Uma entrevista de Ronaldo de Brito

15 de outubro de 2009 às 11:25 - Comentar
Por Nelson Patriota

Numa entrevista recente dada a esta TN, o premiado escritor cearense Ronaldo Correia de Brito colocou em circulação uma das sentenças mais pertinentes ao ato de escrever: o momento de dar por terminado um livro, um ensaio, um texto qualquer. A máxima, de autoria de Jorge Luis Borges, diz: “Publico para não ter mais que corrigir”.

A atualidade da frase é de tal magnitude que, em casos extremos, produz quer um frenesi por publicar, quer uma barreira de escrúpulos e cautelas capazes de inibir de forma definitiva que certo projeto literário realize seu destino mallarmeniano: tornar-se livro.

Ronaldo está ciente de que se fosse atentar para todas as minudências que uma revisão autoral exige, não publicaria com a regularidade com que o faz. E nestes últimos anos ele tem podido se dar ao luxo de escolher entre continuar revisando textos que perigam envelhecer, e escrever novos trabalhos, dando aqueles ao prelo. Cumprindo à risca esse método, Ronaldo vem lançando livros com regular freqüência desde 1997, quando estreou com “As noites e os dias”. Seu primeiro romance, “Galileia”, lançado o ano passado pela Cosac Naify não foi selecionado para o prêmio Portugal Telecom, o qual, segundo notícia veiculada pela Folha esta semana, vem evitando os romances realistas, segundo a reportagem do jornal apurou ao analisar os dez finalistas à premiação. Isso transforma Ronaldo num escritor realista? Pena que Ronaldo não foi questionado se vê a si mesmo como um escritor realista.

Foi com essas credenciais que Ronaldo Correia de Brito se fez presente ao Festival Literário de Pipa, que começou na quinta-feira passada, retomando contato com escritores e leitores norte-rio-grandenses de sua obra, a qual está repercutindo fortemente nos principais meios literários do país. No mês passado, por exemplo, ganhou o 2º Prêmio São Paulo de Literatura, no valor de 200 mil, juntamente com o gaúcho Altair Martins (livro do ano e veterano).

Sua não indicação para o Portugal Telecom talvez se deva justamente ao fato de já ter sido contemplado com um importante prêmio literário este ano, levando os organizadores desse outro grande troféu literário binacional a dar oportunidade a outros autores ainda pouco ou não suficientemente bem conhecidos (ou premidos).

A entrevista de Ronaldo ao experiente jornalista Carlos de Souza explora assuntos controversos, como conflitos do tipo regional x universal, arcaico x globalizado, erudição x analfabetismo, mas é na relação escritor x internet que Ronaldo revela estar em boa sintonia com a modernidade. Desde que começou a escrever para uma revista da rede passou a cumprir algumas das recomendações de Italo Calvino feitas em seu livro “Seis propostas para o próximo milênio”: rapidez, multiplicidade, visibilidade. E confessa: “Desde que passei a escrever para uma revista da net, a Terra Magazine, me sinto mais corajoso, mais ousado e mais ágil”. Coragem, ousadia e agilidade são, de fato, requisitos indispensáveis para se levar adiante um trabalho intelectual, mas talvez na rede sejam vividos mais intensamente pelo imediatismo e volume das respostas que um escritor com o renome de um Ronaldo Correia de Brito é capaz de suscitar.

A morte também merece uma especial reflexão, quase uma reverência (Ronaldo é médico) por parte do autor de “Galiléia”: “Sem o tema da morte não existiria literatura. Sherazade narra para vencer a condenação à morte e manter-se viva”. Em última instância, portanto, a morte é uma aliada do escritor; o homem bicentenário da ficção científica não tem qualquer pendor para as letras…

O realismo de Ronaldo Correia de Brito também não poupa o fetiche dos livros. Para esse autor, o glamour que cerca os eventos literários é bom por uma única razão: ajudam a tirar a aura sobrenatural da literatura e dos livros. Por serem objetos de consumo, naturalmente concorrem no mercado com “cremes de pele, alisantes de cabelo, celulares e relógios”. Por isso, impõem dilemas do tipo: comprar livros ou tomar dez cervejas? Muitos jovens se veem obrigados a uma escolha dessa forma. Modestamente, Ronaldo os ajuda na decisão, ao dizer: “Sempre preferi comprar livros”.

Comentários fechados.

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    NAN GOLDIN
    QUANDO abre hoje, às 19h; de ter. a sex., das 12h às 18h; sáb. e dom., das 12h às 19h; até 8/4
    ONDE MAM-Rio (av. Infante Dom Henrique, 85, Rio; tel. 0/xx/21/2240-4944)
    QUANTO R$ 8
    CLASSIFICAÇÃO 18 anos

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POESIA

    No bar
    08-02-2012 às 22:17 - 7 Comentários
    Por Jairo Lima

    Chegaste a mim não como lume
    Mas como Pergunta exposta na toalha sobre a mesa
    E com olhos irônicos fitaste o Vazio dos meus olhos
    E nos meus olhos te atiraste como um predador na rota de sua presa

    Na boca um sorriso zombava de futuros e certezas

    E eu te vi.
    Te vi como se vê mares e dunas
    Como coisas que são sem oráculos nem seitas
    Que não se anunciam, nem aguardam, nem ficam, nem se vão:
    Ali estavas de pé em frente aos panos da noite
    E parecia que contigo aquela noite estava feita

    Te vi coxas, riso, ombros e mãos
    Perdidos entre afago e maldição

    Enquanto o sol ainda se esconde tua mão me marca a pele e impõe fronteiras de posse
    Num corpo que já não é mais o meu e se entrelaça no teu e se contorce

    Os lábios se encontram e vão em busca dos vapores quentes da alma
    Se colam, se penetram, se invadem;
    Não são asas de pássaros, são patas de cavalo
    Destruindo colheitas

    Aquela noite só prometia suores
    Conquistados a cada beijo
    Os latifúndios do desejo
    Eram cada vez maiores

    (———–)

    Vim de longe
    Em hora incerta
    Vim de lunas
    Vim de céus perfurados de estrelas
    Vim de amores submersos em dores e desfeitas
    Para que celebrasses a consagração bizarra
    Que faz a carne virar pão
    O sangue virar vinho
    E a cama virar mesa
    Onde a fome dispõe as suas facas
    Para cortar as carnes e sugar a seiva

    (—————–)

    ******

    Tácito, aqui vai um pequeno FAQ para explicar porque voltei a enviar poemas:
    1. Porque JL parou de mandar poemas para o SP?
    Não sei
    2. E porque voltou a envia-los agora.
    Sei lá.

    COMENTÁRIOS

    • Fernando: Nossa, nunca li um artigo tão fraco como esse, nunca vi tantas falácias coligidas em um artigo de um abortista (não nos parece um jornalista, já que demonstra nada ter lido efetivamente sobre o aborto). Vejamo-las: 1) Aborto não é questão de controle populacional: mentira. Basta ver a origem da defesa do aborto nos EUA e basta ver quem financia o aborto ainda hoje. Para quem nada sabe do assunto, estudar a história das fundações Rockefeller, MacArthur e Ford pode ajudar. 2) Aborto é "direito reprodutivo". Direito??? Que absurdo! Além do absurdo, o termo maldosamente forjado para induzir a erro é incoerente: como pode um "direito reprodutivo" tirar uma vida? Ah, tem dúvida se é vida humana? Por favor, dá uma olhadinha aqui: abort67.com.uk 3) Ó loucura... "atendimento de qualidade" e "sem preconceito" do Estado para ajudar uma mulher a matar o próprio filho. Quanto amor, quanta bondade! Quer saber? Chega de ironia, falemos a verdade: que nojo, quanta hipocrisia! Por que não propor educação sexual para valorização da mulher, do corpo, do próprio sexo, ao invés de louvar o sexo irresponsável que gera vida e que deve terminar em assassinato "de qualidade" e "sem preconceito"? Repito, gritando: QUANTA HIPOCRISIA, QUANTA HIPOCRISIA ASSASSINA MENTIROSA travestida de luz. Típico de quem quer fazer o mal. 4) Ah, o velho conceito da luta de classes para transformar o assassinato de bebês em "questão de saúde pública": mulher rica aborta com segurança, mulher pobre aborta e morre. MENTIRA HORROROSA!! Uma simples consulta ao SUS desmistifica essa mentira. O aborto como causa de morte de mulheres está LONGE, MUITO LOOOOOOOOOOONGE de ser questão de saúde pública. Mas é claro que este abortista (jornalista? Não... já não resta dúvida) está mal informado, lendo pesquisas financiadas pelas ONGs abortistas que sabidamente MENTEM para jornalistas divulgando números falsos que eles irresponsavelmente repassam para pressionar a opinião pública. Deem uma olhadinha aqui (é só uma das evidências...): http://boletimfedf.blogspot.com/2011/03/os-controversos-numeros-do-aborto-e.html 5) Como é fácil ter opinião diferente sobre o feto quando você não foi abortado, né japonesinho? Que lindo que soa aos ouvidos menos instruídos "direito sobre o próprio corpo". Que sorte a sua que sua mamãe (e seu papai, coitado! Não o reduza a nada! Ele também quis que você viesse ao mundo... Como você pode tirar dele o direito de amar você?) - que sorte que ela não pensou como você!! Afinal, seu corpinho não era nada, não é? Era uma unha encravada da mamãe, não é? Se você tem dúvida sobre "que corpo" é mutilado, se o da mamãe ou o do bebê, recomendo novamente este videozinho instrutivo: abort67.com.uk 6) Ave, e o que dizer da tese - histérica - de que "religiosos estão se intrometendo na questão!!! O Estado é laico!!" Será que não existe um ateuzinho que não concorde com a matança de bebês? Acho que existem sim. Muitos. Mas é mais fácil ser ignorante (ou maldoso) e criar uma guerra religiosa. Abjeta, como aliás têm sido todos os supostos "argumentos" até aqui para defender a matança de bebês gerados irresponsavelmente. 7) E o autor - que por sinal demonstra ter um elevadíssimo autoconceito, um amor-próprio no mínimo... doentio, para usar um eufemismo - ainda tem o fingimento de se apresentar aos leitores como alguém que está preocupado com a dignidade alheia, quando se acha no direito de decidir quais dos mais novos membros da espécie humana devem ou não viver. Como é triste a cegueira humana! É surpreendente até que ponto alguém ensimesmado consegue perder a noção da realidade! - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Fernando: É, Alex de Souza... "seus corpos" - abort67.com.uk - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • chico m guedes: coisas de Jairo eu sempre me pego lendo em voz alta; é quase táctil (quase?) - No bar
    • Daniel Menezes: Ótima reflexão. - Yoani Sánchez, a direita e a esquerda
    • Jairo Lima: Brigado, Nina, sou leitor atento e empolgado de tua poesia. - No bar
    • Anchieta Rolim: Marcos Silva, caso tenha interesse dê uma olhada nesse blog: araguaiahistoriaemovimento.blogspot.com Um abraço! - Ai Hay Hai
    • Marcos Silva: Aprendi a sentir Anne como mais que irmã, pedaço de mim, essas coisas que uns e outros consideram sentimentais mas são apenas sentimentos que nos diferenciam dos computadores. Grande beijo. - Ai Hay Hai
    • Anchieta Rolim: Gostei muito da matéria. E pra quem interessar, segue o blog do meu amigo João Carlos Wisnesky que foi um dos guerrilheiros do Araguaia e que ainda continua sua luta para esclarecer esse fato histórico. araguaiahistoriaemovimento.blogspot.com - À sombra da ditadura
    • Nina Rizzi: Gosto muito. E o meu gostar tem a pretensão dos desejos mais pungentes. Um beijo :) - No bar
    • Anne Guimarães: Marcos meu menino... Na vida só a alegria embeleza a alma. Beijocas por estes versos! :) - Ai Hay Hai