A Banda Independente da Ribeira e a difícil missão de atuar com cultura em Natal

Anderson Foca
Colunistas

Nesses dias me vi num debate que precisa de muita ponderação para não pender para nenhum lado, até porque na cultura não tem esse ou aquele lado mais fraco, estão todos no mesmo barco (e não muito bem das pernas hoje e sempre). Veio a público uma reclamação de um dos maestros da Banda Independente da Ribeira, de que alguns vencimentos do desfile da agremiação em 2016 ainda não tinham sido sanados pela organização da atividade. Reclamação justa diga-se de passagem.

Ao mesmo tempo em que isso acontecia fui chamado por Haroldo Maranhão (fundador e idealizador da banda) para discutir exatamente o futuro da Banda Independente da Ribeira. Pra quem não sabe do que se trata aí vai um pequeno resumo: A BIR é uma das mais conceituadas agremiações do carnaval de Natal, orquestra de qualidade, com 19 anos de existência e persistência, totalmente independente de prefeituras e governos, que desfila sempre na sexta pré-carnavalesca. Praticamente o ponta pé inicial das comemorações momescas no município. Um currículo e tanto.

Haroldo Maranhão, figura importante da arquitetura e pensamento cultural, principalmente do Centro Histórico da cidade, esteve por todos esses anos tocando a administração da Banda da Ribeira e não foi a primeira vez que teve que assumir prejuízos do desfile que depende exclusivamente de patrocínios privados e venda de camisetas do bloco para acontecer. Esse ano o baque foi maior e os passivos aumentaram a ponto de gerar esse quiprocó todo.

Claro que existe um problema, já sabemos disso. A banda não se paga, mas sem a banda muitos músicos também ficam sem ter como tocar, sem se formar dentro de uma orquestra popular de carnaval (duvido que tenha incubadora melhor que a Banda da Ribeira para isso acontecer) e com a festa crescendo na cidade, ficar sem a Banda Independente da Ribeira é vinte passos atrás na popularização e participação popular no carnaval daqui.

Quantas atividades culturais já vimos acabar assim? Até quando a desvalorização das atividades culturais REAIS DO MUNICÍPIO serão tratadas com desprezo? Na semana em que o maior jornal da cidade coloca como destaque a tal da “Cidade Criativa”, não deixa de ser um antagonismo gigante. A Banda Independente da Ribeira não vai acabar, os músicos já estão sendo contactados para resolver o problema, uma nova gestão para banda formada por outros pensadores culturais da cidade está em ação para reverter esse quadro.

Fica a lição: quando uma atividade cultura morre, toda a cadeia produtiva da cultura morre um pouquinho mais junto. Artistas, produtores, fornecedores precisam estar do mesmo lado, porque para remar contra a maré só vamos dar conta com todos nós juntos (e misturados).

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Anderson Foca

Comentários

1 comment

  1. Francisco Bethoven Michielon Silva 31 agosto, 2016 at 14:33

    Até agora nenhum músico foi contactado pra resolver esse problema, quanto ao pagamento, temos comprovação que Haroldo Maranhão recebeu do SESC através de uma empresa que não vou citar o nome, o valor de 25 mil reais, no dia 18 de dezembro de 2015, na descrição da nota fiscal diz que o valor de 25 mil reais e referente ao cachê da apresentação musical Banda Independente da Ribeira, então esse dinheiro é dos musicos. Logo após o evento ser concluído, alguns musicos, inclusive eu procuraramos o Haroldo e ele nunca apresentou uma planilha de como gastou essa grana do SESC nem a grana de São Miguel do Gostoso que não sabemos quanto foi se de fato ele recebeu. Fechamos esse negócio por um cache baixíssimo a pedido do próprio Haroldo pra não deixar a banda cair. Mais usar o nosso dinheiro do cache dos músicos pra outras finalidqfes. não acho honesto. Tem mais podres que não vou citar aqui porque vai feder ainda mais. Então Foca, vc que tem interesse em administrar a BIR tenha ciência que tem muito mais coisas envolvidas.

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