Crônicas e Artigos

Da genialidade de Manoel Dantas

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O Seridó deve ter orgulho de seus filhos. De todos! Evidentemente alguns se destacaram mais e, portanto, merecem registros diferenciados. É o justo caso de Manoel Gomes de Medeiros Dantas que, no último 26 de abril, foi lembrado por ocasião dos 150 anos de seu nascimento em 1867.

Manoel Dantas, jurista, professor, jornalista e político, filho do casal Manuel Maria do Nascimento Silva e Maria Miquilina de Medeiros, ocupou diversos cargos importantes na vida pública do Rio Grande do Norte, inclusive, a Prefeitura de Natal. Também foi fundador dos importantes jornais “O Povo” em Caicó-RN (1889), “Diário de Natal” (1893) e “Estado” em Natal-RN (1895). Caicoense, nasceu aos 26 dias do mês de abril de 1867 e faleceu, em Natal-RN, aos 15 de junho de 1924.

Segundo pesquisa criteriosa de Olavo de Medeiros Filho, um dos maiores genealogistas do Seridó, Manoel Dantas era neto paterno de João Gomes da Silva e Luzia Úrsula de Medeiros. Pela mãe, neto de Cristovão Vieira de Medeiros e Francisca Umbelina da Silva. Ainda segundo o Mestre Olavo (in memorian), Manoel Dantas, por Luzia Úrsula de Medeiros, chegava ao casal Caetano Dantas Correia e Luzia Maria do Espírito Santo, proeminentes da família Dantas de numerosa prole. Portanto, de um lado ou outro, tem vínculos profundos na história dos primeiros do Seridó.

Ademais, também por casamento, se firmou ainda mais seridoense. Casou no Acari de nossas raízes com Francisca Augusta Bezerra de Araújo, filha do líder político Silvino Bezerra de Araújo Galvão e de Maria Febrônia de Araújo (Dona Bembém). Reforçou, em consequência, também os laços que, desde o princípio, unem Acari a Caicó.

Manoel Dantas escreveu livros, artigos e fez conferências, inclusive, sobre a denominação dos municípios potiguares. Uma das mais famosas, entretanto, é “Natal d´aqui há cincoenta annos”. A palestra proferida no Salão de Honra do Palácio do Governo, no já distante 21 de março de 1909, é marcada por apresentar uma visão futurística sobre Natal, projeção que fez – e acertou – sobre vários aspectos da cidade. Foi, por exemplo, o primeiro a dizer – em 1909 – que Natal precisava cuidar das dunas, plantando a vegetação adequada para evitar que o vento cobrisse a cidade de areia. E foi além ao dizer que tais dunas teriam, 50 anos depois, “casinos e hotéis monumentaes coroados de altos terraços, onde os aeroplanos vem aterrar; as estações da estrada de ferro aérea que corre pela crista dos morros até Guarapes, despertando sensações e bellezas estranhas”. Guardadas as proporções e a legislação hoje em vigor, previu a Via Costeira, hoje Avenida Dinarte Mariz.

Na mesma dita conferência, Manoel Dantas previu a construção de um edifício alto onde haveria um “mostrador enorme” onde, a noite, “de minuto em minuto, as notícias de última hora que vão chegando de todas as partes do mundo pelo telegrapho sem fio e as linhas especiaes”. Muito fácil dizer hoje, mas estávamos em 1909 quando não existia televisão e, muito menos, internet. Somente, portanto, alguém com lampejos de genialidade poderia olhar mais longe e identificar evidências do futuro.

Manoel Dantas fez mais! Tem registros de sua atuação na educação, no jornalismo, na política e no judiciário. Foi, aliás, o primeiro Juiz Federal do Rio Grande do Norte, segundo pesquisa recentemente divulgada. Além de tantas contribuições, ainda tinha tempo para ser fotógrafo e, por ele, Natal de seu tempo foi eternizada em películas de grande valor histórico.

Dentre os presentes que o Seridó ofereceu ao Rio Grande do Norte, seguramente, Manoel Dantas foi um dos mais expressivos. É honrosamente devido, para todos nós, o revigoramento de sua data e a lembrança de seu legado.

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Fernando Antonio Bezerra

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