Wanie Rose será homenageada durante festa do Troféu Cultura

Destaque

wanie-rosA dança contemporânea rompeu com a cultura clássica e, após uma fase de experimentações, se consolidou lá pela década de 80. Por essa época uma menina assistiu a figura icônica do professor Roosevelt Pimenta em passos leves, em perfeita harmonia entre corpo e movimento. Bastaria para iniciar ali uma trajetória no segmento da dança que marcaria sua história e a da dança no Rio Grande do Norte.

A ex-bailarina e hoje professora artística e coreógrafa Wanie Rose já dedicou 36 anos de sua vida à dança, sendo 30 deles ao ensino e 17 anos como diretora da Escola e da Companhia de Dança do Teatro Alberto Maranhão. Uma vida dedicada à arte e à formação de tantos artistas. Por isso tudo, será ela a homenageada pelo conjunto da obra na 13ª edição do Troféu Cultura, que este ano leva o nome de um dos mestres de Wanie Rose, o também professor e coreógrafo Edson Claro.

A cerimônia de premiação acontecerá nesta quarta-feira (14), às 20h, na Pinacoteca do Estado, para todos os indicados às 14 categorias do Troféu Cultura e homenageados com a medalha de honra ao mérito Djalma Marinho e o Troféu Noilde Ramalho, entregues a personalidades, empresas e instituições educacionais que apoiaram a cultura este ano. A festa contará ainda com apresentação da Orquestra de metais da Sinfônica do RN. O evento conta com patrocínio da Potigás e da Cosern.

ENTREVISTA – WANIE ROSE

INFÂNCIA EM NATAL
Nasci no dia 25 de maio de 1970 em Natal, filha de médico e assistente social. Minha infância foi tranquila ao lado de pais, avós, irmãs, tios e primos. Andei muito de bicicleta nas calçadas da Rua Jundiaí com a Prudente de Morais, onde meus avós maternos moravam. Minha maior inspiração sempre foi o meu avô materno, coronel Bento Manoel de Medeiros, ícone da polícia Militar e Civil do Estado do RN, policial de muita honra, disciplina, competência e honestidade. Estudei na Escola Doméstica de Natal dos 6 até os 17 anos de idade. Escola onde recebi preciosos ensinamentos e o privilégio de ter como diretora a grande educadora Noilde Ramalho.

Eugênio Pacelle e Wanie Rose, em 1991, no TAM

Eugênio Pacelle e Wanie Rose, em 1991, no TAM

DESPERTAR NA DANÇA
O meu primeiro contato com a Dança aconteceu aos 8 anos de idade quando fui com minha mãe a um chá beneficente e na programação cultural havia um casal dançando. Era o professor Roosevelt Pimenta com uma de suas alunas. Ao presenciar aquela magia e beleza daqueles corpos em movimento surgiu o interesse em fazer Dança. Minha mãe me matriculou no Ballet Municipal de Natal, onde iniciei meus estudos aos 9 anos de idade, em 1979, e tive o privilégio de ter como meu primeiro professor de Ballet clássico o Roosevelt Pimenta. Estudei no Ballet Municipal de Natal de 1979 a 1990, aonde cheguei ao Corpo de Baile do Ballet Municipal de Natal.

INFLUÊNCIAS, MUITAS
Sempre participei de aulas e cursos com professores de Dança em nível local, nacional e internacional, buscando sempre melhor qualidade técnica e artística como bailarina, professora, ensaiadora e diretora. E tive algumas influências nessa trajetória: Roosevelt Pimenta, Diana Fontes, Edson Claro, Eugênio Pacelle, Ana Lúcia Gadelha, Fátima Sena, Maria Cardoso, Roseane Melo, Dimas Carlos, Rosa Costa, Karl Singletary, Marcelo Pereira, Marcelo Moacyr, Flávio Sampaio, Mário Nascimento, Ivonice Satie, Toshie Kobayashi, Tíndaro Silvano, Marc de Graef, Raul Cabral, Isaura Guzman, Esther Weitzman, Aírton Tenório, Luiz Roberto, etc.

PROFESSORA DESDE CEDO
A primeira vez que ministrei aula de ballet clássico foi aos 15 anos de idade, quando cursava o 5* ano no Ballet Municipal de Natal. A minha professora, Ana Lúcia Gadelha, teve problema de saúde, precisou se ausentar e indicou meu nome para substituí-la. Passei um mês inteiro substituindo as várias turmas dela e foi neste instante que percebi que queria ser professora de dança, transmitir conhecimentos a outras pessoas. E foi substituindo professores quando estavam doentes ou quando precisavam viajar, que no ano de 1989, aos 19 anos de idade, fui convidada a fazer parte do Corpo docente da Escola de Dança do Teatro Alberto Maranhão, onde permaneci até o ano de 1994. Em 1993 me integrei também ao Corpo docente do Corpo Vivo Studio de Dança e Maitre de Ballet Clássico da Corpo Vivo Cia de Dança, a convite da diretora Diana Fontes, até o ano de 2001. Em 1998 fui convidada pelos professores Edson Claro, Edeilson Matias, e Ana Cláudia Viana para ser Maitre de Ballet Clássico do Grupo de Dança da UFRN (avançado), que neste mesmo ano passou a ser denominado de Gaia Cia de Dança. Permaneci como professora, ensaiadora, assistente de coreografia e coreógrafa dessa Cia de Dança até o ano de 2002. Neste ano fui aprovada no concurso público para professora de dança da Escola Municipal de Ballet Prof. Roosevelt Pimenta, realizado pela Prefeitura de Natal.

Em 1993, já professora e bailarina do Corpo Vivo

Em 1993, já professora e bailarina do Corpo Vivo

HISTÓRIA NA EDTAM
Em 1989 fui convidada a integrar o corpo docente da Escola de Dança do Teatro Alberto Maranhão/ Edtam, onde permaneci até o ano de 1994. Em 1999 fui convidada pela Fundação José Augusto e Teatro Alberto Maranhão para exercer a função de Diretora Artística da Edtam e da Cia. de Dança do Teatro Alberto Maranhão/Cdtam , com o objetivo de desenvolver e elevar artistica e tecnicamente a escola e Companhia de Dança em nível local, nacional e, consequentemente, internacionalmente. E hoje podemos dizer que trilhamos o caminho certo, pois temos excelentes professores e alunos. A maioria deles vindo desde pequenos da própria Edtam. A escola recebeu mais de 160 prêmios através dos seus três grupos: Cia de Dança do Teatro Alberto Maranhão (Direção Artística: Wanie Rose), Grupo da Escola de Dança do Teatro Alberto Maranhão (Direção Artística: Solange Gameiro) e Cia. Jovem da Edtam (Direção Artística: Márcia Suene). Algumas das nossas pratas da casa, nossos bailarinos, foram aprovados nas audições da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, única filial da Rússia no mundo, situada em Joinville-SC: Erika Rosendo, Cosme Gregory, Tomás Quaresma, Josemara Macedo, Meyriane Gonçalves, Meyrielle Gonçalves, Diogo Gonçalves, Yasmin Melo, Laura Vasconcelos, Kemilly Cardoso e Igor Tavares.

TALENTOS EXPORTADOS
Temos o bailarino Diogo Gonçalves que foi aprovado em concurso de dança em Nova York (YAGP/ Youth América Grand Prix) e recebeu bolsa de estudo para o Harid Conservatory, na Flórida (Estados Unidos), onde concluiu os seus estudos. Ao retornar ao Brasil participou da audição da Cia Sesc de Belo Horizonte e foi aprovado. É bailarino profissional dessa companhia até hoje. O Cosme Gregory atualmente é bailarino profissional da Focus Cia de Dança do RJ. O Pablo Ramon é bailarino profissional do Grupo Primeiro Ato de Belo Horizonte. O Diego Hazan é bailarino profissional da Cia Fragmento de Dança de SP. Tomás Quaresma é artista de vários grandes musicais no eixo RJ é SP. Erika Rosendo faz carreira solo em Joinville-SC. Breno Lucena é bailarino da Cia Brasileira de Ballet do RJ. Tatyelli Raulino recebeu bolsa de estudo para participar de aulas no Alvin Ailey em Nova York no ano de 2013, na escola que é o berço da dança moderna. A bolsa incluiu várias aulas, passagens aéreas e hospedagem. E recebeu também bolsa de estudo de 100% para participar do Summer do América Academy of Ballet. Alladson Barreto recebeu bolsa de estudo para o Summer nos Estados Unidos, aonde irá no ano de 2017.

ALUNOS-PROFESSORES
Alguns bailarinos da Cdtam que também são professores da Edtam, já ministraram aulas no exterior, como: Margoth Lima, Tatyelli Raulino e Bruno Borges que ministraram aulas em St Gallen na Suíça. Cada um passou uma temporada de três meses. Gustavo Santos ministrou aulas na França, em Combourg, no ano de 2014 e já recebeu convite para retornar para lá no início de 2017. Juarez Moniz foi convidado para dançar representando a Cdtam em 2015 no Festival Vortex na França (Combourg) e ministrou aulas também. Em 2016 foi convidado pelos parceiros das Américas para ministrar aulas durante duas semanas nos Estados Unidos (Maine).

SAIBA MAIS
Atualmente a Edtam tem 500 alunos. Todos os anos há inscrições para seleção de novas turmas no mês de outubro. A demanda é chega até 1.000 pessoas inscritas todos os anos. A Escola oferece aulas de ballet clássico a partir dos 6 anos de idade até a idade adulta. Oferece também dança contemporânea, dança popular, alongamento consciente, ginga contemporânea e danças urbanas. A Cdtam já recebeu 81 prêmios ao participar de festivais de Dança em nível nacional e internacional e realizou seis turnês internacionais: Alemanha (2011), Suíça (2012), México (2013), França (2014), Estados Unidos (2015 e 2016).

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