O último comercial da Sukita

Daniel Liberalino
Colunistas

Sempre imaginei um último comercial da Sukita, em que o Tio da Sukita voltaria para o apartamento solitário após o fora, a festinha ainda truando no apê de cima. Ideias viciosas acossam-no o restante da noite.

Finda a festa, espera a Ninfeta Sukita sair; ela vem com um amigo, o tipo coxinha fitness, filho de alguma celebridade, ambos bêbados, talvez cheirados, se atracando contra a parede. O tio retira da parede o extintor de incêndio e hesita; termina por devolvê-lo ao lugar, voltando para casa vencido. Abre a geladeira, ejaculando numa garrafa de sukita, que usa, em seguida, para quebrar várias coisas no apartamento. Um refugo de música evangélica, involuntariamente sexual, verte das janelas à distância, com a luz residual de um supermercado fechado.

Como observou um parça, isso talvez não vendesse, donde premir-se oportuno o seguinte epílogo publicitário.

O tio atiraria a sukita pela janela após o acesso, e a ninfeta, que já vai lá embaixo, a seguraria por acaso e encetaria aquela golada competente de propaganda, uma síntese profissional de erotismo pueril e frescor Sensodyne. Tudo terminaria com o tio mandando uma piscadela e um joinha para a câmera.

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Daniel Liberalino

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