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A literata Hilda Araújo

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Ainda falando de poetas e escritores, lembro a grandeza de vida e o conteúdo de qualidade produzido por Hilda Araújo. Poetisa, educadora, cronista, Hilda é filha de Odilon Salvino de Araújo e Maria Rosa de Medeiros, irmã de Ademar, Antonio, Américo, Antenor, Iracema, Iraci e Ignez. Nasceu no dia 7 de março de 1923 em Caicó-RN.
Ficou órfã de mãe muito cedo recebendo, em particular, o amparo do pai – Odilon – e dos avós paternos – Joaquim e Filomena – do Sítio Piató onde, com os irmãos e primos, passou momentos muito agradáveis da infância. Aplicada, foi uma das melhores alunas do Grupo Escolar Senador Guerra e do Educandário Santa Teresinha onde, tempos depois, também foi professora. No Rio de Janeiro, na Universidade Rural do Brasil, fez um curso intensivo sobre Serviço Rural e Assistência Rural e outro no Ministério da Agricultura sobre Economia Doméstica.

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Trabalhou também no Colégio Diocesano Seridoense, no Departamento Diocesano de Ação Social, na Prefeitura de Caicó e no Ministério da Educação. Na Prefeitura, foi Secretária de Educação durante o primeiro mandato de Manoel Torres de Araújo (1973/1977) à frente do Município de Caicó. Como servidora do Ministério da Educação trabalhou em Natal e Ceará-Mirim.

Desde cedo foi vocacionada às letras. Participou do teatro amador, fez trovas e poesias, foi assídua colaboradora do semanário “A Folha”, sócia do Clube dos Trovadores e cronista da Emissora de Educação Rural de Caicó por muitos anos. Em 1968 publicou, pela Fundação José Augusto, o livro “Cerca de Pedra”. O jornalista Nelson Patriota na Tribuna do Norte – edição de 04/05/2008 – comentou o livro dizendo, dentre outros argumentos, que: “não surpreende que os poemas de Cerca de Pedra guardem uma pureza, uma juventude, um frescor que são as marcas definidoras dos genuínos líricos, reveladores de um estado de espírito que se abeira do alumbramento ante os fatos mais triviais”. E assinala, cobrando a reedição do trabalho: “é verdade que, a par disso, um sentimento de intensa religiosidade se faz presente neles. Lírica e fé, porém, se somam para dar mais corpo e espírito aos poemas, como se a cada uma coubesse um parte essencial do labor poético.”

Muito escreveu Hilda e suas obras estão espalhadas em vários recantos, infelizmente, a maior parte sem publicação. Tem, contudo, a especial participação dela na composição do Ofício de Sant´Ana e São Joaquim para a Paróquia de Sant´Ana de Caicó: Deus vos salve, Ana / Mãe do Seridó / Singular e imenso / Bem de Caicó! / Ó Sant’Ana, Mestra / Cheia de pureza / Vosso ensinamento / Nos dá mais grandeza / Como professora / Segura e fiel / Com a Escritura / Nos levais ao céu / Quando aqui rezaram / Os nossos avós / Nunca se esqueceram / De rogar por nós / Vós sois venerada / Em todo o sertão / E nunca saístes / Do meu coração / Pela nossa festa / Peçamos a Deus / Sant’Ana intercede / pelos filhos seus. Monsenhor Antenor Salvino de Araújo, José Lucas de Barros e Iara Diniz também participaram da composição que, de fato, é uma das mais belas orações do povo caicoense.

Hilda Araújo é homenageada no Anfiteatro do Complexo Turístico da Ilha de Sant’Ana. Justa homenagem formalizada em Lei Estadual de iniciativa do Deputado Vivaldo Costa e acolhida, na forma legal, pela Governadora Wilma de Faria em cuja gestão (2003-2010) foi edificado o anfiteatro. Apesar da idade e das consequências de enfermidades que se acumularam na maturidade dos anos, Hilda, aos 93 anos, vive no Caicó de todos nós, na Vila Branca do Penedo, assim chamado o imóvel onde há muitos anos reside em companhia de seu irmão, Monsenhor Antenor.

Os familiares estimam que ao longo da vida, Hilda Araújo produziu material para outros muitos livros… Foram inúmeros os cadernos escritos com a sensibilidade de poeta e a técnica mais apurada da língua portuguesa. Hilda Araújo merece, portanto, ter sua obra pesquisada, colecionada e publicada. É preciso que as novas gerações a conheçam e saibam que se Caicó fosse sede de uma Academia de Letras, certamente, ela estaria em um dos mais destacados lugares.

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Fernando Antonio Bezerra

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