10 perguntas para o escritor Daladier Cunha Lima

Colunistas

1- Daladier, fale-nos um pouco do seu mais recente livro, “Retratos da Vida”, publicado pela Editora Jovens Escribas, do que ele trata?
“Retratos da Vida” é um livro com 86 crônicas – publicadas no jornal Tribuna do Norte –, selecionadas pelo professor João Maria de Lima, que também escreveu o Prefácio. Sabe-se que a crônica, muitas vezes, é uma foto de um instante ou de algo que ocorre/ocorreu na vida de uma pessoa, daí o título do livro. No caso, são instantes das minhas vivências, as quais retratei em texto escrito. Com cerca de 400 textos já publicados – crônicas e artigos –, pretendo reunir parte desse acervo em outros livros do mesmo gênero.

2- Fale-nos um pouco da sua juventude. Por exemplo, como era a Natal do seu tempo de menino?  E as lembranças de Nova Cruz, ainda permanecem?
Fui menino do interior, nasci e me criei em Nova Cruz-RN. Na época, as crianças tinham mais liberdade para os brinquedos de rua: peladas de futebol, lançar ao vento as pipas ou papagaios, puxar carrinhos rústicos, guardar notas de papel de cigarro como se fossem dinheiro, usar castanhas de caju para vários jogos, além de muitas outras diversões. Mas também haviam as obrigações de estudar, de fazer os deveres da escola e de ajudar na loja de tecidos do meu pai. Ele gostava de dizer que a idade para um filho ajudar na loja era quando, ao abrir os braços, de uma à outra mão medisse um metro. Além dos livros da escola, vez por outra dedicava-me à leitura de alguma revista infantil, almanaques ou mesmo pequenos livros. Sempre gostei de ler, porém, nesse particular, o campeão daquela geração de meninos era o irmão Diogenes. Assim, posso dizer que minha infância ocorreu dentro dos limites dessas três áreas: estudo, trabalho e lazer. Afinal, essa trilogia, até hoje, compõe o meu perfil humano.

3- Você, além de ser professor e reitor, é médico há cinquenta anos. De que maneira a sua profissão surge em sua literatura?
Digo sempre que deixei a medicina, mas a medicina nunca me deixou. Gosto de ler textos sobre a prática médica, ou livros não científicos cujos autores são médicos. Da mesma forma, vez por outra sou instigado a escrever a respeito de assuntos médicos que sejam de interesse geral e que possam ser úteis aos meus leitores. Escolhi o dia 10 de dezembro de 2015 para lançar o livro “Retratos da Vida”, data em que completei 50 anos de formado em medicina. Tive a ventura de reunir muitos amigos, inclusive boa parte da turma concluinte do curso médico de 1965, da UFRN. Para mim, foi uma noite memorável, de reencontro, de alegria e de emoção.

4- Além da literatura, que outra arte desperta seu interesse?
De um modo geral, todo tipo de arte me fascina, seja a popular ou a chamada erudita. Não tenho dom para ser um artista seja da música, da poesia, das artes plásticas, por exemplo, mas tenho a graça de poder apreciar essa superior qualidade do espírito humano. Na música, posso citar três artistas por quem nutro especial admiração: Luis Gonzaga, Frank Sinatra e Amadeus Mozart.

5- Que leitura é imprescindível no seu dia-a-dia?
Leio tudo que me chega ao alcance dos olhos. No meu cotidiano, sou muito ligado à leitura de jornais, de preferência no formato de papel. Não somente os da terra, mas também os grandes jornais do país. Sou assinante da Folha de S. Paulo desde 1990. No meio da leitura de jornais e revistas, os livros têm um lugar de destaque. Tenho uma biblioteca de 3.300 exemplares, todas as obras catalogadas e de fácil acesso. Já estou pensando como vou destinar esse acervo.

6- Uma obra inesquecível?
São tantas que se torna difícil de escolher uma. Para ficar mais fácil, vou para a poesia, e cito Folhas de Relva, de Walt Whitman.

7- Um lugar memorável?
A cidade de Salzburgo, na Áustria, terra natal de Mozart, e a fazenda Riacho, do meu avô materno, em São José de Campestre, onde a família se reunia, no meu tempo de menino, para as festas de São João.

8- Qual escritor, do passado ou do presente, você gostaria de convidar para um café?
Meu amigo Veríssimo de Melo (1921-1996), a fim de haurir de sua cultura e da sua simplicidade, e também para dar boas risadas; e Philip Roth (1933-   ), no intuito de tentar convencê-lo a retornar à escrita.

9- Se pudesse recomendar um livro aos leitores, qual seria?
É difícil de escolher, mas arrisco duas sugestões: Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, e Moby Dick, de Herman Melville.

10- Quem é o escritor Daladier Pessoa Cunha Lima?
Ser escritor, nunca foi prioridade para mim. Desde criança, meu sonho era ser médico e, portanto, ser útil na luta contra a dor e o sofrimento humanos. Porém, sempre me voltei para a leitura e para a escrita esporádica. Participei de jornais nos colégio e na Faculdade de Medicina. Não foi surpresa para mim quando, no vestibular, consegui a melhor nota de redação, e, depois, fui o orador da minha turma. Orientado pelo culto Professor Rodrigues Alves, no Atheneu, li boa parte da obra de Machado de Assis, além de livros de outros autores. Somente na maturidade, porém, a literatura passou a ser uma das prioridades da minha vida. Hoje, ler e escrever se integram ao meu dia a dia; mesmo diletante, sou um aficcionado dessas duas artes. Para escrever melhor, precisa-se ler muito e se dedicar à escrita. A prática frequente potencializa a propensão já existente, e surge um estilo próprio, pois, como disse Truman Capote, “seu estilo é você”. A personalidade de um autor revela-se na sua produção escrita.

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