Trincando o hype

11 de setembro de 2009 às 13:38 - Comentar
Por Alexis Peixoto

A Trinca contra a parede: Bjoe, Palhano e Bruno

Com menos de um ano de existência, sem nenhum registro sonoro oficial, show ou esquema de divulgação que vá além de umas poucas mensagens no myspace, o Projeto Trinca corre sério risco de virar o hype de 2009 na província. Apesar do sucesso ainda invisível – e inaudível – para a maior parte das criaturas que aqui habitam, a banda conseguiu emplacar  nas capas dos cadernos culturais dos matutinos e vespertinos da cidade, já chamou atenção da produção do MADA e é um dos nomes confirmados no Festival DoSol 2009, em novembro.

Mas afinal, que diabos vem a ser o Projeto Trinca – ou, simplesmente Trinca, como eles permitem simplificar? “O Projeto Trinca foi um projeto idealizado por Raphael Bjoe e por Leonardo Palhano para a confecção de músicas autorais em caráter despretensioso”, responde Bruno Alexandre, vocalista do trio, de modo quase solene, como se falasse sobre um programa assistencial do governo federal. A ênfase no quesito “músicas autorais”, por sinal, é justificada: a Trinca surgiu de uma dissidência da banda cover Desventura, que há pouco mais de dois anos percorre a cidade pagando tributo ao repertório do Los Hermanos.

Quando Palhano (guitarra, violão e voz) e Bjoe (flauta transversal, guitarra, teclado, programações e violão) os mentores da ideia, resolveram deixar de lado as músicas alheias e investir em material próprio, a escolha natural para dar voz ao projeto foi Bruno, também membro do Desventura. “Uns dias depois dessa primeira idéia inicial eles me chamaram. Eu tava viajando pelo Nordeste e topei na hora, até voltei mais cedo da viagem pra isso. Quando eu cheguei a coisa mudou de figura, passou a ser meio que banda, entende?”

Uma vez assumido que o projeto era uma banda, os planos e composições começaram a fluir. Bruno não contabiliza, mas garante que o trio se encontra toda semana para compor e já tem “muitas músicas” escritas. Algumas foram promovidas a gravações caseiras e podem ser ouvidas por qualquer internauta curioso na página da Trinca no myspace. Mas a grande maioria ainda espera no limbo para figurar no repertório do primeiro álbum do trio, Nosso Disco Dava Um Filme. Por enquanto, a bolacha só existe mesmo na cabeça dos integrantes, mas isso deve mudar com a aprovação do projeto no edital Núbia Lafayette da Fundação José Augusto, que no fim do ano passado premiou 40 projetos musicais de artistas potiguares com recursos para a gravação de um disco.

Enquanto espera a verba pública sair, a Trinca vai ensaiando e planejando a feitura do álbum. Bruno entrega que o disco vai contar com 11 faixas que já existem em versões cruas baseadas em programações eletrônicas. Na hora de entrar no estúdio, o plano é contar com uma banda de apoio (baixo, bateria e trompete) para executar os arranjos.

Se o som promete sair sofisticado, a parte gráfica também deve vir recheada. “A gente apostou e aposta numa qualidade estética do disco. Gostamos de letra, de encarte, de álbum cheio, sabe? Temos inclusive uma produtora executiva que vai percorrer empresas com a gente pra isso, pra ajudar na feitura da parte gráfica”. O álbum deve contar ainda com a ajuda do selo Uns Discos e Difusões, idealizado pela cantora Simona Talma e que terá no elenco – além da Trinca e da própria Simona – o duo eletrônico/experimental Onoffre.

Depois do disco pronto, a Trinca ainda planeja soltar um EP com quatro faixas e aí sim, estrear ao vivo. A princípio, a intenção do grupo era debutar nos palcos somente em fevereiro do ano que vem. Mas, com o hype formado e os festivais chamando, as coisas podem acontecer mais cedo do que eles esperavam. “De banda de internet, passaremos a banda de estúdio e depois seremos banda de palco”, resume Bruno.

*Publicado originalmente no site O Inimigo

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    ONDE MAM-Rio (av. Infante Dom Henrique, 85, Rio; tel. 0/xx/21/2240-4944)
    QUANTO R$ 8
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POESIA

    Aconchego
    11-02-2012 às 14:37 - Comentar

    Por Suely Nobre Felipe

    Quando partires do meu tempo,
    Leva-me entrelaçada em teus braços,
    Dividas comigo o teu novo regaço,
    Deixe-me provar da leveza do teu céu,
    Onde ali, repousada entre nuvens,
    Desfiarei nossos melhores sonhos.
    E, por entre os fios dos nossos cabelos
    – Já não tão negros como a noite,
    Confundiremos deliciosos segredos.
    Pois, não tardará o tempo
    Em que haveremos de desfiar
    Capuchos de solidão.

    ACONCHEGO

    Suely Nobre Felipe

    __________

    Quando partires do meu tempo,

    Leva-me entrelaçada em teus braços,

    Dividas comigo o teu novo regaço,

    Deixe-me provar da leveza do teu céu,

    Onde ali, repousada entre nuvens,

    Desfiarei nossos melhores sonhos.

    E, por entre os fios dos nossos cabelos

    – Já não tão negros como a noite,

    Confundiremos deliciosos segredos.

    Pois, não tardará o tempo

    Em que haveremos de desfiar

    Capuchos de solidão

    COMENTÁRIOS

    • Anchieta Rolim: "Tá legal, eu aceito o argumento." Valeu Marcos. - À sombra da ditadura
    • chico m guedes: penso que quem acha que os valores em relação à vida introduzidos pelo cristianismo na civilização ocidental são só uma questão de crença pessoal, ou ignora brutalmente a história, ou, o que é pior, se auto-ignora enquanto fruto dessa civilização. sugiro um passeio imaginário ao coliseu romano num dia de espetáculo pagão. (em joguinho cyber ou seriado de tv não vale). claro que a sociedade ocidental moderna já abriu espaço para tornar o aborto uma questão de "foro íntimo das mulheres" (a mesma sociedade que vai em marcha batida pra nos transformar em mero 'produto', aliás). apois, apesar de toda essa mudernage, desconfio que entre nós filhos do cristianismo, pelo menos por mais um milênio, matar um feto (não venham com eufemismos que é disso que se trata) ainda será sentido e vivido como uma mancha moral (o que é o 'pecado', afinal?). mesmo que ele venha a ser descriminalizado. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Fernando: Yuno, seu comentário rebaixando o cristianismo revela um preconceito fortíssimo. Nestes termos, é impossível realizar um 'debate amadurecido" que você diz querer. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: Eu tacito, celina ,Abimael Noite de banda aluanda. Ribeira bordas navarro Quase carnaval amigos Maésia , Paulo, outros. Não naõ não lembro nome seca Elói. E tu andas estava. - Cena Aberta e transparente
    • José de Paiva: Seja bem vinda Glória Braga Horta ao SP e obrigado por ler o meu texto. Obrigado também pela generosidade dos amigos de sempre. Clarissa Torres, gosto muito das obras de Schiele, elas me inspiram. - Rita louca
    • Marcos Silva: Gosto muito daquela canção de Paulinho da Viola que diz: "Faça como o velho marinheiro que durante o nevoeiro leva o barco devagar". - À sombra da ditadura
    • gustavo de castro: E quem disse que os valores cristãos é que devem predominar? Foi Cristo ou os cristãos? - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Anchieta Rolim: Oreny, bela poesia! - Vento nordeste
    • Anchieta Rolim: Concordo marcos, inclusive quando João Carlos voltou da guerrilha continuou sua luta junto a artistas como Gonzaguinha, Paulinho da Viola e vários outros... Fazia parte do grupo o ex-jogador Afonsinho (aquele que lutou pela lei do passe livre para os jogadores de futebol), e também o cantor e compositor Potiguar Mirabô Dantas. - À sombra da ditadura
    • Marcos Silva: Certamente, existem ONGs sérias. Infelizmente, a desqualificação geral tende a se tornar corriqueira. Lembro que ela aparece com todas as letras no filme Tropa de elite (I). - Brado retumbante