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Uma boca e um olhar

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Uma boca fala para um olho ver

Que tudo se cala ao anoitecer

Uma boca diz a esse olhar feliz:

Ví­trea í­ris, verde verniz!

Uma boca finge ser uma esfinge

O olhar de mil segredos se tinge.

Uma boca mente ao olhar clemente

Se o olho não vê, a boca não sente!

Uma boca deseja que o olho veja

Que o olhar enseja, mas só ela beija!

Uma boca tem um gosto de anis

Lábios pedintes de meretriz

A boca que fiz o olhar não quis

Gestos gentis, carinhos sutis

A boca continua e logo insinua

A lí­ngua nua no olhar flutua

A boca implora: sou toda tua!

Teu olhar meu gosto tatua

Mas o olhar, insensí­vel

Achando a boca horrí­vel

Tende a ser desprezí­vel.

As pálpebras vão se cerrando

E a boca vai bocejando…

Uma boca ao olhar algo quer dizer

Mas tudo se cala ao anoitecer!

TagsPoesia
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Edmar Cláudio

Comentários

1 comment

  1. Maria tereza 27 novembro, 2017 at 18:37

    Texto fino de , translúcidas palavrikas, de um surrealismo Daliniano puríssimo. Gostei muito!

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