Escritor potiguar é finalista em premiação literária com livro sobre negros escravos

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Edson Soares já tem nome reconhecido no audiovisual potiguar. O filme Nova Amsterdã, com previsão de lançamento para abril, será apenas o terceiro longa metragem da história do cinema produzido no Rio Grande do Norte.

15541902_10206824491045664_817906099977814289_nO cineasta por ofício tem também trabalhos com produção cultural e, claro, como jornalista, sua profissão acadêmica. Mas poucos conhecem o lado escritor de Edson Soares.

E em terra de poucos romancistas, ele tem se sobressaído já com cinco romances publicados. Dois deles impressos (Nova Amsterdã e Confissoes do Sefardita Errante) e outros três publicados em formato ebook.

E foi com um desses títulos em meio digital que ele conseguiu superar mais de 2 mil escritores de todo o Brasil e de países de Língua Portuguesa para fincar seu nome numa lista seleta de 10 finalistas do Prêmio Kindle de Literatura.

“Enviei três livros para concorrer ao prêmio. E apostava mais no ‘Amanhã Há de ser Outro Dia’ ou no ‘Temporada de Sangue’, mas foi selecionado justo o ‘Os Últimos Passos do Enforcado’, o único ainda inédito”, disse o surpreso Edson Soares.

Dessa lista de dez romances vão ser escolhidos três para a grande final. Apenas o vencedor ganhará como prêmio R$ 20 mil e um contrato com a editora Nova Fronteira para publicação do livro impresso, e-book e áudio book. O resultado já sai neste mês de janeiro.

Os Últimos Passos do Enforcado
O romance guarda semelhanças com outras obras que abordam o tema da servidão dos povos africanos durante a colonização das Américas, como A Cor Púrpura (Alice Malsenior Walke), A Cabana do Pai Tomás (Harriet Beecher Stowe) e 12 Anos de Escravidão (Solomon Northup).

Edson Soares se baseia em fatos ocorridos no Brasil, na época do Segundo Império, para retratar as torturas físicas e psicológicas pelas quais passavam os negros escravos que eram condenados à forca.

O livro aborda a polêmica sobre a pena de morte e o retrato de uma sociedade aristocrática, onde o trabalho servil era sua base de sustentação. O pensamento corrente da época era de que apenas o medo poderia atenuar uma possível revolta de escravos.

SINOPSE – Numa bela manhã do mês de maio de 1843, no interior da cadeia pública de uma pequena e provinciana cidade do Brasil Imperial, um jovem negro se prepara para morrer. Os soldados o ajudam para que ele fique limpo, bonito e bem apresentável. O dia de sua execução seria cheio de surpresas e compromissos oficiais. Enquanto isso, a forca já está montada na praça principal da cidade, a espera do condenado.

José da Piedade é um negro escravo analfabeto, ingênuo, que fala pouco e age como uma criança. Ele está preso e sentenciado à pena de morte por ter matado o capataz da fazenda onde trabalhava. Aparentemente ele se mostra insensível à aproximação de sua morte.

Conceição é uma vendedora de doces, escrava alforriada, que resolve contratar um jovem e inexperiente advogado (Pedro Ibarras) para livrar José da Piedade da forca. Conceição e Ibarras acabam se apaixonando e juntos vão enfrentar os preconceitos de uma uma sociedade racista e um sistema judiciário onde o negro era punido não pelo crime que cometeu, mas tão somente por sua cor e por sua condição de escravo servil. Um romance cheio de paixão, amor, aventura e denúncia sobre a condição do negro escravo no Brasil do Segundo Império.

TRECHO DO LIVRO: “Um soldado gordo, disforme, de aspecto sórdido, cuidava de fazer a barba do prisioneiro. Olhei fixamente para o rosto do condenado coberto de espuma de sabão: chamava-se José da Piedade, tinha a pele bem negra, talvez tivesse vinte e cinco naquela época, de estatura mediana e corpo franzino. Ele sorria e parecia se divertir com os movimentos da navalha em seu rosto. Ria um riso cretino e infantil. O soldado gordo passou o sabão no cabelo encarapitado do detento e em seguida começou a raspá-lo com a navalha afiada”.

LISTA DOS DEZ LIVROS SELECIONADOS

1- “Alma”, de Raquel Favaro;
2- “Beira de Rio”, de Rodrigo Vrech;
3- “Curral de Pedras”, de Jards Nobre;
4- “Glitter”, de Bruno Ribeiro;
5- “Jangadas”, de Márcio Noal.
6- “Machamba”, de Gisele Mirabai.
7- “Minha Sombra Cabe Ali”, de Leon Idris Azevedo.
8- “Noite”, de Noberto Santos.
9- “O Lado Oculto do Medo”, de Barbara Nonato.
10- “Os Últimos Passos do Enforcado”, de Edson Soares.

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