Ler e amar a Poesia, lembra-nos Fernando Monteiro em sua rica experiência, sua biografia disseminada em tantas leituras, viagens, poesia vivenciada em poemas escritos ou não. Conheci poucas terras, diferentemente do grande poeta que é o Fernando Monteiro. São Paulo, essa giganta, metáfora que também é um tema na poesia de Baudelaire, São Paulo foi a minha experiência mais rica em termos de viagem.São Paulo, a quem sempre retorno, como sempre retorno aos meus rios, rostos e leituras de poemas. Foi lá que li intensamente a poesia de Giuseppe Ungaretti (foto). Conhecia desse poeta apenas alguns poemas traduzidos, como o célebre “Mattina”, que em suas duas ou três palavras parece guardar todo o Universo. Como aconteceu com a leitura do sérvio Vasko Popa, que através de um poema me fez retornar à minha infância, a leitura de Ungaretti me fazia crer que o homem é o mesmo. E sua pétrea e dolorosa geografia, em pouco ou nada difere da minha geografia angicana. Poesia é comunhão. Lendo os poemas de Ungaretti, numa longínqua e fria São Paulo, liguei para o meu amigo Manuel Onofre Jr. ( que registraria o fato em um livro). Enquanto lia os poemas do italiano, eu e Onofre íamos identificando algo que nos parecia tão particular, o sertão, e universalíssimo, a tragicidade humana.Os versos ungarettianos falavam também de pedras, aridez,rios, dor e pranto, à maneira dos vates e da geografia da caatinga.”Come questa pietra/è il mio pianto/che non si vede”. Aprendíamos a chorar de olhos enxutos como os nossos rios.
8 de julho de 2010 às 10:01 - Envie para o twitter
UNGARETTI, MANOEL ONOFRE JR, O SERTÃO
Por Jarbas Martins