Viagem à Cidade-Luz

7 de março de 2010 às 10:22 - Comentar
Por João da Mata

V- Diário de Bordo de um Viajante Contumaz

O dia acordava e saíamos em direção à cidade de Fortaleza/CE. No carro um turbilhão de conversas e lembranças. Metade de Natal foi lembrada. Também pudera, a tripulação era formada por Homero, Abimael, Dom Inácio e DaMata. O caminho era o dos livros na VIII Bienal de Fortaleza

Cidade leste/oeste e Lusitana. Cidade Luz. A influencia religiosa é grande e se reflete até no nome das ruas. A avenida monsenhor Tabosa é uma das suas principais artérias. A praia de Iracema onde ficamos hospedados é boa para passear e tomar umas e outras. A Iracema da praia é insinuante e faz gestos ondulantes. A cerveja quando possível é Brahma para agradar ao amigo Abimael. Até mesmo o Dom Inácio e Homero tomaram um copo. A conversa é animada e o mote é a literatura, a música e o cinema. O centro cultural Dragão do Mar é lindo e por trás fica a biblioteca pública Governador Menezes Pimentel e seus muitos tesouros raros. Saudação ao professor Amorim Sobreira e o legado precioso que deixou para a biblioteca. E pensar na penúria que é a biblioteca pública de Natal. Dá um aperto no peito e vontade de chorar.

Quase sempre estamos lembrando do Ednardo e Belchior. Eles cantaram como ninguém essa bela cidade nossa irmã. De Ednardo é o belo poema ao Ceará:

Eu venho das dunas brancas
Onde eu queria ficar
Deitando os olhos cansados
Por onde a vida alcançar

Meu céu é pleno de paz
Sem chaminés ou fumaça
No peito enganos mil
Na Terra é pleno abril

Eu tenho a mão que aperreia, eu tenho o sol e areia
Eu sou da América, sul da América, South America
Eu sou a nata do lixo, eu sou o luxo da aldeia, eu sou do Ceará

Aldeia, Aldeota, estou batendo na porta prá lhe aperriá
Prá lhe aperriá, prá lhe aperriá
Eu sou a nata do lixo, eu sou o luxo da aldeia, eu sou do Ceará
A Praia do Futuro, o farol velho e o novo são os olhos do mar
São os olhos do mar, são os olhos do mar
O velho que apagado, o novo que espantado, vento a vida espalhou
Luzindo na madrugada, braços, corpos suados, na praia falando amor.

Cidade de Farias Brito e Gustavo Barroso. De Edgar de Alencar, Rachel de Queiroz e tantos outros escritores queridos. Abimael lembra do bom poeta Francisco Carvalho. Olhando da varanda do hotel parece que estamos lendo:
“ O céu infinito e o infinito mar / a música das dunas / o perfil dos navios varando a tarde que recende/ a flores desbotadas / a espuma das ondas odoríferas como o vinho dos deuses / a solidão crescendo/ a noite veloz arrastando a túnica em chamas / sobre as escadarias do mar/…”

No domingo vamos à praia do Cumbuco. Bela praia para passear, andar a cavalo, de barco e outros meios de transportes motorizados ou não. Hora também de pegar um caranguejo. Não falta mais nada para o amigo Abimael. O bispo recebe uma pata de caranguejo. Só mesmo um grande amigo para receber tamanha oferenda. Muitos vendedores. Um poeta popular passa oferecendo o seu último rebento cordelizado. Já escreveu mais de trinta livros e é analfabeto. Outro faz uma graça. Afinal estamos na terra de grandes humoristas e rir é o melhor negocio. Depois de almoçados voltamos à bienal

A Bienal

A bienal agradou a todos. Muita gente e muitos setores vendendo livros de toda espécie. O carro vai pesado com tantos saber. No estande do senado compro a História da Literatura do Carpeaux. O Inácio me indica uma bela edição das obras completas do Bocage da Lello. No estande da Biblioteca Nacional compramos as Revistas Poesia Sempre e as do Livro. Fico chateado depois de separar alguns e saber que não estão à venda.

Imagina, entre esses livros tinha uma bela edição do Quixote ilustrado para crianças. Só faltei ter um ataque por não poder trazer esse livro. Não adiantou dizer que era um estudioso e colecionador do Quixote. Inácio é um especialista em Cangaço e compra mais alguns livros que estão sendo lançados sobre o tema. E mais, muitos mais. Alisamos todos, mas estamos felizes e muito cansados de tanto andar por um mar de livros. Compro ainda vários livros sobre o Quixote nos estandes internacionais. Livros em promoções. Livros para todos os gostos. Homero está cansado de tanto carregar livros sobre literatura e política. Compramos um belo livro sobre Ramalho Ortigão. Livros sobre a História da Aviação e do Cinema no Ceará. Sobre o Padre Cícero. O medievo Beowfulf e muito mais. Compro ainda uma bela edição facsimilar do Vicente Huidobro. A bienal é mesmo maravilhosa. Encontramos Carlança e sua companheira, belos amigos. É hora de voltar. Estamos todos felizes com essa belíssima viagem entre amigos e por causa do livro, nossos eternos amiguinhos. E haja conversa. Vocês não sentiram as orelhas quentes?

Um grande abraço para Homero, Abimael e Dom Inácio. Belas companhias e amigos eternos.

Até a próxima,

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AGENDA

  • Pinacoteca está com Edital aberto para ocupação das Salas de Exposições

    Artistas plásticos e visuais ainda podem se inscrever no Edital de Ocupação das Salas de Exposição da Pinacoteca Potiguar para todo o ano de 2012.

    mais informações »

  • Rede Cinemark exibe direto de Londres a temporada 2012 de óperas e balés do The Royal Opera House

    Espetáculos serão transmitidos em mais de 30 complexos espalhados pelo Brasil, sendo dois ao vivo. Natal-RN participa da programação e os ingressos já estão à venda

    A Rede Cinemark traz para o Brasil, com exclusividade, a temporada 2012 de óperas e balés do The Royal Opera House (ROH), de Londres, a partir do dia 25 de fevereiro.

    mais informações »

  • Museu de Arte Moderna do Rio abre mostra cancelada de Nan Goldin

    NAN GOLDIN
    QUANDO abre hoje, às 19h; de ter. a sex., das 12h às 18h; sáb. e dom., das 12h às 19h; até 8/4
    ONDE MAM-Rio (av. Infante Dom Henrique, 85, Rio; tel. 0/xx/21/2240-4944)
    QUANTO R$ 8
    CLASSIFICAÇÃO 18 anos

    aqui

  • OUTROS EVENTOS

POESIA

    Aconchego
    11-02-2012 às 14:37 - Comentar

    Por Suely Nobre Felipe

    Quando partires do meu tempo,
    Leva-me entrelaçada em teus braços,
    Dividas comigo o teu novo regaço,
    Deixe-me provar da leveza do teu céu,
    Onde ali, repousada entre nuvens,
    Desfiarei nossos melhores sonhos.
    E, por entre os fios dos nossos cabelos
    – Já não tão negros como a noite,
    Confundiremos deliciosos segredos.
    Pois, não tardará o tempo
    Em que haveremos de desfiar
    Capuchos de solidão.

    ACONCHEGO

    Suely Nobre Felipe

    __________

    Quando partires do meu tempo,

    Leva-me entrelaçada em teus braços,

    Dividas comigo o teu novo regaço,

    Deixe-me provar da leveza do teu céu,

    Onde ali, repousada entre nuvens,

    Desfiarei nossos melhores sonhos.

    E, por entre os fios dos nossos cabelos

    – Já não tão negros como a noite,

    Confundiremos deliciosos segredos.

    Pois, não tardará o tempo

    Em que haveremos de desfiar

    Capuchos de solidão

    COMENTÁRIOS

    • Anchieta Rolim: "Tá legal, eu aceito o argumento." Valeu Marcos. - À sombra da ditadura
    • chico m guedes: penso que quem acha que os valores em relação à vida introduzidos pelo cristianismo na civilização ocidental são só uma questão de crença pessoal, ou ignora brutalmente a história, ou, o que é pior, se auto-ignora enquanto fruto dessa civilização. sugiro um passeio imaginário ao coliseu romano num dia de espetáculo pagão. (em joguinho cyber ou seriado de tv não vale). claro que a sociedade ocidental moderna já abriu espaço para tornar o aborto uma questão de "foro íntimo das mulheres" (a mesma sociedade que vai em marcha batida pra nos transformar em mero 'produto', aliás). apois, apesar de toda essa mudernage, desconfio que entre nós filhos do cristianismo, pelo menos por mais um milênio, matar um feto (não venham com eufemismos que é disso que se trata) ainda será sentido e vivido como uma mancha moral (o que é o 'pecado', afinal?). mesmo que ele venha a ser descriminalizado. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Fernando: Yuno, seu comentário rebaixando o cristianismo revela um preconceito fortíssimo. Nestes termos, é impossível realizar um 'debate amadurecido" que você diz querer. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: Eu tacito, celina ,Abimael Noite de banda aluanda. Ribeira bordas navarro Quase carnaval amigos Maésia , Paulo, outros. Não naõ não lembro nome seca Elói. E tu andas estava. - Cena Aberta e transparente
    • José de Paiva: Seja bem vinda Glória Braga Horta ao SP e obrigado por ler o meu texto. Obrigado também pela generosidade dos amigos de sempre. Clarissa Torres, gosto muito das obras de Schiele, elas me inspiram. - Rita louca
    • Marcos Silva: Gosto muito daquela canção de Paulinho da Viola que diz: "Faça como o velho marinheiro que durante o nevoeiro leva o barco devagar". - À sombra da ditadura
    • gustavo de castro: E quem disse que os valores cristãos é que devem predominar? Foi Cristo ou os cristãos? - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Anchieta Rolim: Oreny, bela poesia! - Vento nordeste
    • Anchieta Rolim: Concordo marcos, inclusive quando João Carlos voltou da guerrilha continuou sua luta junto a artistas como Gonzaguinha, Paulinho da Viola e vários outros... Fazia parte do grupo o ex-jogador Afonsinho (aquele que lutou pela lei do passe livre para os jogadores de futebol), e também o cantor e compositor Potiguar Mirabô Dantas. - À sombra da ditadura
    • Marcos Silva: Certamente, existem ONGs sérias. Infelizmente, a desqualificação geral tende a se tornar corriqueira. Lembro que ela aparece com todas as letras no filme Tropa de elite (I). - Brado retumbante