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Um sábado no Beco da Lama

Foto: Canindé Soares

Caminha lentamente, o beco
Seu aspecto é festivo
Afinal é sábado e todos os bares
Estão abertos
Numa policromia de gestos, cores e falas.
Todas as tribos presentes.
A cultura popular viva e pulsante
Em Nazaré a Roda de Samba quinzenal
Na calçada, Civone, Thiago e outros poetas abre mais uma vez a tenda, que não é de camelos. mas tem muita sede.
Dunga fotografa tudo
Cabrito com sua sacola de papel cumprimenta a todos
Não bebe, vive embriagado de safadezas.
O sebo de Abi está fechado
No “ Espaço Público” de Zé Reeira a festa começa cedo
Com o Folia de Rua e o Samba de Roda com prato e matraca
Um noiado passa jogando um copo nos pés da ritmista.
O folia faz um belo cortejo pelas ruas estreitas e medievais
Da velha cidade alta. Concentração na casa do Cordel que comemora 10 anos,
O palco tá armado para apresentações da verdadeira cultura popular de contadores de histórias, poetas e cirandeiros.
Ao lado começa uma roda de samba disputando sons, minha presença e interesse. Gosto dos dois. Por que temos sempre que escolher?
Natal é uma festa no mês consagrado ao folclore.
O beco filosófico desguia os rios da existência.
Pode ate existir tribos, ovelhas desgarradas.
Como eu: que sou daqui, e ao mesmo tempo estrangeiro
Saudades de Gardênia, Paulinho e outros viventes desse beco da minha existência.
Saudades de outros amigos triturados pelas serpentes da vida.
A desgraça da minha terra é universal
É sempre motivo para bememorar.
No beco da lama tomei caldo de Cana no Orós para dá sustança. Papai vendia cachorro quente para manter a vida e eu comprava as linhas para pespontar e cozer a vida que precisa ser vestida.
Vendo o beco parece que o mundo é uma grande taberna onde tudo cabe.
Os homens só estão preocupados em viver.
Manipulados pelo destino
Alguns jogam baralho e outros bebem.
A religião é polissêmica.
A maçonaria está fechada e seus símbolos são indecifráveis para muitos.
Beco de tantas embriaguezes. Berço de poetas, loucos e fregueses da existência, vestidos de brumas e luzes.
Nessa hora se encanta o grande sambista Wilson das Neves.
Um novo samba surge nunca terminado
Mais tarde desço para a velha ribeira de guerra.
Natal é uma festa
Um musical dedicado a Milton, tudo bem feitinho e clean.
NADA SERÁ COMO ANTES
Não vi preto na festa. Não me empolguei
Mas as companhias são boas e o som é bom.

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João da Mata

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