Valéria consolida talento e competência em show e CD

Tácito Costa
DestaqueMúsica

Valéria Oliveira é hoje a nossa melhor cantora. Comentei com o poeta Carlos Gurgel, que assistiu da cadeira em frente a minha, ao show de lançamento do CD “Mirá”, na semana passada no Teatro Riachuelo. Pedi que ele escrevesse sobre a apresentação. Como poeta traduziria de forma mais lírica o que vimos. Ele preferiu que eu escrevesse. O que faço com enorme prazer.

O teatro Riachuelo lotou para conhecer o nono CD da artista potiguar, desta vez, dedicado ao samba. Ao samba potiguar, ressalte-se. Antes, ela já havia incursionado pelo ritmo, na merecida homenagem a Clara Nunes (CD “Águas Claras”, lançado há quatro anos).

O “melhor” grafado mais cima não se restringe à voz, embora isso seja fundamental para qualquer intérprete. Inclui, também, a maneira como essa moça conduz sua carreira. A forma profissional, zelosa e perseverante com que vem construindo sua trajetória musical.

Isso, a despeito de todas as dificuldades – velha conhecidas – inerentes ao fazer artístico nessa aldeia mais bela, inculta e violenta. Resistir, pela arte, que gesto pode ser mais afrontoso e subversivo que esse?

Não importa onde seja a apresentação, já assisti a shows dela em bares e teatros pequenos, como o TCP. A produção é sempre feita com esmero, desde a divulgação, à escolha dos músicos e repertório, direção de palco etc.

No palco ou fora dele Valéria transborda carisma, simpatia e humildade. Cada vez mais segura e dona do seu ofício. Um exemplo a ser lembrado e incentivado. É como se tudo que ela toque – num sentido que transcende a música – vire ouro.

A produção de Monica Mac Dowell e a direção artística de João Marcelino, impecáveis, não ficaram a dever em nada as que recebemos todas as semanas na cidade. Algumas com muita badalação e consistência discutível.

Estavam lá nossos melhores músicos, sob a direção competente de Jubileu Filho. O luxuoso combo incluiu tradução das composições em libra, por Adriel Kelvin, um espetáculo à parte.

Com um lindo vestido branco (ela entrou no palco com uma ‘capa’ cor de vinho, que depois deixou cair), com detalhe de rosas, descalça, ao estilo Bethânia, a cantora fez um show vibrante, com muito amor e emoção envolvidos, que incluiu músicas de “Mirá” e de “Águas Claras”. Encerrou, no bis, com “Cofrinho de Amor”, acompanhada pela plateia, homenagem merecida e emocionante ao grande Elino.

Acho importante citar, num momento em que os patrocinadores se retraíram e projetos culturais estão sendo cancelados, e como forma de exemplo, quem contribuiu para o espetáculo ter sido gratuito. Os patrocínios foram da Prefeitura do Natal, da Unimed Natal e do Colégio CEI (Romualdo Galvão) por meio do Programa Djalma Maranhão, com o apoio do Hospital do Coração de Natal e da Cosern, e realização Green Point. O CD, um mimo, foi patrocinado pela Lei Câmara Cascudo, Governo do Estado e Cosern com apoio cultural do Sebrae (que permitiu tiragem adicional de mais 1000 cópias. O projeto previa somente 1000).

Encerro com uma certeza. Valéria Oliveira está hoje no mesmo nível artístico de Maria Rita e Roberta Sá. Cito apenas essas duas por serem da mesma geração. Já tinha essa impressão, reforçada depois deste último show e trocar idéias com Gurgel. Coincidentemente, as três gravaram recentemente CDs com sambas.

Viva o samba. Viva Valéria.

 

Fotos: Brunno Martins

 

Share:
Tácito Costa

Comentários

Leave a reply