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Um sócio de honra

O título de Sócio de Honra de uma instituição respeitável e respeitada é reconhecimento de integridade. Destina-se à pessoa que exerce plenamente a cidadania e, normalmente, ocupa posição de destaque. Uma espécie de afirmação de atos costumeiros de nobreza. A Academia Norte-rio-grandense de Letras tem sido parcimoniosa, diria mesmo econômica, na outorga desse título. Em média, um a cada quatro anos da existência acadêmica. Foram conferidos a pessoas admiráveis, como: Ives Gandra e Marco Lucchesi, José Paulo Cavalcanti, Ivan Junqueira. Anteriormente, a personalidades históricas, entre as quais, Alberto Maranhão, Sílvio Pedroza, Rodolfo Garcia, Carvalho Santos e Gilberto Freire.

Agora, em reconhecimento ao seu trabalho intelectual e a essas virtudes, a nossa Academia conferiu o título de Sócio de Honra a Gaudêncio Torquato. A justiça da homenagem, decidida por unanimidade em sessão plenária, também levou em conta a sua fidelidade potiguar e a sua cidade serrana.

Gaudêncio, um dos vinte e dois filhos do pai homônimo, saiu de Luís Gomes para exercer o jornalismo. Já em São Paulo, conquistou a cadeira de professor-doutor titular de Comunicação da USP – Universidade de São Paulo e foi professor da pós-graduação da PUC e de outras Instituições universitárias como a Faculdade Cásper Líbero. Tornou-se um dos melhores jornalistas políticos do Brasil. É consultor de marketing institucional e político, sempre requisitado. É também escritor consagrado de livros sobre sua especialidade, como o seu Tratado de Comunicação Organizacional e Política, além de ser um bom memorialista.

No ano passado (2016), D. Chiquita, sua mãe, recebeu os filhos dispersos em atividades, parentes e amigos para a comemoração do seu centenário. Foi tempo de lembranças ternas e benfazejas. Oportunidade de relembranças para Gaudêncio e os irmãos médicos competentes e dedicados, José Luiz e Ivonildo Torquato. Ivonildo, o cirurgião, recebeu no Rio de Janeiro, como prêmio do seu trabalho, um bisturi de ouro.

Luís Gomes é uma cidade plantada na Serra de São Miguel, com cerca de dez mil habitantes, no extremo oeste potiguar. Encantam os que chegam ao Alto do Tabor, ao Mirante e à Cachoeira do Rela. Quem mora nas serras sabe ver a distância, é mais largo o seu horizonte. Um poema explica: “Há miragens longínquas, distante / no horizonte azul-verde da serra / na planície, cidades brilhantes / são colares de luz sobre a terra”. Surpreende, aos menos avisados, o talento de pessoas lá nascidas ou seduzidas pelo povo e pela natureza. Assim, o desembargador Hélio Fernandes, o escritor Franklin Jorge. A revista cultural da FUNFFEC (Fundação Francisca Fernandes Claudino) orgulha o Estado. Maravilha a orquestra de cordas composta por adolescentes com incursões no exterior. Tudo é criado e mantido pelo luisgomense João Claudino, notável empresário nordestino, no Piauí.

A Academia Norte-rio-grandense de Letras cumpre o seu papel ao honrar, com o ouro da sua palavra, quem honra com o seu trabalho a cultura e ama a nossa terra e a nossa gente.

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Diógenes da Cunha Lima

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