Vamos ao debate

8 de setembro de 2010 às 10:53 - 2 Comentários

Trabalhei em três governos na Fundação José Augusto, no de Geraldo Melo, Garibaldi Alves e Wilma de Faria. No primeiro apenas como assessor de imprensa. Nos segundo, como AI e coordenador do Prêmio de Poesia Luís Carlos Guimarães. No terceiro, como assessor de imprensa, coordenador do prêmio e editor da revista Preá.

Então, conheço de perto tanto o que foi feito nos últimos anos na área quanto como funciona a FJA, que não deve ser muito diferente da Funcarte, por exemplo. São instituições burocratizadas, pesadas, que vivem da força que tem o presidente de plantão, da boa vontade do governador e do humor – sempre mau – dos demais secretários para com a cultura.

O grande problema da FJA é viver eternamente de “pires na mão”. O orçamento destinado à instituição dá apenas para pagar pessoal e manutenção. A Lei Câmara Cascudo contempla projetos de grupos e pessoas mais articulados e com conhecimento junto às empresas e pronto.

François tem razão quando cobra uma atitude mais firme do setor e do jornalismo quanto à paralisação dos projetos que vinham sendo realizados. Lembro que ocorreram lamentações pontuais, na imprensa e nos cafés. E ficou nisso. Os amargurados e despeitados de sempre acharam ótimo o Foliaduto, somente assim se parou uma gestão que vinha dando certo.

A constatação de que poderíamos ter sido mais firmes na cobrança à continuidade do trabalho feito por François não invalida a proposta de debate que alguns jovens jornalistas e artistas realizarão hoje na Casa da Ribeira. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. A cobrança de François não deve ser respondida por eles, que somente recentemente – e com o idealismo próprio dos jovens – passaram a fazer parte da área cultural.

Apoio e aposto no debate. Pasmem, mas é o primeiro que o setor realiza junto com candidatos aos governo. Ora, se turismo, comércio, indústria, saúde etc fazem porque o setor cultural não pode? E qualquer que seja o resultado já é um marco histórico.

Esse debate, que dialoga com ações como o da revista Catorze e do Núcleo de Jovens Artistas, pode ser um embrião de uma maior organização rumo à cobrança aos dirigentes com relação à cultura. Óbvio, não é panacéia. Mas abre perspectivas que julgo importantes. Pior é não ter nada. Ficar somente nas discussões e fofocas dos bares e cafés.

Somente o fato de o assunto ter suscitado controvérsia aqui já é um bom sinal. Estamos na luta, tentando fazer alguma coisa, se vai dá ou não certo são outros quinhentos. Vamos olhar para o passado, aprender com os erros, fazer autocrítica se for o caso, mas não podemos deixar que esses erros nos paralisem. Vamos pra frente. Vamos ao debate.

PS. Por acreditar no trabalho desses meninos foi que aceitei, sem levar jeito nenhum pra coisa, para ser o mediador do debate. Que Deus me acuda!

2 Comentários

  1. 8 de setembro de 2010

    Tácito, você é um mediador nato.
    Esse site é a prova disso.

  2. 8 de setembro de 2010

    Homi, não dê corda não – rs. Valeu. Abs.

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AGENDA

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    Artistas plásticos e visuais ainda podem se inscrever no Edital de Ocupação das Salas de Exposição da Pinacoteca Potiguar para todo o ano de 2012.

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  • Museu de Arte Moderna do Rio abre mostra cancelada de Nan Goldin

    NAN GOLDIN
    QUANDO abre hoje, às 19h; de ter. a sex., das 12h às 18h; sáb. e dom., das 12h às 19h; até 8/4
    ONDE MAM-Rio (av. Infante Dom Henrique, 85, Rio; tel. 0/xx/21/2240-4944)
    QUANTO R$ 8
    CLASSIFICAÇÃO 18 anos

    aqui

  • OUTROS EVENTOS

POESIA

    Vento nordeste
    10-02-2012 às 7:14 - Comentar
    Por Oreny Junior

    sopra
    meu vento nordeste
    sou todo seu
    feito de sol e sal
    visto as velas
    desse cais cansado
    que tanto me espera
    levado pelas caiçaras
    nos lemes canguleiros
    sopra
    meu vento nordeste
    a amada me aguarda
    o rancho está vazio
    aproveita a baixa da maré
    e me atraca
    joga essa âncora
    onde o tempo
    por uns dias
    será meu amigo
    sopra
    meu vento nordeste
    sopra
    sopra
    ..

    COMENTÁRIOS

    • Marcos Silva: Certamente, existem ONGs sérias. Infelizmente, a desqualificação geral tende a se tornar corriqueira. Lembro que ela aparece com todas as letras no filme Tropa de elite (I). - Brado retumbante
    • Marcos Silva: No diálogo de 2010 sobre esse tema aqui, SP, considerei o direito do feto como especialmente frágil, uma vez que é uma vida ainda sem voz. Prefiro que haja debate sobre esse e outros temas. Não procuro convencer ninguém. Apenas considero fundamental ocupar o espaço público com argumentos em confronto, evitar a política de cada macaco em seu galho. Sou homem, não engravido. Mas posso engravidar uma mulher. Para evitar isso, tomo as providências necessárias (camisinha, em especial). Se engravidasse alguém, defenderia o feto, sim - parte de mim, parte do direito ao meu corpo. Melhor conversar. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Fernando: Marcos silva, discordo. O tema do aborto é tão absurdo que nem sequer deve ser debatido. Você não percebe que isso é exatamente o que os abortistas desejam? Eles desejam pôr em discussão um assunto que até então é evidente: a vida humana ganhou um valor intrínseco com o Cristianismo (todos são filhos de Deus, todos são irmãos), mas agora os que querem erradicar Cristo da sociedade estão querendo justamente questionar esse valor, "discuti-lo". Seria o mesmo que você propor que o tema da pedofilia é muito sério e precisa ser debatido, ou então que como alguns seres humanos têm tendência homicida, deveríamos debater o homicídio. A discussão em si já questiona o valor, e eu te asseguro que as pessoas que propõem isso sabem o que estão fazendo, porque eu estudei com essa gente que quer manipular a linguagem para mudar a sociedade. Elas nunca vão apresentar suas reais intenções, porque tais intenções não atrairiam ninguém, causariam repugnância. A propósito, desculpem-me: nos comentários anteriores errei o endereço. Querem ver se o aborto é algo a ser discutido? Assistam a esse vídeo: abort67.co.uk Abs - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Yuno Silva: Pelo visto dá para ver que o assunto é polêmico, cultural, um tabu histórico, e abordado com o lado emocional da racionalidade. Deixemos a cristandade de lado para um debate amadurecido. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Carmen Vasconcelos: Grata, Anchieta. - Avoengo
    • Marcos Silva: Walter: Entendo que o grande equívoco foi terem implantado uma ditadura no país. Objetivamente, os guerrilheiros do Araguaia e outros não tinham poder de fogo para o enfrentamento com um Exército regular e minimamente equipado, que sustentatava o regime. Mas a guerrilha anunciou, tragicamente (porque muita gente morreu e sofreu - e não só os guerrilheiros propriamente ditos), que nem tudo era ditadura. Não anunciou sozinha, claro. Parte da produção artística (música popular, artes visuais, teatro, cinema, literatura) também o fez. A mesma situação se observou nos movimentos sociais que foram se estruturando contra o regime. A "milicada" não precisava de treinamento, já era bem treinada e o demonstrou desde o começo do regime, oprimindo os adversários. É possível que a guerrilha tenha servido como álibi para o regime. Mas uma ditadura, quando não tem álibi, inventa, como o Nazismo o fez em relação aos judeus. - À sombra da ditadura
    • Clarissa Torres: Paiva, texto incrível! Que alma atormentada e corajosa. Realmente, a imagem é igualmente perturbadora e por isso belíssima. Me lembrou Ego Schiele. - Rita louca
    • Jarbas Martins: Seja apocalíptica, não, Paglia.Tenha medo não. De hora em hora Deus melhora. - Camille Paglia, em entrevista recente
    • Jarbas Martins: Sai dessa, M.Couto. - À sombra da ditadura
    • Jarbas Martins: Tô contigo, Alex. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”