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O que fazer na Natal de hoje?

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A convite da Tribuna do Norte, escrevi algumas dicas do que fazer no fim de semana. Justo eu, sempre afeito à paisagem de minha varanda e, nos últimos três anos, às estripulias de minha menina. Mas aproveitei um início de texto mais antigo e destrinchei o resto. Ainda assim contém uma dica ou outra, se vale o registro.

Natal parece cidade de partida, nunca de chegada. Ou se chega para partir depois. Se visita, portanto. É que nada aqui dura muito. Bares da moda, bandas da moda, estéticas da moda. Diógenes da Cunha Lima já poetizou que na Ribeira só o que passa, permanece. Mas Natal toda guarda esse princípio. Acho que sou um meio termo disso tudo, daqueles que passam e permanecem pouco tempo; quando passam. Sou retrô e a novidade me perturba um pouco. Portanto, Natal me perturba um pouco – caso de amor mal resolvido do tipo ame-a ou deixa-a, e cá estou há 38 anos, quando nasci.

Mas corre outro ar na cidade faz uns anos. Daí minha afeição ao binômio Cama e Livro. Aliás, li alguns bons nos últimos meses: ‘Música na Noite (& Outros Ensaios)’, de Aldous Huxley; ‘Um Dia Toparei Comigo’, de Paula Fábrio; os dois livros vencedores do Prêmio Sesc de Literatura – ‘Antes Que Seque’ (contos), de Marta Barcellos e ‘Desesterro’ (romance), de Sheyla Smanioto – e mais um do velho Bukowski, ‘Hollywood’.

Este último livro é o atual da cabeceira e passei a imaginar o velho maldito na Natal de hoje. Na certa Bukowski estaria tão recolhido quanto eu. Em todo canto há discussão política, violência ou bafômetro. Seria demais para ele. Ou, como eu, optaria por um bar “dazantiga” para umas 6 ou 7 garrafas de cerveja nas tardes de sábado. No meu caso, há 10 anos sou “paciente” do Bardallos, um bar encravado na Cidade Alta e no qual o dono, Lula Belmont e seu fiel escudeiro, Ricardo, me toleram com simpatia. O esquecido Mercado da Redinha é alimento mensal com a ginga com tapioca e com a alma daquela gente nativa.

É o que posso recomendar na Natown do cosmopolitismo matuto. No mais, para quem tem criança pequena e se vê forçado a mostrar o admirável mundo novo, restam os dois projetos dominicais no Parque das Dunas: o Bosque Encena e Som da Mata, ou a programação da Cidade da Criança.

Em Pipa reside a porção que Natal gostaria: uma babel de gente e de “points”. Dos meus 20 anos de Pipa, e para não dizer que não falei de novidades, recomendo o restaurante Aprecíe, inaugurado ano passado. Pipa recebe o mundo e você pode fazer parte dele; basta saber aproveitar, interagir e saber viajar no lugar.

Assim é também com os livros e filmes. E se já recomendei alguns livros e nenhum roteiro de viagem, sugiro três filmes que assisti ultimamente: ‘Na natureza selvagem’ (2008, dirigido por Sean Penn); ‘Livre’ (2014, Jean-Marc Vallée); e o mais recente ‘O Quarto de Jack’ (2015, Lenny Abrahamson). Com eles da pra viajar bastante pelo interior do seu umbigo. Aproveite!

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