LiteraturaPoesia

Colaborador deixa a crônica de lado e traz um poema dessa vez

flor de milho

Poema Inacabado

O caule vaza a ascética pira.
Estende o grão do fruto
em direção ao ouro.
(O el-dourado do insepulto
toma e torna a haste verde
em semeadura de enigmas
do broto paraibano.)
Rasga as vestes o indecifrável.
Sorve o espesso líquido grená
que nutre e transborda
das janelas descrentes.

O sesmo vê-se rasgado
pela semente do evangelho,
da ampulheta,
da geografia,
da biografia sem plumas.

Desnudo, revela o abismo
do irremediável tabuleiro,
cindindo o preparo do presente
e fundindo a pedra,
a carne
e o sonho,
em estrutura densa,
mítica e mística.
Gérmen substantivo
do espaço inalcançável
pela razão.

Venha, Flor do Milho!
Dance ao sopro telúrico do vento!
Inaugure, no sequioso córrego,
o azul da primavera.

Venha, cândida Eva!
Traspasse a acústica do músculo.
Renove o silente lunar,
alicerçando-o em pedra-satélite,
em pedra-solar.

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Italo de Melo Ramalho

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