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Novos rumos para “Chão dos Simples”

Na história da literatura norte-rio-grandense, poucas obras de ficção, sobretudo na área do conto, obtiveram êxito de crítica e de público como o livro “Chão dos Simples”, do escritor Manoel Onofre Jr. Publicado pela Editora Clima originalmente em 1983, portanto, há 34 anos, a primeira e única obra do autor na área ficcional chegará a sua quarta edição em breve pela Editora Bagaço, de Recife.

Se porventura alguém acha que “Chão dos Simples” teve uma modesta recepção à época em que foi lançado, pelo menos da parte do público, vale destacar que a crítica foi bastante generosa com o livro, e escritores do porte de Anchieta Fernandes, Nelson Patriota e Veríssimo de Melo enalteceram o valor dos contos, que foram ganhando cada vez mais leitores com o passar dos anos, basta observar a fortuna crítica do livro, a qual informa que o mesmo foi trabalhado em sala de aula à época da sua primeira edição pela poeta e professora Anchella Monte, uma das grandes fãs do livro.

Interessante notar, como já dissemos, que o livro, com o passar do tempo, foi se enraizando, ou melhor, mantendo-se dentro da nossa tradição literária com bastante fõlego, e surgiu em segunda edição (1998), portanto quinze anos depois do seu lançamento, com um novo apelo, principalmente por outro motivo nobre: ter vários dos seus contos adaptados para o teatro pelo talentoso ator e teatrólogo Lenicio Queiroga, dando origem a “Chão dos Simples – A Peça”. Assim ganhava novamente jovens leitores, continuando a receber elogios, como por exemplo, o do crítico literário paraibano Hildeberto Barbosa Filho, que escreveu, na ocasião, artigo para o jornal “O Norte” de João Pessoa-PB, do qual destacamos o seguinte trecho: “A maneira de narrar, em Manoel Onofre Jr., é linear, novelesca. Estribado no modelo clássico do narrador oral, o escritor tende a modular, com o jeito à vontade de Trancoso, ou mesmo dos contistas célebres dos séculos XIV e XV, como Boccaccio e a Rainha de Navarra o movimento da ação, pondo em pauta principalmente o acontecimento-surpresa, o episódio inesperado, o que faz rir ou chorar, não importa, sempre, contudo, consciente dos poderes sugestivos das experiências vividas.

O estilo, por sua vez, se caracteriza: primeiro, pela precisão vocabular, entrevista sobretudo na recuperação de ditos e falares regionais que imprimem à frase aquele sabor típico de água de cacimba; segundo, pela clareza, concisão e habilidade no recorte verbal”.

Com duas edições bem sucedidas, passaram-se vários anos, até que em 2014, movido sobretudo por um apelo da nova geração de leitores, o autor acerta em cheio ao atender o convite da editora Sarau das Letras para fazer uma nova edição, dessa vez revista e ampliada. Edição luxuosa e com capa dura, novamente tem êxito de modo especial junto à juventude das escolas, mostrando que não perdeu o fôlego com o passar do tempo e deixa a nova geração encantada, sobretudo com a maneira de contar histórias, em linguagem simples, despojada, no mesmo nível de outro grande contista potiguar, Bartolomeu Correia de Melo.

Em 2017, “Chão dos Simples” deverá chegar a sua quarta edição, num momento oportuno, pois o livro acaba de ser adaptado para o cinema através do escritor e cineasta Edson Soares em parceria com o roteirista Rui Lopes, que escreveu o roteiro.

“Chão dos Simples” foi tomado como livro de leitura , em disciplina do mestrado na UFRN, vários dos seus contos amplamente discutidos, tornaram-se objeto de estudo, numa dissertação orientada pelo professor Dr. Derivaldo dos Santos. É interessante observar como a obra vem ganhando novos leitores, sobretudo jovens. E voltamos a afirmar o que já havíamos notado no prefácio da terceira edição: O livro “Chão dos Simples”, que está completando 34 anos de lançamento, continua atemporal e moderno.

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Thiago Gonzaga

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