Crônicas e Artigos

História, artes, corpo – O direito aos sentidos

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Como todos sabem, o desgoverno temer está impondo – sem debate, sem consulta aos cidadãos – graves mudanças no Ensino Médio, que incluem a eliminação de Artes e Educação Física.

Sou Historiador e Professor de História. Entendo essa eliminação como ato de negar o Direito à Sensibilidade (Linguagens, Corpo). E penso que ela tem consequências desastrosas também para o campo do Conhecimento Histórico. Eurípedes é Arte. Jesse Owens é Físico educado. Edward Hopper é Arte. Pelé é Físico educado. Boccaccio é Arte. Tommie Smith e John Carlos são Fisicos educados. Shakespeare é Arte. Muahamad Ali é Físico Educado. Debussy é Arte. Garrincha é Físico Educado. Etc, etc, etc, etc.

Ainda não li editoriais enfurecidos na grande imprensa nem falas agressivas de grandes acadêmicos contra esse descalabro. O pessoal que defendia História Antiga não percebeu o desastre que significa os jovens não lerem Homero nem verem Sófocles encenado, não entenderem luta greco-romana nem maratona? O pessoal que defendia História Medieval não atentou para o atentado que representa os estudantes desconhecerem Dante Alighieri e canto gregoriano, não compreenderem o que significa montar um cavalo nem andar a pé longuíssimas distâncias? O pessoal que defendia História Moderna (com destaque para o Renascimento) não percebeu o que é nunca ter lido Camões nem visto O Nascimento de Vênus ou a Pietá, sem esquecer dos estudos de Anatomia feitos por Leonardo e tantos mais? O pessoal que defendia História Contemporânea não sacou que nosso s quase adultos deixarão de ler Dostoiévsky e de ver as maçãs de Cézanne, que não mais compreenderão as mudanças físicas nos seres humanos crescentemente urbanizados?

A perda do direito ao corpo (músculos, cérebro) é algo mais que assustador. Distopia é pouco.

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