Câmara de Vereadores de Natal melhorou ou piorou?

Tácito Costa
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A primeira coisa que me veio a cabeça após a divulgação dos nomes dos vereadores eleitos em Natal foi tentar saber se melhorou ou piorou a nossa representação na Câmara.

Os jornais falam em cerca de 50% de renovação. Mas é menor. Porque nessa conta estão computadas vitórias de Ana Paula, mulher do vereador Júlio Protásio, e Preto Aquino, irmão do vereador Aquino Neto. Os dois são réus na Operação Impacto. E um desistiu da reeleição, Bertone Marinho.

E, nos dois casos citados acima, falar em renovação é privilegiar a matemática e subestimar a inteligência do cidadão.

Outros implicados na Impacto tentaram o mesmo ardil, mas felizmente não foram bem sucedidos. Quer dizer, poderia ter sido pior.

Não temos como saber ainda qual o perfil mais geral por conta de alguns novatos, como Kleber Fernandes (PDT), Cícero Martins (PTB), Dinarte Torres (PMB), Eriko Jácome (PTN), Robson Carvalho (PMB), Nina Souza (PEN), Aldo Clemente (PMB) e Sueldo Medeiros (PHS).

Kleber foi diretor do Procon Municipal e chefe do Gabinete Civil do prefeito Carlos Eduardo. Outro eleito já é conhecido, está retornando, Ney Lopes Jr, do PSD de Robinson Faria. Nada menos que 13 são da base aliada do prefeito reeleito, outros do partido do governador, que poderão ficar na oposição.

A Câmara se livrou de pelo menos dois encostos, Dagô (DEM) e Dickson Nasser Jr (PSDB). Não é pouca coisa. Em compensação perdeu George Câmara e Amanda Gurgel (segunda mais votada, mas prejudicada pelo Coeficiente Eleitoral), dois progressistas e combativos vereadores) A esquerda não se une nem para vencer!

Também não podemos saber com certeza se o aumento da representação feminina, que dobrou, passando de quatro para oito (Carla Dickson, PROS, Natalia Bonavides, PT, Julia Arruda, PDT, Ana Paula, PSDC, Wilma de Faria, PT do B, Eleika Bezerra, PSL, Eudiane Macedo, PSD, e Nina Souza,PEN), significa de fato um avanço ou se parte dessas vereadores seguirão posturas reacionárias e machistas.

Pelo menos de uma dessas vereadoras, Carla Dickson, casada com o deputado estadual Albert Dickson, não se deve esperar posições avançadas. Ela também é evangélica e seguirá a linha política assistencialista e careta do marido, que já foi vereador.

A esquerda – PSOL, PSTU e PT – tinha seis vereadores (Marcos Antonio, Maurício Gurgel, Amanda Gurgel, Sandro Pimentel, Hugo Manso e Fernando Lucena). Ficou com três (Sandro, Nathalia Bonavides e Fernando Lucena). Maurício havia chegado ao PSOL recentemente e não pode ser considerado de esquerda, então a conta fechava mesmo em cinco.

A eleição ainda comportou uma excentricidade, senão não seria brasileira. O Partido da Mulher Brasileira elegeu três… homens (Dinarte Torres, Robson Carvalho e Aldo Clemente). Detalhe lembrado em matéria do Novo Jornal: “Legenda lançou 43 candidaturas para vereador na capital potiguar, apenas 13 eram mulheres”.

Hoje (04), no Bom dia RN, Robson Carvalho, jovem de 26 anos, se não me engano, disse que as prioridades do seu mandato serão esporte e educação. Nem uma palavra sobre os tantos e urgentes temas relativos às mulheres. Então, meninas, não esperem muita coisa dessa bancada não, mas vamos aguardar a atuação desses bravos rapazes.

A eleição em Natal também mostrou o avanço de uma nova oligarquia, da família Jácome, evangélica, que agora está na Câmara Federal, AL e Câmara, com Ériko Jácome.

Uma incógnita também é a ex-governadora Wilma de Faria, eleita vereadora. No legislativo, como deputada federal e senadora, teve posições progressistas. Nesta eleição, fez oposição, junto com a filha Márcia, candidata à prefeita, e poderá somar na bancada de esquerda.

Então, são muitas as dúvidas e somente quando os mandatos começarem se poderá saber qual a posição de cada um.

Mas, não fiquei otimista com a nova composição da Câmara e permitam-me um “chute”, acho que, no geral, entre perdas e ganhos, de uma legislatura para outra, não melhorou, ficou de igual para pior.

Tomara que eu esteja errado.

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Tácito Costa

Comentários

1 comment

  1. François Silvestre
    François Silvestre 5 outubro, 2016 at 16:49

    Uma coisa é certa: Com essa composição e essa análise você não vai ganhar o título de cidadão natalense. Vai continua santanense, no registro e na homenagem.

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