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A vez da voz que voa

sarau

O sarau Belo Bafo da Boca se propõe a intercambiar, misturar vozes e verbos de vários estados nordestinos. Como a solicitar de cada poeta seu compromisso com essa tendência de aproximar vozes e seus poemas. No Brasil existem vários espaços democráticos da poesia, onde cada poeta é chamado para apresentar seu repertório da forma mais humana e bela. Assim, um dos saraus mais expressivos é o Estados de Poesia, vindo a nascer por crença de Marcelino Freire, exímio poeta da nova geração pernambucana. Esse sarau se espalha por diversos estados brasileiros, estimulando cada vez mais a poesia como uma caixa de ressonância verdadeira e audaz.

Aqui em Natal , é necessário que esse espírito, essa fluência, esse radar se instale. Existem sim poetas potiguares de expressiva performance de voz e corpo. Regina Azevedo que nessa segunda edição do Bafo traz sua pessoa e voz, é sem dúvida uma referência, quando ela se revela transitando por esses saraus no Rio, São Paulo, com reconhecimento da sua expressiva forma de ser poesia.

Cada tempo é recheado de novidades e alegria. A poesia, já faz tempo, merece seu lugar próprio e reconhecimento. O Belo Bafo da Boca se lança nessa bendita cruzada das palavras. Como um sopro inquestionavelmente preciso.

Nessa sua segunda edição o Bafo acolhe as poetas potiguares Regina Azevedo, natalense, reconhecidamente um raro ar novo poético brasileiro; Fulô du Agreste espalhando sua poesia negra, resistente, viva, combativa. Exatamente de Santa Cruz vem o poeta Marcos Cavalcanti, que reluz seus versos como um paladino multiplicando seu grito, tal qual um aviso, recado, segredo .

Vindo do Piauí a expressiva poesia de Demetrios Galvão trazendo com a sua voz um variado cardápio de publicações, sobressaindo-se a revista Acrobata. Do Recife está vindo uma das mais valiosas poetas nordestinas, a Luna Vitrolira, ela uma das curadoras do Estados de Poesia no Recife. E fechando o elenco dessa segunda edição, a pessoa do poeta cearense Mardônio França um performer de palco, sopro evoluído de tantas faces e paisagens.

Nessa segunda edição do sarau, tendo na sua curadoria o poeta Carlos Gurgel e a fotógrafa e escritora pernambucana Carol Gaião, a novidade é a inserção na sua programação, da música, na voz e instrumento de Joana Knobbe, fechando o sarau com um repertório voltado para as composições da artista, tendo como letras, poemas de poetas nordestinos.

Que o público presente no dia 15 de março, às 20hs no auditório da Pinacoteca do Estado-Centro, com acesso gratuito, se misture com os poetas como um expressivo exemplo de que o sarau pode ser um espaço múltiplo invadido pelos pulmões dos poetas e suas contemporâneas poesias.

SERVIÇO

Quarta, 15 de março às 20:00
Pinacoteca Potiguar
Pça. Sete de Setembro, s/n, Cidade Alta.

gurgelcarlos@outlook.com

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Carlos Gurgel

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