Eleição de 2016 distribui cartas e trunfos para a de 2018 no RN

Tácito Costa
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Recebo por e-mail um release da Assessoria de Imprensa do PSD, informando que “o partido elegeu 50 candidatos a prefeito e é a 1ª força política do estado”.

E eu pensei que um dos principais derrotados nesta eleição havia sido o partido, leia-se governador Robinson Faria, presidente da legenda.

Engana-se quem quer e eu desconheço governo estadual no Rio Grande do Norte que no poder não seja sempre uma potência. Mas basta o governador de plantão descer as escadas do Gabinete para se ter a dimensão exata desse poder.

Ausente dos palanques em Natal e Mossoró, para ficar só nas duas maiores cidades do estado, o governador enfrenta uma crise sem precedentes, patina na mediocridade, e terá dificuldades enormes para se reeleger.

Dificilmente contará em 2018 com o PT e um opositor com tanta rejeição como Henrique Alves, fatores determinantes de sua eleição. Além disso, terá pelo menos dois nomes, que por caminhos políticos diferentes, se credenciaram como possíveis e fortes candidaturas ao governo, Carlos Eduardo Alves, e Fátima Bezerra.

Restará a Robinson o interior do estado, onde construiu sua carreira política. Natal, sempre decisiva, ajudou-o a derrotar Henrique em 2014 por pura falta de opção. Mas duvido que em 2018 ele chegue nem perto de repetir o feito que levou-o ao governo.

As eleições deste ano, portanto, com resultados previsíveis na maioria dos municípios, sobretudo em Natal, diz mais sobre 2018 do que sobre 2016. Mas, se vejo Robinson como o maior perdedor (ou um dos maiores), considero o prefeito Carlos Eduardo como o grande vencedor – por extensão, PMDB, leia-se família Alves, e DEM, Agripino.

O PT perdeu votos na eleição de Natal (menos votos que o marmotento do Kelps), mas mantém praticamente a mesma posição dos últimos anos nas casas legislativas, com pequenas variações, uma ou duas vagas na AL-RN, uma no Congresso Nacional, e dois a três vereadores na Câmara.

Situação bem melhor do que a apresentada pelo partido no restante do país. Sobre o resultado das eleições para a esquerda no país destaco esses dois textos:

http://jornalggn.com.br/noticia/os-escombros-do-pt-por-aldo-fornazieri
http://valterpomar.blogspot.com.br/2016/10/sobre-os-epitafios.html?m=1

Claro que ainda é cedo para análises políticas mais precisas, muita coisa pode acontecer no meio do caminho, no entanto é inegável que 2016 já distribuiu cartas e trunfos aos principais jogadores às eleições que ocorrerão daqui a dois anos.

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Tácito Costa

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