Que cerveja é essa? Floris Kriek Cherry

Breno Machado
Colunistas

floris-kriek-copy-4Cerveja saborizada? Cerveja com gosto de cereja? Cerveja de sobremesa? Isso lá é cerveja?

Como estamos ficando mais íntimos, confrade, estou tomando a liberdade de entrar na seara dos rótulos um pouco mais… polêmicos, por assim dizer.

E se você acha que a diversidade das cervejas encontradas no mercado está passando um pouco dos limites no quesito novidades a ponto de produzir cervejas de fruta, só tenho uma coisa a lhe dizer:

Elas não são novidade nenhuma. Muito pelo contrário.

Belgas selvagens

As cervejas frutadas são uma variação do que pode ser considerado o mais antigo estilo de cerveja até hoje produzido: a belga Lambic.

Segundo a lenda, deriva do nome “Lembeek”, uma pequena cidade localizada no distrito de Pajottenland, que fica a oeste de Bruxelas, e berço dessa cerveja.

Sua característica mais notável é que, ao contrário dos estilos modernos que prezam pelo controle dos processos de produção, sobretudo a fermentação, as Lambic sofrem a chamada fermentação espontânea, que consiste simplesmente em produzir as cervejas e as deixarem expostas à ação de bactérias e leveduras encontradas no ambiente ao redor do barril. Com a tampa aberta, mesmo.

Pode parecer loucura, mas pelo menos em Pajottenland, o efeito surtido no resultado final tornava a receita maravilhosa.

Lei do quê?

Embora a Alemanha carregue consigo o título de país mais comprometido com a definição do que é cerveja, a ponto de redigir a Lei de Pureza de 1516, a Reinheitsgebot, a Bélgica sempre foi famosa por correr em paralelo às convenções alemãs – até mesmo porque ela possui um know-how próprio e independente da Escola Alemã.

De acordo com muitos estudiosos, esse é um ponto positivíssimo, já que não engessou as suas cervejas ao que consideram uma amarra criativa do quarteto água – malte – levedura – lúpulo, além de manterem a autenticidade ao que era produzido desde então.

floris-kriek-cherry_2Um exemplo disso é a Floris Kriek, uma cerveja que utiliza em sua receita trigo não-maltado e a adição de cerejas Morello ao barril, que antes mesmo do advento do lúpulo funcionava como bactericida às receitas.

E mesmo sendo o terror dos puritanos, vem ganhando cada vez mais adeptos de mente aberta, dispostos a acreditar que não existe cerveja; e, sim, cervejas.

A cor e aroma da Floris Kriek são bastante características: um vermelho turvo, com a mais que presente cereja no olfato e palato.

Doce, cítrica e equilibrada, o que a torna extremamente refrescante.

Notas

Confrade, antes de você tentar insinuar que cervejas de fruta são “para meninas”, eu asseguro que são justamente essas receitas que lhe dão mais liberdade para criar harmonizações de pratos inacreditáveis.

Ela pode ser até mesmo a própria sobremesa!

Eu as recomendo demais àqueles que ainda não se habituaram ao amargor de muitas artesanais, mas que querem ver até onde pode ir o espectro de cores, aromas e sabores que o universo cervejeiro pode nos proporcionar.

Ein prosit!

Já conhece a Floris Kriek? Ficou com vontade de conhecer, ou provou depois de ler nossa coluna? Tem dicas de lugares para encontrá-la, ou de alguma harmonização interessante? Não deixe de postar seu comentário neste nosso espaço de divulgação da cultura cervejeira.

E então, Que cerveja é essa?

floris-kriek-copy3Nome: Floris Kriek Cherry

Cervejaria: Huyghe Brouwerij

País de origem: Bélgica

Estilo: Fruit Beer

Álcool: 3,6% ABV

Harmonização: Cheesecake, ceviche, chocolate.

Temperatura ideal: 5 – 7 °C

Copo: Flauta

Média de preço: R$ 25-30 (Garrafa de 250 ml)

Onde encontrar: em lojas de cervejas especiais, pubs, delicatessens e supermercados.

Gostou dela? Recomendo Mystic Krieken, Delirium Red e Bacchus Frambozenbier

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Breno Machado

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