Fim da linha para o Ministério da Cultura

Tácito Costa
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Caiu Marcelo Calero, ministro da Cultura. Não deu sequer tempo de a gente perceber que tinha alguém no cargo.

Deve ter se arrependido pouco de ter assumido o ministério! Embora estivesse no governo de um poeta, o que hipoteticamente pressupõe algum compromisso com a arte.

Já disse por aí, poeta é quem se considera poeta, e não retiro, mas certamente há limites para tudo nessa vida.

Assumiu o deputado Roberto Freire, que está para a cultura como eu para a física quântica. É terrível que o MinC tenha ido parar nas mãos de um cara que chegou a defender sua extinção no Twitter. Surreal é pouco.

A substituição só pode ser pensada como uma vingança de Temer contra os que lutaram pela permanência do MinC, tipo “vocês ganharam, mas não levam”.

Ou seja, o ministério permanece, mas esvaziado, cumprindo papel apenas decorativo, coisa que o ex-vice entende bem.

ladeira

Decorativo, mas com a função de entregar o patrimônio histórico do país à especulação imobiliária, como ficou claro no achaque patrocinado por um dos homens fortes do governo, conhecido em passado recente como “anão do orçamento”, ministro Geddel Lima.

Hoje (22.11) tive acesso a um estudo realizado pelo ex-secretário executivo do Ministério, João Brant que reforça ainda mais a tese de desmonte do MinC, que também será duramente atingido pela PEC 55, mais conhecida como a “PEC do Fim do Mundo” .

“Mantidas as condições atuais, em cinco anos, a pasta pode perder 33% do seu orçamento nominal, o que significaria a perda de cerca de 90% de seu orçamento voltado para ações finalísticas, que inclui todos os editais, obras (inclusive do PAC Cidades Históricas) Fundo Nacional de Cultura, convênios com estados e municípios, entre outros”, aponta o documento.

Portanto, perspectivas sombrias também para a cultura no âmbito da famigerada PEC 55. E eu fiquei pensando aqui com os meus botões se Calero não teria se dado conta da fria em que entrou e aproveitou o achaque de Geddel para pegar o beco antes de o barco afundar de vez. Eu que não duvido!

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Tácito Costa

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