Crônicas e Artigos

MINICONTO: Um bom domingo

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Por Luiz Francisco Haiml (Taquara/RS)

O sol se divide entre os Cristos crucificados. Um, espichado num longo vitral, outro, numa enorme cruz, assustam o pequeno Claudio ao pé da mãe, concentrada na benção do Pastor.

Presentes os poucos de sempre. Alegra-se o Pastor ao ver que todos deixam os estóicos bancos para buscar a Sagrada Comunhão. Adultos, crianças (também são permitidas hoje na celebração), velhos. É uma pequena porção, mas de muita fé.

O Pastor, sujeito miúdo de olhar bondoso, mas rigoroso, cabelos bem aparados, grisalhos apesar do seu rosto de moço, termina a benção. Um pequeno semicírculo fechou-se ao redor dele. Atrás o altar, onde um dos Cristos sofre. O vinho é distribuído, a hóstia.

Seu Pedro, bancário aposentado, participante ativo da Diretoria da Comunidade, é o primeiro a receber o corpo e o sangue do Salvador. Será o primeiro a tombar. Dona Almira, nonagenária solteirona, culpa a cálida dormência que a possui ao excesso de doces da festa de aniversário do Lar. Os dois Cristos voltam seus rostos para Claudio e sorriem. E o semicírculo vai se desfazendo, os membros caindo juntos pelo largo tapete-vermelho-escuro.

Mal desfalece o último e de sob a batina do Pastor surge um cutelo.

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* Conto classificado em 1º lugar no Concurso de Minicontos promovido pelo Grupo Casarão de Poesia

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