Um sitcom Made in Natal

Sheyla Azevedo
AudiovisualDestaque

Conversamos com Mateus Cardoso, protagonista, junto com Quitéria Kelly, e um dos diretores da websérie Dalton Hebe, cujos três primeiros episódios já contabilizam quase 12 mil visualizações no Youtube; ele estudou na primeira escola de cinema do mundo.

Uma produção 100% natalense

Para quem está acostumado com streamings, tal qual a Netflix, e admite o vício em filmes e séries, é possível ter ouvido falar do seriado britânico Downton Abbey (2010-2015), com sua história dos aristocratas Crawley e os empregados em uma casa de campo em York, na Inglaterra.

Bom, até aqui, essa série e seu enredo não teriam absolutamente nada a ver com a vida de Natal, com a produção cinematográfica e televisiva da cidade, tampouco com seus realizadores, certo?

Mas, como o inusitado é um excelente ingrediente para a criatividade, de repente, ideias e vontades de jovens atores, diretores e roteiristas se encontraram e, de uma brincadeira com a sonoridade do título da série britânica, surgiu o nome de uma série, uma comédia de costumes, totalmente produzida em Natal: Dalton Hebe, cujos primeiros três episódios estão disponíveis na internet e, juntos contam com aproximadamente de 12 mil visualizações – até a conclusão desta reportagem.

Ideia gestada na Rússia

Os idealizadores esperam fazer mais seis episódios para a primeira temporada. As semelhanças entre as séries param por aí.

Dalton e Hebe são a junção dos nomes dos protagonistas: uma moça separada, heterossexual, mãe de duas meninas (interpretada pela atriz Quitéria Kelly e suas duas filhas reais), e seu amigo (Mateus Cardoso), estudante de mestrado, gay, ambos em aventuras pela cidade, em busca do par perfeito.

Os três primeiros episódios foram produzidos pela Casa de Praia e patrocinados pelo Sebrae, através do Edital de Economia Criativa. Mateus além de atuar é também o dono do argumento e a direção é dividida entre ele, Pedro Fiuza e Moniky Rodrigues.

Dalton Hebe

Dalton (Mateus Cardoso) e Hebe (Quitéria Kelly) estão em busca do par perfeito; além de atuar e ser dono do argumento, Mateus divide a direção com Pedro Fiuza e Moniky Rodrigues.

O Substantivo Plural, que divulgou a estreia da série, em dezembro do ano passado, bateu um papo com Mateus para saber como foi a concepção do trabalho.

Junto a outras produções como Septo, Dalton Hebe mostra o quanto o audiovisual da terrinha amadureceu e, sobretudo, botou as mangas de fora. Tudo surgiu de maneira espontânea, segundo conta.

Em 2015, Mateus voltou da Rússia, onde foi estudar cinema na universidade mais antiga de cinema do mundo, a VGIK, fundada em 1919 por Vladmir Gardin.

“Eu fui passar frio lá”, brinca, emendando que a estada naquele país foi muito proveitosa: “Eu fiz especialização no Departamento de Ficção. Foi uma experiência diferente, exótica e muito profunda. Moscou tem a primeira faculdade de cinema fundada na história, criada dois anos depois da Revolução Russa, para fazer propaganda para o Governo Comunista. E eu resolvi ir para lá por causa disso, pela tradição”.

Ao voltar, ele queria criar, contar uma história, encontrar outros atores, “botar a mão na massa”, como diz. E as coisas foram se encaixando.

“Foi tudo muito orgânico. Primeiro eu fiz um roteiro que poderia ser para teatro, o Pedro viu e achou que o formato seria bom para uma série. A namorada dele estava assistindo o seriado britânico e a gente brincava muito com a sonoridade do nome em português, Dalton Hebe. Ele passou no edital do Sebrae, conseguimos filmar três episódios e assim a coisa foi tomando corpo”.

Dalton Hebe.2

Mateus Cardoso estudou cinema na Rússia, na primeira faculdade de cinema do mundo, a VGIK, fundada em 1919 por Vladmir Gardin, como peça fundamental na propaganda do regime soviético.

Contato com arte começou na igreja

Mateus é ator desde a época em que fazia teatro na Igreja Evangélica. Fez Rádio e TV na UFRN, onde também pagou umas disciplinas que tratam da teatralidade. Mas ele diz que sua formação é mais ‘orgânica’ e menos ‘formal’ ou ‘oficial’. Ele vai fazendo e aprendendo.

“Eu cresci na Igreja. Meu pai é pastor e sempre foi um grande apoiador das artes. Foi lá que eu participei do grupo de teatro Nazart’s. Uma mistura de Nazareno [Igreja Do Nazareno] e artes. E o trocadilho de ‘nas artes”.

O background de Mateus veio desse grupo engajado e apaixonado por expressões artísticas. “E eu vou tendo oportunidade de fazer coisas bem legais, eu faço”.

Mateus participa dos bastidores da peça Jacy, do Grupo Carmim de Teatro, que está em turnê por São Paulo.

Para os próximos seis episódios, que completarão a primeira temporada de Dalton Hebe, Mateus espera manter o mesmo clima dos primeiros:

“Foi muito gostoso fazer porque juntamos amigos, viramos uma grande família que se divertia no setting. E eu acho que essa atmosfera bacana que havia na equipe reflete muito no resultado final do trabalho”.

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Sheyla Azevedo

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