Crônicas e Artigos

Ariano, primo do Seridó

ariano

A história parece um tanto demorada, mas não será. Antonio Luiz de Medeiros, sabugiense da melhor qualidade, dentista por profissão e verdadeiro doutor em história e genealogia pelas pesquisas e boas conversas, me presenteou com um livro sobre os Dantas da Serra do Teixeira (PB). Parecia assunto distante do Seridó de todos nós, mas não é, sobretudo, para as famílias Dantas, do patriarca Caetano Dantas Correia de Carnaúba dos Dantas, e Pereira Monteiro de Serra Negra do Norte.

O livro, que traz a pesquisa de Fábio Lafaiete Dantas e Maria Leda de Resende Dantas, conta que Antônio Dantas Correia de Góis, sobrinho de Caetano, chegou à Serra do Teixeira por volta de 1770 e por lá adquiriu terras, inicialmente a fazenda “Piedade”. Adiante, casou-se com Josefa Francisca de Araújo e se tornou, ao lado da esposa, fundador de Teixeira e do ramo Dantas dos nascidos no sertão paraibano.

Da descendência de Antonio, sobrinho de Caetano, vem Ariano Suassuna, o grande paraibano que fez fama como advogado, professor, teatrólogo, escritor, poeta, conferencista e outros mais talentos que o Brasil conheceu. Nas veias de Ariano corria parentesco com o Seridó movido por diferentes vertentes a partir de sua mãe, Rita Vilar, casada com João Urbano Pessoa de Vasconcelos Suassuna.

Rita era filha de Afra Dantas de Vasconcelos Vilar e Gabriel de Araújo Vilar. Afra, por sua vez, filha de Antonio Dantas de Gois Monteiro e Rita de Cássia Pessoa de Melo. Através de Antonio, seu bisavô, Ariano chega a José Dantas Correia de Góis e a Isabel Rita Caetana da Silveira e, por eles, aos patriarcas Antonio Dantas Correia de Góis e a Manuel Pereira Monteiro. Assim, pelo último Antonio citado, Ariano é parente dos Dantas nascidos no Seridó a partir do pioneirismo de Caetano Dantas Correia e, por Manuel Pereira Monteiro, seu tetravô, tem laços de sangue espalhados nas famílias Pereira, Monteiro e Wanderley de Serra Negra do Norte-RN e de seu entorno. Manuel Pereira Monteiro (3º.), casado com Maria de Jesus José da Rocha, era neto do fundador de Serra Negra do Norte que tinha o mesmo nome: Capitão Manuel Pereira Monteiro (1º.).

Aliás, duas filhas de Manuel Pereira Monteiro (3º.) casaram-se com dois filhos de Antonio Dantas Correia de Góis: Isabel com José Dantas, trisavós de Ariano; Senhorinha Maria dos Passos com Lourenço Dantas Correia de Góis. O casamento de Isabel com José Dantas, celebrado pelo Vigário Francisco de Brito Guerra, ocorreu em terras seridoenses “aos nove dias do mez de Fevereiro de mil oitocentos e vinte e cinco pelas onze horas do dia na Fazenda Dinamarca desta Freguezia do Siridó”.

Houve, portanto, um entrelaçamento muito forte entre as duas famílias, sem falar no núcleo Vilar que também tem raízes bem profundas em Caicó e cujos membros são próximos parentes do mesmo ramo visto em Teixeira e, em seguida, Taperoá, outra histórica povoação paraibana. Ariano, portanto, tinha o mesmo sangue de muitos do Seridó de ontem e de hoje.

Evidentemente que a história de Ariano Suassuna é bem conhecida, sobretudo, no que se refere à luta política de seu pai e a genialidade de sua obra. O pesquisador Rostand Medeiros, através do excelente sítio eletrônico tokdehistoria.com.br, entretanto, menciona o decisivo papel que exerceu Rita, mãe de Ariano, prima do Seridó, em defesa da memória do marido assassinato covardemente no Rio de Janeiro, bem como, na condução dos filhos e sua consequente influência na obra do filho escritor: “Foi Rita Suassuna que não deixou a morte de seu marido cair no esquecimento. Tempos depois ela enviou uma carta extremamente intensa e emocionada ao então Presidente Getúlio Vargas e este mandou reabrir o caso. Em pouco tempo a morte de João Suassuna voltou às páginas dos periódicos cariocas. (…) Já Rita Suassuna, depois de várias mudanças e provações, levou seus filhos para a cidade de Taperoá, no sertão paraibano. Ali, em uma região onde isso era a praxe, lutou para que seus cinco filhos homens jamais partissem para vingar a morte do pai. Entretanto a família de João Suassuna sempre perpetuou a sua memória e isso se incorporou no jovem Ariano, mesmo com tão pouca idade na ocasião da morte de seu pai.” João Suassuna ocupou diversos cargos públicos, inclusive, foi Presidente da Província da Paraíba e ao falecer no Rio de Janeiro exercia o mandato de Deputado Federal.

Ariano, por sua vez, mesmo sem contar com a visível benção do pai, cresceu em idade e sabedoria e sendo sertanejo e, mais ainda, qualificado pelo sangue de resistência dos seridoenses, conseguiu expressar nas letras muito do que é a vida interiorana e valorizar, como poucos, a cultura nordestina. Nós todos do Seridó já tínhamos por ele especial admiração e agora sabendo mais de sua proximidade conosco já podemos dizer, quando alguém de fora nos perguntar, que temos um primo famoso: Ariano, o extraordinário nordestino, é também “lá de nós”, dos Dantas, Vilar, Pereira Monteiro do Seridó!

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Fernando Antonio Bezerra

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