Crônicas e Artigos

O referencial Juvenal Lamartine

Gino Romizi, Consul da Itália em Recife, Brasil; Arturo Ferrarini, piloto italiano; Governador Juvenal Lamartine;  Carlos del Prete, pioloto; Berta Lutz, cientista-ativista defensora do voto feminino no Brasil. Natal, 1927. Fone: Livro "os Cavaleiros do Céu". http://www.thaisagalvao.com.br/arearestrita/arquivos/zzvoo2(1).jpg&imgrefurl=http://www.thaisagalvao.com.br/tg/visualizar/64/blog&usg=__6EMX2s4zIRqh6FF_vVn42YsmWrk=&h=310&w=454&sz=27&hl=pt-BR&start=3&um=1&itbs=1&tbnid=kQIBici40FeJZM:&tbnh=87&tbnw=128&prev=/images%3Fq%3Drua%2Bjuvenal%2Blamartine,%2Bmossor%25C3%25B3%26um%3D1%26hl%3Dpt-BR%26gl%3Dbr%26ndsp%3D20%26tbs%3Disch:1

A vida política tem, não raro, nos dado momentos de angústia pela aparente falta de qualificação de muitas autoridades, seja pelos casos de corrupção, seja por iniciativas tolas em busca de um sucesso instantâneo… Faltam à alguns a boa fibra do sertanejo, construída a partir do entrelaçamento de valores que perpassam o trabalho, as letras e a fé. Faltam, ao mundo de hoje, referências como Juvenal Lamartine de Faria, um sertanejo, intelectual, com vocação para a política.

juvenallamartinedefaria

No dia 9 de agosto de 1874, na Fazenda Rolinha, Município de Serra Negra do Norte-RN, nasceu Juvenal, filho do casal Clementino Monteiro de Faria e Paulina Umbelina Monteiro de Faria. Os seus irmãos foram: Clementino, Lafayette, Nelson, Epitácio, Maria, Jovelina, Paulina e Ambrosina. Aprendeu as primeiras letras na própria Fazenda Rolinha, com seu pai e um mestre-escola. Em seguida, em Caicó, por volta de 1890, estudou francês e latim com o professor Manoel Augusto Bezerra de Araújo. Passou rapidamente por Natal, João Pessoa e em Recife concluiu o curso de Direito.

De volta ao Rio Grande do Norte, Juvenal Lamartine, depois de uma experiência profissional como vice-diretor da Escola Ateneu e de redator do Jornal A República, foi nomeado o primeiro Juiz de Direito da Comarca de Acari. Por lá ele contraiu núpcias com Silvina Bezerra de Araújo Galvão, filha do Coronel Silvino Bezerra e de Maria Febrônia. Do casal Juvenal e Silvina advém numerosa prole: Olavo, Clóvis, Octávio, Silvino, Oswaldo, Olga, Maria de Lurdes, Juraci, Paulina e Elza. O filho, Octávio, foi assassinado por policiais militares vinculados ao Interventor Mário Câmara. Sobre a morte do filho, Juvenal Lamartine escreveu: “nunca pensei em poder resistir a tão profundo e cruel golpe, pois o meu filho era um dos valores novos do Rio Grande do Norte e o único crime que tinha era o de acompanhar, na política, o seu primo, José Augusto Bezerra Medeiros.”

A carreira política, propriamente dita, começou ainda jovem, em 1903, sendo Vice-Governador ao lado de Augusto Tavares de Lira. Em 1906 foi eleito Deputado Federal exercendo mandatos sucessivos na Câmara dos Deputados durante vinte anos. Em 1927 foi eleito Senador da República e em 1929 chegou ao Governo do Estado como Governador. Em toda a caminhada, livros lidos, anotações feitas, intelectuais visitados, ou seja, não perdeu a atenção pela própria qualificação, todavia, não se afastou dos temas que o aproximavam do povo, especialmente, do sertão, seus valores e desafios.

Do seu Governo, interrompido pela Ditadura Vargas, muitas realizações ainda são registradas pelos pesquisadores e em matérias na imprensa: 416 quilômetros de estradas; melhoria genética do rebanho bovino; incentivos à produção de algodão; criação de 49 escolas; expansão do crédito agrícola; exploração dos vales úmidos; reforma administrativa com o foco na desburocratização e na modernidade da época; construção da nova sede da Polícia Militar, do Estádio Juvenal Lamartine, o Aero Clube e a Escola de Pilotagem, a primeira de aviação civil no Brasil. Foi, também, sob sua liderança e de José Augusto a defesa e implantação do voto feminino. Enfim, foi um Governo além de seu tempo, dado os projetos e realizações que demonstraram um gestor firme na condução dos negócios do Estado, atento aos interesses da coletividade e visionário eficaz, no instante em que planejou o Rio Grande do Norte para os anos seguintes.

Ao sair da política voltou-se ainda mais para as letras, tornando-se acadêmico e imortal do Rio Grande do Norte, sendo fundador e, posteriormente, presidente da Academia por alguns anos. Faleceu em Natal no dia 18 de abril de 1956 cercado pela família e recebendo a atenção dos que o estimavam.

Da convivência política e do parentesco, um dos mais próximos de sua trajetória foi José Augusto Bezerra de Medeiros que, em homenagem póstuma, arrematou: “Nunca transigiu, no ponto de vista moral, com coisa nenhuma, em toda a sua vida política. A sua linha era uma só, um caminho só, um objetivo só: servir ao Rio Grande do Norte e ao progresso do nosso Estado. Nunca se afastou disso – dou o testemunho de companheiro que esteve sempre ao seu lado.”

Bem oportuno que outros mais, em todos os recantos, se sintam motivados a servir ao interesse coletivo, com preparo e espírito público.

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Fernando Antonio Bezerra

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