Crônicas e Artigos

Escola sem Partido e Donald Trump: maré de fanáticos

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” Não sabemos o que passa. E é isso que se passa.” Ortega y Gasset.

O Estado de Exceção como narrativa política e jurídica é uma realidade na vida de todos nós. Temer e Trump são expoentes da mesma. Estamos lançados naquilo que Giorgio Agamben denominou de “vida nua”. Isto é, como o homo sacer estamos desprovidos de direitos sociais e de liberdades individuais. Neste sentido, há um tribunal de exceção que se legitima na legalidade e por uma narrativa autoritária que reúne adeptos no mundo inteiro.

A democracia como regime que nos prometeu a igualdade e o reconhecimento das diferenças se esvai. O medo – como advertiu Hobbes- é retomado na esfera política e , por isso, a maioria tenha preferido negociar sua liberdade por uma retórica da segurança, advinda dos discursos histriônicos a la Trump, Doria ou Bolsonaro. Querem um soberano autoritário que faça do seu corpo aquilo que contém ou representa melhor a sociedade.

O debate ideológico ficará cada vez mais forte e teremos de rever métodos e práticas. A dimensão moral quando substitui a política vira uma tragédia fundamentalista, pois cada ator social se fecha em sua mônada corporativa e deseja eliminar simbolicamente os interesses do outro. O diálogo se encerra e se instala o ódio moral como argumento.

Assistimos a espetáculos e histerias de seguidores fanáticos ou de extremistas tal como os do juíz Moro, que já foi chamado de um novo Savonarola. A questão que se coloca: “como curar um fanático”? Se concordamos com o escritor Amós Oz , a primeira coisa que um fanático quer atingir é a imaginação já que é com ela que mobilizamos o pensamento e somos capazes de percepções amplas e plurais diante do mundo. O exemplo disso é o discurso daqueles que defendem o projeto da Escola sem Partido e seus moralismos e conteúdos ideológicos acríticos. Além de contribuir para a instauração de normas jurídicas que legitimam os discursos de perseguição aos educadores. Querem deslegitimá-los perante alunos e sociedade instituindo a punição e o medo como métodos sobre docentes.

Eliminar um educador é, certamente, contribuir para a morte da imaginação como querem os fanáticos. Para quê o educador? Para aquilo que se perguntou Hölderlin sobre os poetas em tempos indigentes. Serve para contribuir com a magia dos livros e apresentar mundos de “cidades esplêndidas”(Rimbaud).

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