Leonam Cunha retorna ao poema, agora inspirado em Manoel de Barros

Tácito Costa
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Um dos mais talentosos poetas da nova geração, Leonam Cunha, lançará quinta-feira, 27, às 19 horas, no Mahalila Café & Livros, em Potilândia (próximo ao Deart – UFRN) o seu terceiro livro de poesia, “Condutor de Tempestades”.

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Antes, ele já havia lançado “Gênese” (2012) e “Dissonante” (2014), todos pela editora Sarau das Letras. Nada mal para um jovem que se lançou literariamente há pouco tempo e tem uma longa estrada para percorrer. Eu levo muito fé nele e em Maluz, pra mim dois nomes que ainda darão muito o que falar na seara poética do Rio Grande.

O novo livro é uma homenagem ao poeta Manoel de Barros (reparem, Manoel é Leonam lido de traz pra frente), que este ano completaria 100 anos de idade. A inspiração de “Condutor de Tempestades” é “manoelina’, com seus “inutensílios”, “miudezas”, “inutilidades”, mas nas frinchas dos poemas, o leitor atento perceberá a dicção bem pessoal do poeta potiguar.

E eu gostei do tempero que o poeta potiguar acrescentou na poesia do bardo mato-grossense. Tornou-a mais interessante, eu que andei me queixando de ter abusado, enjoado da forma meio previsível como Manoel escreve.

“…a escrita poética de Leonam Cunha margeia as estranhas zonas de desassossego, apanhando-nos por inteiro, levando-nos à reflexões, em meio a sensações intensas que movimentam o fino fio da sua literatura”, diz na orelha a professora-doutora em Literatura, Marta Gonçalves.

O livro tem uma capa muito bonita, aliás, o projeto gráfico é impecável, e traz ainda apresentações dos poetas David Leite e Rizolete Fernandes.

E agora uma nota pessoal. Respeito e admiro a poesia de Manoel de Barros, tem méritos inquestionáveis, mas não figura entre os meus poetas brasileiros favoritos, tipo, não o citaria numa lista de prediletos. Sei que é temerário dizer isso porque os fãs do poeta são por demais ardorosos, mas como diria aquele personagem de humor, “eu não sei mentir!” rs

Abaixo um aperitivo de “Condutor de Tempestades”:

“Se eu deixar de me perder,/certamente façam-me a cova”, em “ler é um bom mote para perder-se”.

“Não leio jornais./Evito essas notícias cheias de propósito”, em “não leio jornais”.

“Poeta é quem/ alarga o dia para entrar/fundo na noite” (“dia-rio – parte um”).

“Avançar além da idade é conservar infâncias” (“Vovó Gracinha”).

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Tácito Costa

Comentários

1 comment

  1. thiago gonzaga 25 outubro, 2016 at 21:18

    Caro amigo Tácito Costa,
    concordo com tudo que vc escreveu.
    Sou fã da poesia e do poeta.

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