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A vida das cores

A cor é um dos mais belos presentes que Deus nos oferece. O cérebro é o encarregado de dar vida às cores, interpretando o que o olho vê. Ele identifica e transmite a sensação humana. O matiz da percepção é individual, subjetivo, por ser fenômeno fisiológico.

A cor é dependente da luz e causadora de emoções que podem ser agradáveis. Ela permite toda a escala de sensações, como: entusiasmo, conforto e alegria. Podemos observar a suavidade do azul que acalma e tranquiliza, a força do vermelho, a macia sedução do marrom, o misticismo do roxo, a luminosidade do amarelo, a pacificação do cinza com outras cores, no verde o encanto da natureza, a elegância e neutralidade do preto e do branco. A receptividade deste e a vocação de exclusividade do outro, a beleza do conjunto de cores do arco-íris.

As cores próximas convergem ou se opõem. O “Vermelho e o negro”, de Stendhal indica controvérsia. O símbolo do Flamengo é conciliação. A Diana não toma partido no Pastoril, em que são opositores o azul e o encarnado. Lavar as mãos sujas de sangue do personagem Shakespeariano (Macbeth) faria tingir de vermelho o azul dos mares. No vestir, as cores têm função importante. As mulheres “emagrecem” com o preto, “engordam” com o branco e com as listas horizontais e “crescem” com as listas verticais.

Nas artes visuais, a cor eterniza os gênios, do claro-escuro de Leonardo da Vinci ao surrealismo dourado de Salvador Dalí. Ela nasce do domínio técnico como os de Giotto e Michelangelo.

O nosso Rio Grande teve excelentes artistas plásticos. Newton Navarro preferia a economia cromática pela paixão ao desenho. Entretanto, pensava diferente em relação ao vestir, afirmando: “As roupas escuras cobriram os meus pecados mortais, roupas brancas, nunca mais”. Dorian Gray, amante do azul, multiplicava marinas.

Nasceram as cores para o cinema, em 1936, com o tecnicolor. O mestre Valério Andrade explicou-me que os cineastas buscaram e utilizaram a luz estudando a pintura clássica.

A multiplicidade das cores e o seu uso estético têm sido objeto, tema e interpretação poética. Dessa forma, é a visão do poeta Fernando Cunha Lima: “A vida é um jardim, uma paleta”.

Na arquitetura, a cor e a luz natural são elementos essenciais, tanto na estética quanto na ambientação. É o reconhecimento científico do poder e da influência do colorido. Os tons, muitas vezes, conduzem sofisticação e sutileza agradáveis.

A cor influencia na alimentação, abrindo ou excluindo o apetite. O vermelho, amarelo-alaranjado favorecem. Quem comeria um alimento azul?

O auriverde pendão da nossa terra foi comparado com a preferência da culinária nacional. Cito Luiz Bacellar: “Na laranja e na couve picada, as cores brasileiras da feijoada”.

É preciso colorir a nossa vida, criando boas emoções. A primeira riqueza do País foi por causa da cor: o pau-brasil. O poeta maior, Luís de Camões, descobriu que o vermelho é a cor contente. Uma vida cor de rosa é feliz. Rosa é o vermelho domado pelo branco. As cores quentes energizam-nos, as frias acalmam-nos.

As cores são grandes sedutoras dos nossos olhos. Vamos colorir a nossa vida, escolhendo as ações que sejam socialmente úteis e que nos tragam a alegria de espírito!

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Diógenes da Cunha Lima

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