duro desinterés español de ahora hacia el mundo americano. La escasa resonancia de La novela luminosa de Mario Levrero (Mondadori) llama la atención porque, sin que casi nadie parezca haberlo advertido, no está muy lejos del mejor Bolaño. Pero es como si a Levrero nos hubiera dado por depositarlo en el lugar de los caminos muertos de su admirado Burroughs. Ya se sabe, ese lugar de espejos cóncavos y de fantasmas que viven en dimensiones paralelas y a los que Levrero trataba con familiaridad, como si fuera un heredero más de Herrera y Reissig, de cuyo genial espectro y obra he querido hoy especialmente acordarme.

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    • Anne Guimarães: Um poema ensolaradamente gris em tons de azul.... A vida simples e sagrada de quem encontra no mar a sua honra, a sua luz. Admiro tudo que eleva a vida de um pescador.... Lindos versos, bela vida natural potiguar! :) - Tarrafas
    • Anne Guimarães: Poeta Anil.... Sempre bom ler seus poemas.... Ouvir sua voz, receber sua alma.... "Abracei novas incertezas /Sussurro, nem sempre é gozo/ Só o agora é urgente" afff mexeram aqui dentro, rsrs. Esse também é o papel da poesia, motivar, emocionar, contar aquilo que a gente não disse , mas viveu ou vive - em silêncio - na quietude dos sentimentos mais intensos.Você sabe bem o que isso significa, vive poesia e respira versos na beleza do cotidiano sagrado. Beijos,querida! :) - Fio de luz
    • Anchieta Rolim: ...só o agora é urgente...Belo poema, Ednar. - Fio de luz
    • Anne Guimarães: Querida poeta-flor! ô coisa lindaaaa.... Lembrei agora de um poema de Carlos Nejar para sua filha Carla, em um dos versos sábios ele diz: " é no simples que as coisas são completas." É isso mesmo, quanto mais simples, mais doce, mais prazer nessa vida breve vida. Estarei sempre contigo, menina! Suas palavras serenas me mostram que - de uma forma ou de outra - é especial cada segundo de leitura aqui. Beijos no espírito. :) - Vagalume da Paz
    • Anchieta Rolim: Romana, é justamente isso que falta no mundo minha amiga, luz e paz. Bela poesia! Parabéns ! - Vagalume da Paz
    • Anchieta Rolim: Beleza de texto J. Paiva. Só espero que os meninos de hoje também sonhem com um Brasil melhor...Pois ainda há muito a ser feito.Parabéns! - Política de menino
    • Paulo César: Sr. Tácito, Pelo que eu saiba jornais não permitem a transcrição de artigos da forma como o senhor vem fazendo no seu site. Colocar um link é uma coisa, transcrever e fazer o leitor continuar no seu site, quando o artigo tem direitos autorais e está hospedado em outro local e tem regras de uso.O utilização da forma como o senhor vem fazendo denota pirataria, palavra muito em voga e contraditória, mas ainda passível de sanções pelas atuais leis do país. Não alerto apenas por alertar, mas sugiro consultar - se me permite a sugestão - um advogado para entender a sua situação atual(devidamente gravada e arquivada para uso, mesmo que esse e outros conteúdos sejam retirados do ar imediatamente). Com muito respeito, Paulo César - Viajantes e apaixonados em transe
    • Jarbas Martins: Qualquer seleção de poemas, antologia, florilégio, ou que outro nome tenha, sempre passou, no período histórico chamado de Modernidade, pelo crivo da parcialidade. Baudelaire, que além de poeta, era crítico de poesia, e da arte de um modo geral, sabia disso.O poeta e antologista Paul Éluard,à época da festiva revolução surrealista, tanto sabia que lançou a sua parcialíssima seleção - "Le Meilleur choix de poèmes est celui que l'on fait pour soi- 1818-1918". (A Melhor seleção de poemas é aquela feita para si mesmo -1818-1918"). Nestes rasos tempos da Pós-Modernidade - o prestígio, uma espécie de capital simbólico, segundo Bourdieu (e viva as lições do meu colega e amigo, professor-doutor Emmanuel Barreto), teria que entrar como um critério.O mercado assim determina.Daí a razão porque Ferreira Itajubá e Jorge Fernandes (mesmo com o aval de nomes como Luís da Câmara Cascudo,Mário de Andrade e Manuel Bandeira) - sempre são "esquecidos" das antologias feitas no preconceituosíssimo e longínquo Sudeste. Pobres, marginalizados e insulados em sua província submersa - não contam com uma "fortuna crítica" que merecem. - A identidade do verso brasileiro
    • Jairo llima: Fernando Monteiro está no centro do cânone de nossa literatura. Fico feliz de ser contemporâneo e conterrâneo deste artista. - As asas da noite que surgem (1)