Crônicas e Artigos

O grito dos histriônicos

Brazil's defender David Luiz celebrates scoring during the quarter-final football match between Brazil and Colombia at the Castelao Stadium in Fortaleza during the 2014 FIFA World Cup.   (Vanderlei Almeida/AFP-Getty Images)

Fala do atual ministro da cultura, Roberto Freire, em resposta às críticas do escritor Raduan Nassar ao governo Michel Temer, foi um berro de “cala a boca!”

Quando a verdadeira poesia fala só temos duas possíveis reações: ora nos calamos, ora esbravejamos. Isto porque a poesia é da mesma natureza da sabedoria.

Quando fala a sabedoria, os dessabedores batem boca. O argumento maior do dessabedor é o inconfundível berro de “cala a boca”.

Quando Roberto Freire, optando por quebrar o protocolo e falar por último, depois de Raduan Nassar, já deixava claro que seu argumento era o dos dessabedores, sua fala final seria o cala a boca dos que nada têm a dizer em sua defesa.

Rugiu como um leão, mas cônscio de que seu bate-boca era impotente para devorar a presa, porque não havia como engolir suas palavras.

A palavra do poeta não cabe nos intestinos dos dessabedores, eles têm entranhas rudes, toscas, primitivas, incapazes de digerir e sublimar palavras sabedoras.

São máquinas trituradoras de gritos de cala a boca. Jamais refinariam qualquer outra joia rara, oriunda das entranhas da sabedoria. Rugiu como um gato vadio, cuja memória dos régios tempos de Leão jazia há muito perdida.

Grito, argumento tosco e o rugido de gato vadio

Os argumentos do dessabedor foram, como esperado, os mais toscos. Que não viesse aqui, receber o que lhe cabe por direito e só lhe damos por ser obrigados.

Pagamos em dinheiro, receba-o e cale-se, porque é nosso costume comprar vosso silêncio! Como um histriônico pechou de histriônico o sabedor das palavras.

Quanta blasfêmia! Quanta impudência! E o poeta quedou-se no silêncio, porque o silêncio é a palavra maior nascida do ventre da sabedoria. Enquanto aquele berrava infamemente o discurso dos infames.

De fato. Toda a razão tinha o poeta da terra, o homem que lavrou palavras para aprender a arar a terra: não há como ficar calado! A palavra e o silêncio foram ditos com a majestade dos que sabem.

Mas não dá para ficar calado, quando a brisa da verdade sopra e arde em nossa cara, por isso também rugiu o gato vadio, encrespando os pelos e dando à cara a máscara do ódio.

A fúria dos que unicamente sabem que só lhes resta dizer “cala a boca!”, porque não possui o engenho das palavras quem afastado da verdade só ao grito obedece!

E o resto é silêncio! Disse-me o poeta maior de todas as nações, William Shakespeare! (leia uma resenha da poeta Carmen Vasconcelos sobre Hamlet)

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Edilberto C.

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