Música

Uma mulher no topo do jazz instrumental

Iris Ornig

Contrabaixista, compositora e arranjadora Iris Ornig é uma das principais jazzistas surgidas nos últimos anos; segundo álbum da alemã radicada em Nova York, No Restrictions, tem versões de Björk, Michael Jackson e forte influência de música brasileira

Nos últimos anos, uma safra de mulheres instrumentistas tem alterado a configuração do jazz instrumental contemporâneo, outrora um clube masculino fechado.

Desde a trompetista israelense Anat Cohen que, junto com dois irmãos, forma o 3 Cohens, até Esperanza Spalding, a contrabaixista com uma penca de trabalhos consistentes, elas se destacam com sensibilidade e quebra de paradigmas.

É o caso também da contrabaixista alemã Iris Ornig.

Seu segundo álbum, No restrictions, mostra o talento da arranjadora e compositora – além de doutora pela Guildhall School in Music and Drama, em Londres, a mesma que graduou meio mundo da música, inclusive sir George Martin.

São oito composições próprias e duas versões: Venus as a Boy, de Björk, e The Way You Make Me Feel, de Michael Jackson.

Do Rei do Pop, por sinal, Billy Jean também faz parte de seu setlist, mas não deste disco.

No vídeo abaixo tem um dos principais números de Iris Ornig ao vivo no Blue Note, um dos templos jazzísticos em Nova York.

Radicada no grande palco do jazz mundial

Da vida na Big Apple (sua morada desde 2003), a germânica tirou influências que complementaram sua formação inicial em jazz e música popular europeia pela Universidade de St. Gallen, na Suíça.

Foi questão de tempo para dividir o palco com nomes respeitados da cena nova-iorquina e montar vários projetos paralelos ao quarteto.

A comandante da banda é generosa ao economizar nos solos e soltar os companheiros. Iris aposta no cool, no bebop e na música brasileira, com traços significativos de João Donato e Marcos Valle, como observado na faixa-título e em Gate 29, talvez a melhor do disco.

Iris Ornig.2

Iris Ornig mora em Nova York desde 2003, onde em pouco tempo conquistou espaço na fértil cena jazzística local

Se a capa do álbum sugere mistério, ‘restrições’, ou uma liderança inconteste, as composições revelam uma artista vibrante, polivalente e longe da vaidade.

Apenas na faixa de encerramento, Uptight, ela encaixa dois minutos de brincadeira com o baixo. Ao vivo, ela esbanja carisma, segurança e ratifica críticas tão elogiosas para si e para os músicos que a acompanham.

A simbiose entre sofisticação e originalidade transforma No Restrictions em um presente para os amantes do jazz instrumental. Som composto e arranjado por uma mulher atenta ao que existe no mundo além do Atlântico Norte. Verdadeiro tesouro à espera de descobridores.

Share:

Comentários

Leave a reply