Crônicas e Artigos

Centenário do Samba – 2016

viola

Sambar é chorar de alegria / É sorrir de nostalgia / Dentro da melodia (Noel Rosa).

Em 1916 era lançado com enorme sucesso o samba Pelo Telefone, de Ernesto dos Santos (conhecido como Donga) e Mauro de Almeida. Em 2016 comemora-se o centenário do Samba por conta desse disco histórico onde pela primeira vez vinha especificado a palavra Samba na Etiqueta do Disco.

Essa informação é contestada por alguns pesquisadores que encontraram a palavra Samba em outros rótulos de discos anteriores. Pelo sim e pelo nome a data ficou marcada como o inicio do Samba com esse belo e antológico samba.

Nesse artigo homenageamos alguns dos maiores fazedores de samba do Brasil, a mais autentica música feita em nosso país.

Ary Barroso
O dia 02 de Dezembro é o Dia do Samba em homenagem ao dia em que Ary Barroso botou os pés na Bahia (onde o samba nasceu), terra da felicidade. Ary, um dos mais profícuos e geniais compositores brasileiro. Terror dos calouros. Flamenguista doente (de muito bom gosto). Torcedor fanático. Difícil escolher o melhor samba. ‘Na Baixa do Sapateiro’ é um hino à Bahia e um florilégio da canção brasileira.

Na Baixa do Sapateiro
Ary Barroso

Na Baixa do Sapateiro eu encontrei um dia
A morena mais frajola da Bahia
Pedi-lhe um beijo, não deu
Um abraço, sorriu
Pedi-lhe a mão, não quis dar, fugiu
Bahia, terra da felicidade
Morena, eu ando louco de saudade
Meu Senhor do Bonfim
Arranje outra morena igualzinha pra mim
Oh! amor, ai
Amor bobagem que a gente não explica, ai, ai
Prova um bocadinho, ô
Fica envenenado, ô
E pro resto da vida é um tal de sofrer
Ôlará, ôleré
Ô Bahia
Bahia que não me sai do pensamento
Faço o meu lamento, ô
Na desesperança, ô
De encontrar nesse mundo
Um amor que eu perdi na Bahia, vou contar
Ô Bahia
Bahia que não me sai do pensamento…

Roberto Silva
O ultimo grande interprete do samba. Uma voz única que escandia a letra e dor do sambista. Silencio, por favor, que o samba está de luto. Faleceu Roberto Silva, o Príncipe do Samba aos 92 anos de idade. Tendo, portanto, atravessado a grande época da Musica Popular Brasileira. Roberto Silva nasceu no Morro do Cantagalo, em Copacabana. Começou a cantar na década de 30, era de ouro da rádio nacional. Na década seguinte realizou suas primeiras gravações. Um dos seus primeiros sucessos foi gravado pela Star; ‘Mandei Fazer um Patuá’. Roberto gravou uma série de discos antológicos com o título “Descendo o Morro”. A cidade cresceu e empurrou os sambistas para o morro. Roberto o traz de volta com grande elegância e personalidade. Entre seus sambas de maior sucesso está ‘Normélia’, do compositor potiguar e canguleiro Raymundo Olavo.

Jamelão
Jamelão foi o maior puxador de samba de todos os tempos. Sua mangueira ficou desbotada, o seu grande abre alas e intérprete de sambas e enredos memoráveis se encantou. Um grande cantor, dono de uma das maiores vozes do samba. Eterno samba a cantar nossas dores, histórias e tristezas “peço o silencio do minuto”. Ele atravessou o século. Cantor e compositor. José Bispo Clementino dos Santos, “Jamelão” tinha a matrícula número 02 na ala dos compositores da Mangueira. Cantava o grande Lupicínio Rodrigues como ninguém. A sua, a minha dor-de-cotovelo. Uma lenda do samba. Nossa história cantada com emoção pelo seu gogó de ouro. Negro trabalha! O negro quer cantar. É com muita emoção transfigurada pela dor que escrevo para dizer que já não temos mais em vida uma das maiores personalidades da nossa história cultural.

Francisco Alves, o Rei da Voz
Quando Chico faleceu num acidente de carro na Dutra, em 1952, o Brasil inteiro chorou a morte do seu maior cantor. O grande compositor Wilson Batista (um dos amores sambistas brasileiro com quem Noel Rosa teve uma famosa polêmica musical) compôs com o grande cartunista e também compositor Nássara, a plangente canção ‘Chico Viola’, cantada até hoje pelos amantes da nossa música.

“Chora Estácio, Salgueiro e Mangueira/ Todo o Brasil emudeceu/
Chora o mundo inteiro/ O Chico Viola morreu/ Na voz do seu plangente violão/ Ele deixou seu coração/ Partiu, disse adeus, foi pro céu/ Foi fazer, foi fazer/ Companhia a Noel”.

Francisco de Moraes Alves nasceu no dia 19 de agosto de 1898, no Rio de Janeiro na Rua da Prainha. Seu pai tocava alguns instrumentos. De sua irmã Nair, Chico ganhou uma guitarra e recebeu as primeiras lições de musica. Leio o precioso livro- biográfico “Minha Vida” – Francisco Alves, 2ª ed. 1937. Edição autografada de 1939. À memória de Noel Rosa, companheiro do mesmo sonho e uma das mais brilhantes expressões da música popular brasileira.

Chico Alves disputa com Orlando Silva o pódio de maior cantor do Brasil. Uma música cantada por Chico era sinal de sucesso. Pelo seu prestígio e voz. Em muitas composições ele entrou nos créditos ao interpretar a canção que possivelmente não teria a visibilidade que teria não fosse cantada pelo Rei da Voz. Chico Alves entrou como parceiro em muitas composições da dupla Ismael Silva – Newton Bastos. Cartola também cedeu músicas a Chico.

O maior cantor do Brasil (insisto: para alguns, João Gilberto entre eles, esse título sempre pertenceu a Orlando Silva) foi também o que mais gravou. Em 33 anos de carreira (1919-1952) colocou na praça 525 discos em 78 rotações. Foram 983 gravações que serviram para revelar os nomes de compositores como Ary Barroso, Cartola, Ismael Silva e Lamartine Babo, além de cantores como Mário Reis, Dalva de Oliveira e Carmem Miranda, que com ele dividiram o microfone.

Chico Alves era filho de imigrantes portugueses e começou a trabalhar aos 18 anos de idade, em uma fábrica de chapéus. Ainda na juventude flertou com o teatro, fazendo parte da Companhia de Espetáculos João de Deus Martins Chaves. Descoberto pelo compositor Sinhô (José Barbosa da Silva, 1888-1930), em 1919 gravou três sambas dele que fizeram muito sucesso no carnaval do ano seguinte: ‘O pé de anjo’, ‘Fala meu louro’ e ‘Alivia estes olhos’.

Uma coisa jamais se contestou na carreira de Chico Viola: a versatilidade. Colocou sua voz a serviço de quase todos os gêneros musicais. Gravou sambas, marchas, canções românticas, toadas, maxixes, paródias, hinos, o que caiu em suas mãos. Também deu seus pitacos como instrumentista, tendo feito alguns discos em dueto de violões com o craque do instrumento Rogério Guimarães.

Francisco Alves jamais esquentou banco nas gravadoras. Passou por praticamente todas elas, principalmente as grandes. Gravou na Odeon (242 discos, de 1927 a 1934), Parlophon (57 discos, de 1928 a 1931), R.C.A (48 discos, de 1934 a 1937), Odeon novamente (26 discos, de 1937 a 1939), Colúmbia (15 discos, de 1939 a 1941) e outras.

Reconhecido pelos brasileiros como o maior nome do rádio e dos estúdios de gravação durante toda a sua trajetória artística, Francisco Alves teve a carreira interrompida no auge do sucesso, em 24 de setembro de 1952, por um acidente de carro. O Buick de sua propriedade chocou-se com um caminhão, na Via Dutra, e o artista morreu na hora. O país parou para chorar, por vários dias, a perda do grande ídolo.

Por ter trabalhado tanto, Francisco Alves gravou quase tudo o que se ouviu em sua época. Canções de qualidade e outras que foram ao disco apenas para cumprir tabela com as gravadoras. Mas algumas gravações marcaram profundamente os seus admiradores. ‘Chuá-Chuá’, ‘Não quero saber mais dela’, ‘A malandragem’, ‘Deixa essa mulher chorar’, ‘Nem é bom falar’ e ‘O que será de mim?’ (“Se eu precisar algum dia/De ir pro batente/Não sei o que será/Pois vivo na malandragem/E vida melhor não há…”).

“Até a lua do Rio/
Num céu tranqüilo e vazio/
Não inspira mais amor/
O violão desafina/
Porque chora em cada esquina/
A falta do seu cantor…”

Cartola
Um documentário (de Lírio Ferreira e Hilton), digno do maior compositor brasileiro. Bela homenagem no centenário de nascimento de Angenor de Oliveira, eternizado como Cartola. Um panorama bastante completo da vida de Cartola num caleidoscópio de imagens antológicas e raras. Destaque para algumas imagens cedidas pelo nosso colega Tourinho.

Foi emocionante ver cenas de João da Baiana, Pixinguinha e Donga juntos. Uma antologia de sambas de Cartola nas vozes dos mais diferentes interpretes. Em todas as vozes o samba de Cartola fica bem. É impressionante a musicalidade, harmonia e letras de Cartola. Difícil imaginar tamanha criatividade em alguém que nunca estudou formalmente música.

Chorei muito. Vi o filme duas vezes. E vou ver muito mais quando sair em DVD. Belas imagens de Xangô da Mangueira, Nelson Sargento (foto), Aracy de Almeida, Elizete Cardoso, Elza Soares, Elton Medeiros e muitos outros compositores e grandes interpretes da nossa mais autentica expressão da cultura popular. “Garanto que não beberei nunca mais..”

Villa Lobos, Stokowski, não faltou nada nesse documentário histórico. Toda escola deve ter uma cópia. Belas imagens do RJ, Lapa e Mangueira.

Se tivesse que reclamar de alguma coisa reclamaria da imagem envelhecida do meu querido Paulinho da Viola. Gostei de ver Cartola com o seu pai, mesmo que não tenha criado ele. O Zicartola antológico. Zica maravilhosa e Da Neuza.

Só um filme para reunir tantas imagens. Trechos de filmes da época entremeados com a bela música de Cartola. O Pelão, produtor do antológico vinil para a gravadora Marcos Pereira. Imagina, vê Heitor dos Prazeres e suas pastoras. Mais um orgasmo.

Não se assuste se eu disser: esse documentário foi um dos maiores acontecimentos culturais do ano de 2008.

Em 1928 Cartola compunha seu primeiro samba:

Somos da estação primeira
Salve o morro da mangueira

Salve você meu querido Cartola.

Paulinho da Viola
Paulo César Batista de Faria é o que há de melhor no samba. Representante direto da escola formada por Paulo da Portela, Sinhô, Wilson Batista, Geraldo Pereira, Ciro Monteiro e todos os grandes Sambistas deste meu País, Branco, negro, mulato, cafuso, etc, etc.

Nele está presente o passado, presente e futuro porque eterno. Paulinho da minha devoção. Paulinho chorão maravilhoso. Paulinho parceiro de Elton Medeiros e outros bambas do samba.

Passei vinte anos procurando o seu primeiro LP. Depois seus discos saíram em CD, mas o LP não perdeu seu charme e seu lugar na minha estante de relíquias.

Ano passado ele esteve em Natal com sua banda completa em show antológico.

Paulinho nasceu no bairro de Botafogo, RJ, no dia 12 de novembro de 1942. Vascaíno e Marceneiro. A simplicidade em pessoa. A música feita sem pressa e sem compromisso com o comercial. Sua musica tem muita riqueza melódica e harmônica. E para aqueles que pensam que o samba vai acabar “só se for quando o dia clarear”.

Filho do grande músico Cesar Faria, que o acompanhava em shows memoráveis. “Meu pai sempre me dizia, meu filho tome cuidado, quando penso no futuro. Não esqueço meu passado.” Grande amante do chorinho e do samba sincopado Paulinho é a essência do que há de mais autentico no samba. Na década de 70 do século convidou o celebre conjunto Época de Ouro, onde tocava seu pai, para lhe acompanhar num show memorável, Sarau. Em Bebadachama (chamamento) de Paulinho a nossa oração a todos os grandes sambistas. Parabéns a todos os sambistas no seu centenário.

Um mestre do verso, de olhar destemido,
disse uma vez, com certa ironia :
“Se lágrima fosse de pedra
eu choraria”
Mas eu, Boca, como semrpe perdido
Bêbado de sambas e tantos sonhos
Choro a lágrima comum,
Que todos choram
Embora não tenha, nessas horas,
Saudade do passado, remorso
Ou mágoas menores
Meu choro, Boca,
Dolente, por questão de estilo,
É chula quase raiada
Solo espontâneo e rude
De um samba nunca terminado
Um rio de murmúrios da memória
De meus olhos, e quando aflora
Serve, antes de tudo,
Para aliviar o peso das palavras
Que ninguém é de pedra

Bebadosamba, bebadosamba
Bebadosamba, bebadosamba
Meu bem
Bebadosamba, bebadosamba
Bebadosamba, bebadosamba
Bebadosamba, bebadachama
Também

Boca negra e rosa
Debochada e torta
Riso de cabrocha
Generosa
Beijo de paixão

Coração partido
Verso de improviso
Beba do martírio
Desta vida
Pelo coração
Bebadachama (chamamento)

Luiz Barbosa, o nosso Maurice Chevalier do Samba (1910 – 1938)
Na gravação de “gago apaixonado”, em 1931, Noel teve o acompanhamento originalíssimo de Luiz Barbosa, batendo um lápis nos dentes:

“Mu… mu … mulher em mim fi… fizeste um estrago
Eu de nervoso esto… tou fi… ficando gago”

Esse mesmo Luiz Barbosa que acompanhou Noel na gravação de ‘Gago apaixonado’, foi um dos introdutores do “breque” no samba e criador de um dos instrumentos de percussão mais singulares da MPB, o chapéu de palha. Com muita bossa e balanço, Luiz Barbosa, mostrou uma nova forma de interpretar o samba que faria escola. Uma de suas grandes interpretações, foi o samba ‘Risoleta’, de Raul Marques e Moacyr Bernardino.

“Eu vou mandar prender
essa nega Risoleta
que me fez uma falseta
e me desacatou
porque não lhe dei o meu amor
( isso é conversa pra doutor)”

Este samba também fez muito sucesso nas vozes de outros cantores de bossa e da malandragem: Jorge Fernandes e Moreira da Silva.

Luiz Barbosa faleceu de tuberculose em 1938, com apenas 28 anos de idade, mas a sua invenção não ficou esquecida. Outro grande intérprete do samba carioca, cheio de picardia e muito molejo, chamado Dilermando Pinheiro adotou o chapéu de palha como instrumento de percussão para acompanhar com muita bossa as suas interpretações. Comprou um “chapéu de palhinha”, que chamou de “stradivarius”, e saiu cantando por mais de 20 anos. Junto com Ciro Monteiro formaria uma das duplas mais famosas de sambistas do Brasil: “A dupla onze”, assim chamada devido a magreza de ambos. Depois Ciro engordou, e a dupla passou a se chamar “Dupla 10” .

Luiz cantava com muita originalidade e ao interpretar um samba tornava-se co-autor da música. Dividia e brincava com as palavras como ninguém. Abusava com personalidade dos breques e entortava as melodias. Ritmista excepcional batucava em tampo de mesa, capô de automóvel, copo, garrafa, caixa de violão e de fósforos e arcada dentária.

Luiz fez dupla com o grande Sylvio Caldas. E gravou de Wilson Baptista seu terceiro samba, ‘Na Estada da Vida’. Wilson que não bebia mas bebeu todas ao saber da grande notícia. Depois de beber em todos os cafés da Praça Tiradentes, acabou preso no 4º Distrito Policial. Após três horas de descanso pediu para falar com o comissário e dizer de sua grande alegria ao saber do samba gravado por Luiz. O comissário que também fazia umas letrinhas mostrou para Wilson numa conversa regada a cafezinho servido pelo prontidão. Ao fim do bate papo, o doutor falou para Wilson aparecer e emprestou cinco mil réis ao novo amigo, (in Wilson Baptista, o Samba foi sua glória, de Rodrigo Alzuguir )

Nássara disse de Luiz: “Uma das admirações mais positivas que tive na música popular.” E outro grande sambista (Antonio Almeida) assim se referiu a ele: “Todos eram pintos perto do Luiz Barbosa, que foi um troço, uma coisa.”
As fábricas de discos não lhe davam atenção e duvidavam se ele seria um cantor ou humorista. Luiz foi um dos maiores sambistas de sempre. Um caricaturista do samba e, para outros, o nosso Maurice Chevalier. Cantava com graça, leveza e agilidade: quase conversando. Com seu eterno chapéu de palha ele foi o nosso canotier ou boater.

Mário Reis
A Bossa Nova já tem as histórias dos seus protagonistas e grupos resgatadas num belíssimo e antológico livro escrito pelo jornalista Ruy Castro. É mais que urgente não esquecer de outras bossas e de outras batidas que marcaram para sempre a linha evolutiva da música popular brasileira. Em 1958, João Gilberto gravaria um disco-compacto que continha a música ‘Chega de Saudade’. O LP com esse mesmo título era lançado no ano seguinte, 1959. Em suas bodas-de-ouro podemos dizer que a bossa-nova teve um belíssimo casamento com o público e a qualidade, atestada e consagrada internacionalmente.

Grandes músicos e interpretes da música universal gravaram a música de João Gilberto e do seu maestro soberano, Tom Jobim. A bossa nova continua viva e bem presente no repertório de grandes intérpretes da verdadeira MPB. Uma prova disso é o disco da cantora amapaense Fernanda Takai, cantando as músicas consagradas pela eterna musa da Bossa Nova, Nara Leão (1942-1989). Novos arranjos e cantores surgem a cada ano.

A música popular é a prova mais autentica da nossa criatividade e musicalidade. A Bossa Nova é resultado de uma linha evolutiva que teve grandes intérpretes e músicos fabulosos. Em 2008, também se comemorou o centenário de um dos nossos maiores músicos e poeta: Cartola.

O brasileiro, sempre muito criativo no seu jeito de ir batucando a vida, tem sido muito pródigo na criação de novos ritmos e instrumentos para expressar a sua bossa, ginga e musicalidade.

Mário Reis, cantando as canções de Sinhô – “O Rei do Samba” -, no final da década de 1920, inaugurou um novo jeito de cantar o samba, sem as impostações e malabarismos dos cantores da época, que revolucionaria a interpretação brasileira. Seu modo de cantar elegante e com uma voz cheia de nuances, inflexões e muita bossa, antecipou em 30 anos os padrões musicas da bossa nova.

Noel Rosa, um dos mais importantes compositores da música popular brasileira, mostrou com muita graça, ironia e bossa que é possível cantar sem muita voz quando o samba “nasce do coração”. Em coisas nossas o ‘Poeta da Vila’ já mostrava que a bossa é muito nossa:

“O samba a prontidão e outras bossas
são nossas coisas… são coisas nossas…”

Ciro Monteiro
Uma das figuras mais bondosas e queridas da Música Popular Brasileira, Ciro Monteiro. Ele não usou o chapéu de palha de Luiz Barbosa e Dilermando, mas de acompanhava de uma inseparável “caixa de fósforos”. O seu primeiro grande sucesso, lançado em 1938, se tornaria um dos grande clássicos da MPB, ‘Se acaso você chegasse’, música dos compositores Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins. A sua forma alegre de cantar, descontraída e com muito ritmo, influenciou muitos outros cantores. Na opinião de Vinícius de Moraes, ele foi o maior cantor brasileiro de todos os tempos e, junto com João Gilberto, foram não somente os descobridores máximos de divisões e síncopes inéditas na música popular carioca, mas os artífices pacientes e laboriosos de um modo de cantar o samba que dá a impressão a quem os ouve, de que qualquer pessoa pode cantar. “Eles trabalharam o ponto mais próximo da perfeição, que é aquele onde mora a simplicidade”.

Miltinho é um verdadeiro herdeiro desse jeito de cantar e bossar. No seu mais recente disco, pode-se comprovar a beleza das síncopes e divisões eternizadas pela bossa nova, e que teve em Mario Reis e no próprio Miltinho os seus precursores.

Noel Rosa

“quem é você que não sabe o que diz / meu Deus do céu que palpite infeliz.”

Noel Rosa, assim como Braz Cubas, não deixou aos filhos que não teve o legado da sua pobre existência física.

“Não tenho herdeiros, não possuo um só vintém / eu vivi devendo a todos, mas não paguei a ninguém/ meus inimigos que hoje falam mal de mim / vão dizer que nunca viram uma pessoa tão boa assim”.

De Braz Cubas sendo comido pelos vermes é também a certeza que as morenas sestrosas vão ser comidas pela terra. Noel era assim – mesmo- um apaixonado pela vida e um grande humorista da MPB que ele ajudou a consolidar. E quem ri melhor, é quem ri por fim.

Nascido a fórceps com um defeito no queixo. Foi apelidado de “queixinho” e viveu a vida.

A partir de uma paródia ao Hino Nacional, compõe ‘Com Que Roupa?’, seu primeiro grande sucesso. Aos 19 anos já é famoso e vende milhares de discos. Torna-se ídolo do rádio, é aclamado “filósofo do samba”.

Boêmio e grande namorador conhece a operária Lindaura, de quinze anos, com quem começa a namorar. Meses depois, conhece a dançarina Ceci e por ela se apaixona. Divide-se entre as duas mulheres, trabalha muito, dorme pouco, vive gripado e fraco. Denunciado pela mãe de Lindaura como raptor e sedutor de menores, é obrigado a se casar sob pena de prisão.

Descobre-se tuberculoso. Vai para Belo Horizonte e tenta recuperar sua saúde. Volta ao Rio de Janeiro, reencontra Ceci e abandona Lindaura. Em encontros ocasionais, engravida Lindaura. Ceci o deixa, e Lindaura perde o bebê. Uma tragédia de uma meteórica vida. Morre antes de completar 27 anos.

O grande sambista Wilson Batista apelou quando o chamou de “Frankstein da Vila” em música que fez parte da celebre disputa musical travada entre dois dos maiores sambistas brasileiro. Boêmio de muitos amores, Noel trocou a medicina pelo samba e compôs quase três centenas de clássicos da MPB. Dos seus conhecimentos como acadêmico de medicina ele compôs o anatômico samba ‘Coração’.

Foi diplomado em matéria de sofrer e no samba. Em o ‘X do problema’ ele mostra as suas credenciais: “Eu fui educado na roda de samba, eu fui diplomado na escola de samba, sou independente conforme se vê.”

Participa de uma linha evolutiva que tem início com o ‘Boca do Inferno’, passa pelo Sargento de Milícias e deságua na melhor musica popular universal brasileira. Como cronista canta a alma feminina e, décadas depois, terá um herdeiro da estatura de Chico Buarque de Holanda.

Sua primeira composição foi ‘Minha Viola’ (Minha Viola ta chorando com razão / por causa de uma marvada / que roubou meu coração). Influencia da música nordestina que chegava ao RJ. Rio de Janeiro, cidade mulher, cantada por Noel – um dos grandes cronistas de uma época em rápidas transformações. O cinema falado estava chegando e Noel canta as transformações que aquilo ia provocar na fala do malandro e seus Alô Boy.

O poeta da vila teve grandes parceiros da estatura de Cartola, Braguinha (João de Barros) e Lamartine Babo. Com André Filho fez filosofia. Com o grande poeta Orestes Barbosa compôs positivismo. Com o pintor e sambista Heitor dos Prazeres ele fez pierrot apaixonado. Um dos seus mais profícuos parceiros foi o paulista do Braz Oswaldo Goliano (Vadico), com quem compôs os célebres ‘Feitiço da Vila’, ‘Feitios de Oração’, ‘Só pode ser você’, etc.

“Quem nasce lá na Vila/ nem se quer vacila / ao abraçar o samba, / que faz dançar os galhos do arvoredo/ e faz a lua nascer mais cedo.”

Em dezembro de 2010 foi comemorado o centenário de nascimento de Noel Rosa. No Brasil muitas comemorações em homenagem a esse maravilhoso compositor e poeta. Ocasião para ouvirmos sua música e assistir ao filme do Ricardo Van Steen, um dos filmes exibidos no 18º FestNatal. A história de um dos maiores compositores brasileiro de todos os tempos.

Um elenco primoroso de atores conhecidos e desconhecidos. Noel Rosa é vivido pelo excelente ator Rafael Raposo e Ceci (a dama do Cabaré) é protagonizada pela esfuziante e bela Camila Pitanga. Noel conhece o compositor Ismael Silva (Lazaro Ramos) – jogando chapinha, e entra definitivamente no mundo do samba e da malandragem. Conhece Cartola e outros grandes sambistas.

Um de seus últimos sucessos é a antológica canção ‘Último Desejo’, em homenagem ao seu grande amor, Ceci.

Nosso amor que eu não esqueço, e que teve o seu começo
Numa festa de São João
Morre hoje sem foguete, sem retrato e sem bilhete,
sem luar, sem violão
Perto de você me calo, tudo penso e nada falo
Tenho medo de chorar
Nunca mais quero o seu beijo mas meu último desejo você não pode negar
Se alguma pessoa amiga pedir que você
lhe diga
Se você me quer ou não, diga que você
me adora
Que você lamenta e chora a nossa separação
Às pessoas que eu detesto, diga sempre que eu não
presto.
Que meu lar é o botequim, que eu arruinei sua vida
Que eu não mereço a comida que você pagou pra mim

Assis Valente
No dia 19 de março de 1911 nasceu um dos maiores compositores brasileiro de todos os tempos, o baiano José de Assis Valente. Pergunto-me o que acontece com a memória e a cultura desse país. Pouco ou nada ouvi falar sobre Assis Valente nessa importante efeméride da cultura brasileira. Trata-se de um gênio da nossa música autor de alguns dos grandes clássicos do cancioneiro brasileiro. Valente compôs sambas e canções cantadas em todas as épocas do ano. Para o Dia de Natal de 1932, ele compôs deprimido a pungente e antológica ‘Boas Festas’

Anoiteceu, o sino gemeu
E a gente ficou feliz a rezar…
Papai Noel, vê se você tem
A felicidade pra você me dar
Eu pensei que todo mundo
Fosse filho de Papai Noel
E assim felicidade
Eu pensei que fosse uma
Brincadeira de papel
Já faz tempo que eu pedi
Mas o meu Papai Noel não vem
Com certeza já morreu
Ou então felicidade
É brinquedo que não tem

Para o dia da São João, Valente compôs ‘Cai Cai Balão’, gravado pela dupla Francisco Alves e Aurora Miranda

Cai, cai, balão! / Você não deve subir / Quem sobe muito /
Cai depressa sem sentir / A ventania / De sua queda vai zombar
Cai, cai, balão! / Não deixe o vento te levar / Numa noite na fogueira
Enviei a São João / O meu sonho de criança / Num formato de balão
Mas o vento da mentira / Derrubou sem piedade / O balão do meu destino
Da cruel realidade / Atirada pelo mundo / Eu também sou um balão
Vou subindo de mentira / No azul da ilusão / Meu amor foi a fogueira
Que bem cedo se apagou / Hoje vivo de saudade / É a cinza que ficou!

O compositor de dezenas de grandes clássicos da Música Popular Brasileira teve uma vida infeliz com reflexo visível nas letras de suas músicas, como as acima mencionadas. Compôs também muitas músicas para o carnaval. Em 1936 o Bando da Lua grava a deliciosa ‘O que é que Maria tem?’

Que vantagem Maria tem?
É boa
Como é que Maria vive?
À toa
Com quem é que Maria mora?
Comigo
De quem é que Maria gosta ?
Não digo !
Não digo, porque tenho a certeza…

Um dos seus primeiros clássicos é uma canção que satirizava a mania dos granfinos de falar francês ‘Tem Francesa No Morro’, gravada pela atriz de teatro de revista Araci Cortes.

Donê muá si vu plé lonér de dancê aveque muá
Dance Ioiô
Dance Iaiá

Si vu frequenté macumbe entrê na virada e fini por sambá
Dance Ioiô
Dance Iaiá

A bombshell Carmen Miranda, por quem Assis Valente foi apaixonado, foi uma das principais intérpretes do compositor e gravou muitos dos seus grandes e eternos sucessos: ‘Minha Embaixada Chegou’, ‘Camisa Listrada’, ‘E o mundo não se acabou’, etc.

Outros interpretes valentianos foram os grandes conjuntos musicais que pontificavam no Brasil na grande fase de ouro da MPB: Bando da Lua, Quatro Ases e um Coringa, Os Diabos do Céu, etc

Meu moreno fez bobagem. Vestiu uma camisa listrada e saiu por ai tocando reco-reco. No emblemático dia 13 de maio de 1941, o protéico deprimido e devendo muito, tenta o suicídio pulando do alto do Corcovado. Por um milagre não morre preso nas folhagens de uma árvore. Sua situação psicológica e financeira não melhora e em 1950 tenta novamente o suicídio cortando os pulsos. O grande compositor escapa, mas não melhora sua vida conturbada, inclusive por uma sexualidade difícil de assumir pela repressão. Em 1958 o triste e genial compositor põe fim à sua vida tomando guaraná com formicida. Uma vida breve de alguém que viveu torturado e compôs belas musicas tristes e alegres num chiaroscuro de uma existência cujas forças do mal não conseguiram ser contidas. Entre a alegria e tristeza ele viveu. O samba ‘Alegria’ ao mesmo tempo que louva a batucada é triste ‘Só por causa do batente’.

Alegria pra cantar a batucada,
As morenas vão sambar,
Quem samba tem alegria,
Minha gente era triste, amargurada,
Inventou a batucada,
Pra deixar de padecer,
Salve o prazer, salve o prazer.

Da tristeza não quero saber,
A tristeza me faz padecer,
Vou deixar a cruel nostalgia,
Vou fazer batucada,
De noite, e de dia vou cantar.

Alegria pra cantar a batucada,
As morenas vão sambar,
Quem samba tem alegria,
Minha gente era triste, amargurada,
Inventou a batucada,
Pra deixar de padecer,
Salve o prazer, salve o prazer.

Esperando a felicidade,
Para ver se eu vou melhorar,
Vou cantando, fingindo alegria,
Pa a humanidade,
Não me ver chorar.

Suas músicas foram depois gravadas por grandes interpretes da MPB. No filme de Carlos Diegues “Quando o Carnaval Chegar”, Chico, Nara e Bethânia cantam ‘Minha Embaixada Chegou’. Em um dos maiores discos da MPB, Acabou Chorare, os Novos Baianos cantam a sua música mais conhecida e cantada ‘Brasil Pandeiro’. A musa da Bossa Nova também gravou de Assis Valente o ‘Fez Bobagem’. Musica composta por Valente após sua primeira tentativa de suicídio, e gravada inicialmente pela grande Aracy de Almeida.

Assis Valente foi um grande cronista do Rio de Janeiro. Com a divulgação da descoberta pelos astrônomos do asteróide Hermes e sua possível ameaça de se chocar com a Terra ocasionando uma tragédia, o compositor Assis Valente compôs em 1938 um dos seus mais belos e antológicos samba-choro.

Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar
Por causa disto a minha gente lá em casa começou a rezar
Até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada
Por causa disto nesta noite lá no morro não se fez batucada
Acreditei nessa conversa mole
Pensei que o mundo ia se acabar
E fui tratando de me despedir
E sem demora fui tratando de aproveitar
Beijei a boca de quem não devia
Peguei na mão de quem não conhecia
Dancei um samba em traje de maiô
E o tal do mundo não se acabou

Peguei um gajo com quem não me dava
E perdoei a sua ingratidão
E festejando o acontecimento
Gastei com ele mais de quinhentão
Agora soube que o gajo anda
Dizendo coisa que não se passou
Ih, vai ter barulho e vai ter confusão
Porque o mundo não se acabou

Outro grande sucesso de Assis Valente foi gravado por Carmen Miranda, antes de retornar à América para tristeza do compositor. O bem humorado samba-choro Recenseamento, em que o malandro na penúria tem a sua vida devassada pelo recenseamento de 1940.

Em 1940
lá no morro começaram o recenseamento
E o agente recenseador
esmiuçou a minha vida
que foi um horror
E quando viu a minha mão sem aliança
encarou para a criança
que no chão dormia
E perguntou se meu moreno era decente
se era do batente ou se era da folia

Obediente como a tudo que é da lei
fiquei logo sossegada e falei então:
O meu moreno é brasileiro, é fuzileiro,
é o que sai com a bandeira do seu batalhão!
A nossa casa não tem nada de grandeza
nós vivemos na fartura sem dever tostão
Tem um pandeiro, um cavaquinho, um tamborim
um reco-reco, uma cuíca e um violão

Fiquei pensando e comecei a descrever
tudo, tudo de valor
que meu Brasil me deu
Um céu azul, um Pão de Açúcar sem farelo
um pano verde e amarelo
Tudo isso é meu!
Tem feriado que pra mim vale fortuna
a Retirada da Laguna vale um cabedal!
Tem Pernambuco, tem São Paulo, tem Bahia
um conjunto de harmonia que não tem rival
Tem Pernambuco, tem São Paulo, tem Bahia
um conjunto de harmonia que não tem rival

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João da Mata

Comentários

7 comments

  1. Maria Aparecida Anunciata Bacci 8 novembro, 2016 at 16:15

    Testo espetacular,uma bela viajem pela história do samba, e seu maiores expoentes,que fizeram e cantaram as mais lindas musicas do nosso país.parabéns para o autor mais uma vez nos encantado e nos transmitindo tanta cultura.

  2. João da Mata
    João da Mata 10 novembro, 2016 at 13:21

    Obrigado Maria Bacci pela leitura do texto. O samba é mesmo uma das minhas paixões . Abraços

  3. João da Mata
    João da Mata 10 novembro, 2016 at 13:23

    Henrique Brito, natalense parceiro de Noel Rosa

    João da Mata

    O natalense HB foi um gênio “Heinriquieto” da MPB. Compôs com Noel Rosa ( 1930 ) a belíssima Queixumes / meu sofrer gravada inicialmente por Gastão Formenti. Muito do que sabemos sobre sua vida deve-se à maior patente do Rádio do Brasil, Almirante (Henrique Foreis Domingues). Participante com Noel Rosa e Henrique do celebre bandos do Tangarás. Gênio precoce aos 12 anos tocou no Teatro Alberto Maranhão várias peças com um única corda.

    O governador Antônio José de Melo e Souza custeou sua ida para o Rio de Janeiro, onde travaria contato com os gênios da nossa musica. Para Almirante, grande conhecedor da nossa música e autor do belo livro No Tempo de Noel Rosa, Henrique exibiu o primeiro violão elétrico ate então conhecido no meio musical. No EUA ele apresentou sua novidade logo aproveitada por um industrial de San Francisco que registrou a patente e deu de consolo a Henrique um violão de presente.

    Henrique tinha um comportamento arredio e desligado. Numa excussão com os colegas pelas matas do Trapicheiro, encontrou um revolver velho e apontou para o seu cérebro, falando – vou me matar. Nada acontecendo apontou a arma para um colega de nome Jacob, dizendo: – vou te matar. O tiro foi mortal.

    Henrique Brito foi um dos criadores do Bando dos Tangarás. No período de 1929 a 1931 compôs vinte e sete melodias. Um gênio da nossa música falecido precocemente de septicemia aos 27 anos. Em 1932, viaja aos EUA para participar da Brazilian Olympic Band do maestro Romeu Silva, que acompanhava a delegação brasileira aos Jogos Olímpicos de Los Angeles. Fugiu do navio que trazia a delegação e só apareceu um ano depois, trazendo um violão amplificado, cuja ideia original foi sua.

  4. João da Mata
    João da Mata 11 novembro, 2016 at 11:12

    Parabéns Paulinho da Viola 74 anos. Com muito samba e alegria. Qual o melhor samba na sua opinião caro leitor do Substantivo Plural?

  5. João da Mata
    João da Mata 15 novembro, 2016 at 18:40

    Boa sugestão Andiara Freitas. Farei esse levantamento a partir do grande Henrique Brito, natalense parceiro de Noel Rosa ( texto acima ). Já falei também do grande Raymundo Olavo, das Rocas. Compositor de Normélia. As Rocas é um celeiro de sambistas. Abraços

  6. João da Mata
    João da Mata 18 novembro, 2016 at 09:43

    Lamento – Choro Chorado

    Lamento que Sérgio Cabral Filho ( do PMDB) filho do grande Sérgio Cabral com quem aprendi tanto sobre a Música Popular Brasileira esteja envolvido num grande escândalo de propinas robustas.

    Rio de Janeiro belo de contraventores bicheiros e outros é palco de um enredo que não sei qual o samba dará. Que Deus Dará. Sei que tudo vai acabar num Samba.

    Que o samba seja de passar o país a limpo. De transparência tomara.

    E que musas tão gulosas. Ou de maridos tão generosos e amorosos.
    De iates e helicópteros com anel de oitocentos mil reais.

    De Rosinhas e Garotinos tão piedosos, mas não precisava tanto roubo. Vocês roubaram tudo, mas a poesia é nossa. E o samba enredo já está sendo feito.

    O tema vocês deram. O motivo, o choro e o lamento. Não será um samba exaltação, mas um grande samba irá celebrar seus feitos.

    João da Mata Costa

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