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Você sabe o que é “neurose da bondade”?

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“Neurose da bondade”. Ainda não tinha ouvido falar nisso. Consultei rapidamente o Google, que não faz referência direta a esse tipo de neurose. Pelo menos nesses termos. Presumo que seja diluição de um conceito mais amplo e complexo.

Tomei conhecimento sábado, lendo a sinopse de um filme em DVD na 7ª Arte, no camelódromo do centro. Referia-se à personagem do filme (não lembro o nome agora), que não sabia dizer não e, em razão disso, era explorada por todos.

Esse tipo de neurose pode não existir com esse nome, tecnicamente falando, mas ele é real e acomete muita gente. Eu mesmo tenho dificuldade de dizer não. Mas não sei se posso ser incluído no rol dos “neuróticos da bondade”.

Minha irmã, Tânia, com certeza. Foi logo em quem pensei quando li a definição. Ela tinha um “chama” para atrair pessoas exploradoras e malandras.

Se ela estivesse em uma parada de ônibus, com mais cem pessoas, ou em um show ou evento público qualquer com 10 mil, se aparecesse um pedinte ia direto para ela. Um negócio impressionante.

Conhecidos, amigos (da onça!), gente de bem e piedosa, algumas até engajadas em projetos sociais e filantrópicos, tinham nela um manancial de boa fé e ingenuidade a ser saqueado. Golpistas farejavam ela a quilômetros.

Dinheiro, roupas e livros emprestados e nunca devolvidos, caronas furadas, pedido de favores abusivos, penetras nas refeições, bilhetes de rifas e bingos de araque, contas de bares e restaurantes sem rateio… A lista de abusos é imensa.

A pobre era tão explorada por crentes e descrentes que acabou fazendo análise para tentar se livrar das sanguessugas. Deu resultado. Passou de bobinha a durona.

Agora, pra conseguir alguma coisa com ela tem de gastar muito o verbo e o sapato. A família Costa sentiu a mudança da querida Tânia, sempre generosa com um ou outro. Na brincadeira, eu digo que ela ficou egoísta após a terapia e mãe fala: “Taninha deixou de ser besta”.

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Tácito Costa

Comentários

3 comments

  1. Cíntia Gushi 26 fevereiro, 2017 at 13:53

    A realidade é essa. É a difícil arte de conviver com pessoas espaçosas que não tem limites. Belo texto!

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