ENTREVISTA: Carlos Fialho fala sobre novo livro

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Fotografia de capa: Espaço Duas

Um dos principais nomes da literatura potiguar, Carlos Fialho está de livro novo.

Na noite de amanhã (17), no Solar Bela Vista, a partir das 17h, amigos, simpatizantes e curiosos poderão conhecer A noite que nunca acaba (Jovens Escribas).

É um projeto ousado de reescrever as histórias publicadas sob o título de Uns contos de Natal, em 2011, agora ambientada em um universo fantástico de assassinatos, em meio a uma epidemia zumbi.

Na mesma noite, o cronista paulistano Antônio Prata lança Trinta e poucos, enquanto o humorista e escritor Gregório Duvivier lança Caviar é uma ova.

Conversamos com Fialho sobre a versão definitiva de A noite que nunca acaba, quem sabe o primeiro passo para o autor escrever um romance, e como os zumbis ‘aterrorizaram’ o processo criativo.

carlos-fialho_zumbis2O que lhe desagradava nas versões originais dos contos?

Carlos Fialho: Eram menos longos do que poderiam ser e estavam definitivamente inacabados. Agora, não estão mais. Este é o livro que eu deveria ter lançado em 2011, mas que após cinco anos de trabalho, acabei concluindo.

Por que zumbis?

Fialho: Porque sou fã de histórias de zumbi. Aí, um dia, em 2009, li um livro que contava tudo sobre o surgimento deste mito moderno e me empolguei a escrever uma história que se passasse em Natal. Foi bem divertido colocar nossos conterrâneos em situações únicas de enfrentamento a esta situação bem inusitada.

O livro de Márcio Benjamin, Fome, lhe influenciou?

Fialho: Na verdade, não. Porque escrevi a minha história antes de Márcio. O primeiro conto que está no livro novo foi elaborado em 2009, três anos antes de Márcio lançar o primeiro livro dele, o Maldito Sertão.

O que mais lhe seduz nesse tipo de ficção?

Fialho: A possibilidade de escrever textos mais longos do que eu faço normalmente em minhas crônicas que saem no jornal. Um dos contos do livro ficou com mais de 60 páginas. Quero escrever mais histórias com fôlego até chegar ao tão almejado romance. Com este livro, sinto que estou bem perto dele.

carlos-fialho_a-noite-que-nunca-acabaPara um brasileiro, nordestino e agora nativo da cidade mais violenta do país, usar o terror na literatura é mais natural do que para um escritor de outra região?

Fialho: Não necessariamente, porque outros centros urbanos já são mais experientes com o ‘terror’ cotidiano que poderiam inspirar, por exemplo, os dois fios condutores do livro: assassinatos brutais e uma história de zumbis. O tema da violência urbana fez surgir o fenômeno Rubem Fonseca e isso já faz 50 anos. E o terror brasileiro já tem inúmeros, cultuados e experientes autores. Inclusive, eu nem me acho um autor de terror. Escrevi essas histórias por acaso. Mas acredito, de verdade, que ficaram bem boas.

Quanto tempo você levou para reescrever os contos e editá-los?

Fialho: Comecei a imaginar continuações para aquelas histórias publicadas em 2011. Primeiro, imaginei no que poderia ter acontecido com os rapazes do conto Anjos depois de presos por assassinato. Algum tempo depois, percebi que a história dos zumbis (A Cidade Morta) também poderia ganhar uma continuação, mesmo que ao final a história tivesse se resolvido. Porque atentei para o seguinte: existem dois tipos de histórias de zumbis. As que terminam quando a epidemia é controlada ou as que acabam de maneira pessimista com a infecção comendo no centro. Mas nunca vi uma história que contasse o que viria depois que a epidemia houvesse sido dissolvida. Como seria a vida dessas pessoas sobreviventes? Que traumas carregariam? Quais as consequências das experiências vividas? Enfim, percebi que tinha um caminho narrativo interessante aí. Levei quatro anos pensando nas histórias. E dois meses reescrevendo e escrevendo as novas.

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