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CINEMA: Conversas com Fábio DeSilva

Fabio DeSilva

Segue o resultado do primeiro encontro, de um total de seis, que o Substantivo Plural terá com diretores, roteiristas e produtores do projeto Destino Coletivo – reunião de profissionais com a proposta de gerar um longa-metragem a partir da junção de cinco curtas, cujas narrativas terão um tema onipresente: o dia seguinte.

A conclusão da quina de filmes está prevista para o semestre inicial de 2017, quando a rede Cinépolis entrará como parceira para exibi-los em suas salas – além de participarem de festivais de forma independente.

Cineasta dos mais competentes por estas bandas, sócio da Setbox Filmes (www.setboxfilmes.com.br), professor universitário e um dos coordenadores da Cinemateca Potiguar, Fábio DeSilva é quem diz “Ação!”.

Mas, antes, um pouco de proselitismo de minha parte.

Defendo a ideia de que qualquer pessoa eleita vereadora, deputada e, principalmente, governadora deveria ler uma dúzia de livros básicos sobre história e cultura potiguar.

Talvez selecionados por um grupo de ‘notáveis’, para reforçar o apego à própria terra e relembrar que vivemos em uma Federação, o que permite ações exclusivas e alusivas a cada unidade. E nada melhor para revelar (ou vender, como queiram) a identidade de um lugar do que a arte que ele produz.

Caso meu delírio vingasse, e esqueçamos o retorno educacional, na segurança pública, etc, creio que muita bandalheira com dinheiro alheio seria brecada, pois não é possível que essa gente despreze o prazer de escutar uma música, ver um filme ou ler um romance bem acabado, feito por um conterrâneo, às vezes, um amigo – como muitos vibram e patrocinam os gols de ABC e América, tão minguados em esfera nacional.

Voltando ao cinema, Ensaio de Roteiro é o título do conto audiovisual de 15 minutos proposto por Fábio DeSilva (roteiro e direção) inspirado livremente na peça de Jean Paul Sartre, Entre Quatro Paredes (Huis Clos) – a da aforística “O Inferno são os outros”.

“Quando eu pensei nesse filme, não pensei em Sartre, pensei em Roman Polanski, em Deus da Carnificina. Nesse filme, são quatro atores dentro de um apartamento que começam a se questionar, com o filho de um deles sendo atacado pelo o do outro. Quando eu pesquisava sobre esse filme de Polanski, eu vi a frase O Inferno São os Outros. Aí cai na peça de Sartre e enlouqueci. Isso eu já tinha escrito metade do filme”.

Tudo acontece durante a virada de um dia para outro (da noite anterior à alvorada seguinte), com quatro atores e um diretor discutindo, dentro de um loft, o processo de criação de personagens e a linguagem a ser adotada em um curta-metragem.

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“É um filme que estou trabalhando com máscaras sociais. Qual é a premissa que o filme fala? Que todos nós temos máscaras o tempo todo, para o que nos convém. Quem realmente somos? A gente consegue se vê no espelho ou nos vemos nos outros? Só que no filme, em um determinado momento, elas vão começar a cair, porque começam os conflitos. Ali cada um será carrasco do outro e dele próprio”.

Joel, Zeca, Luana, Débora e Camille, todos com idade entre 25 e 40 anos. Uma ruiva sexy e fútil; um moreno irrequieto e escrachado, porém sensato; uma baixinha maluca, a mais preparada como atriz; e um ex-casal.

Fábio confessa que a figura do diretor é pautada no diretor teatral José Celso Martinez Corrêa.

“A câmera vai respirar, estará livre procurando o ator o tempo inteiro, e não o contrário. É uma coisa bem naturalista. É tanto que a luz é naturalista”.

A ideia do Destino Coletivo seria realizar cinco filmes publicitários para divulgar o cinema potiguar no Sul e Sudeste do país. Logo a ficção substituiu o marketing explícito, o que permitiu maior liberdade criativa para atores e diretores.

“Seria um material publicitário. Nós íamos produzir portfólios para vender os atores. Aí nós dissemos: ‘Peraí, temos produtores, diretores, podemos fazer curtas e nos vender de outra forma e aquecer a cena audiovisual”.

Antes de qualquer linha escrita para os roteiros, um sorteio de atores decidiu, aleatoriamente, quem trabalharia com quem. “O processo foi inverso. E para piorar, teremos que equalizar a carga dramática para cada um deles aparecer da mesma forma pungente. Eu trabalhei muito em cima disso aí”.

Com os atores previamente selecionados (seus nomes verdadeiros também são os das personagens), Fábio brincará com a especulação entre o real e o irreal.

“Eu e a equipe esperamos que o público não perca essa noção. O que está sendo interpretado? O que realmente faz parte deles mesmo? Esse é o grande jogo do Ensaio do Roteiro. Se a gente conseguir isso, vamos atingir o objetivo do filme”.

Fábio avisa que as filmagens começarão após a Semana Santa – o primeiro filme, Cena Roubada, dirigido por Kako Gomes, com roteiro de César Ferrário, já foi rodado.

Aprovado na Lei Djama Maranhão de incentivo à cultura, os altos custos de produção foram amenizados por uma boa aceitação ao financiamento coletivo proposto pelo combo Destino no site Catarse.

Mas a luta por verba continua.

“Nós queremos fomentar o audiovisual, não ganharemos nada em dinheiro por isso”.

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