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O que seria o Cangaço hoje? Pesquisa de artista potiguar explica

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O que seria o Cangaço hoje? Essa pergunta norteou a pesquisa do artista potiguar Sérgio Azol durante um longo período e o fez percorrer os caminhos do Cangaço, seus personagens e as figuras que hoje vivem no Sertão, entre o Brasil do passado e o Brasil de presente. Essa busca permitiu ao artista ver a essência e a complexidade do Cangaço e traduzi-la para os dias de hoje por meio da pintura, forma-prima de de sua expressão, que o público poderá ver em diálogo metalinguístico com uma obra criada pelo artista Otávio Donasci especialmente para a ocupação A Bela Crueza do Cangaço, por Sérgio Azol, com curadoria de Ana Helena Curti, a partir de 8 de setembro, em São Paulo, em uma casa-laboratório na alameda Gabriel Monteiro da Silva, 224.

A busca de Azol
Em sua viagem, o artista percorreu os caminhos do cangaço, visitando espaços históricos – como o lugar em que Lampião foi morto em 1938 -, entrevistando pessoas que vivem a realidade do sertão hoje, com os dilemas de um tempo passado – como a violência, a miséria e a falta de leis – e do presente, como as drogas, a miséria e a falta de oportunidades. “Estar naquele local, com aquelas pessoas, foi extremamente transformador para mim. Essa viagem me permitiu ver o cangaço e a figura do Lampião em sua complexidade”, afirma Azol. “Em um lugar sem lei, matar – por vingança, por necessidade, por fome – é a única lei. É a falta de lei que rege a figura do Lampião e torna impossível fazer qualquer julgamento moral sobre a sua figura e a do cangaço, o que, para o artista é extremamente enriquecedor.”

Realizadora da mostra, a empreendedora cultural Yael Steiner afirma que, na ocupação, o público será transportado para o universo do cangaço em sua essência, mas de uma maneira inovadora, buscando, por meio dessa matriz cultural, o que há de novo nela, o que ela diz para o mundo contemporâneo. “Ele nos conta as possibilidades desse universo através de seu traço, unindo essas intensidades de cores, luzes, ícones e referências de suas telas mais explosivas”, afirma. “Em suas obras, Azol nos transporta para este portal mágico de suas referências, suas narrativas, sua estética que, de tão autêntica, regional e fluida, se torna universalmente reconhecida por todas as almas, todos os públicos.”

O universo do artista será revisitado por Otávio Donasci em uma instalação cenográfica feita a partir de camadas de pranchas pintadas com fragmentos da obra de Azol, espalhadas pela ocupação. “Eu me propus a entrar na obra do Azol e encontrar uma maneira que ela estivesse no que eu queria criar, estabelecendo uma relação de meta-arte, na qual minha obra não existiria sem a do Azol”, afirma Donasci. “Eu fiz uma explosão da obra dele, algo com o que ele tinha sonhado, e essa explosão vai se entranhar na ocupação, do mesmo modo como a obra dele se entranhou em mim.”

Segundo a curadora Ana Helena Curti, “este projeto transcende o espaço expositivo e contemplativo. Configura-se como espaço contemporâneo de experiência que traz a público um olhar cuidadoso sobre a cultura brasileira. É um convite para o público mergulhar no universo de Azol. O cangaço e suas cores são a inspiração e repertório para criação das obras. A imersão se torna mais rica a partir do diálogo com o ambiente criado por Otavio Donasci. Quase como uma provocação artística, as distintas escalas de planos e de cores – ora obra, ora espaço – se entrelaçam e resultam em experiência acolhedora, inusitada e transformadora. Assim é a obra de Azol. Assim é o olhar de Donasci sobre a obra de Azol.”

O Cangaço na cultura
Um dos movimentos mais importantes do Brasil do Segundo Reinado e da Primeira República, o Cangaço sempre foi uma fonte de inspiração cultural que se tornou um tema recorrente em expressões de caráter popular, como a literatura de cordel, mas também marcou a alta literatura, o cinema, a moda e a TV.

O Cangaço tem sido resgatado nos últimos tempos em diferentes linguagens, voltadas para públicos distintos – nas telenovelas, como Velho Chico (TV Globo); na moda, por meio de estilistas como Jean Paul Gaultier, Ronaldo Fraga e Pedro Lourenço, e no design de móveis dos irmãos Campana.

Agenda
A ocupação terá, em seu educativo, encontros e debates com observadores da estética e da cultura do cangaço, artistas e suas narrativas, em alinhamento também com as questões trazidas pela 32ª Bienal de São Paulo.

A programação completa de Ocupação A Bela Crueza do Cangaço será divulgada em breve.

SERVIÇO

Ocupação A Bela Crueza do Cangaço
Rua Gabriel Monteiro da Silva, 224
Abertura para convidados: 8 de setembro, a partir das 19h
Período expositivo: de 9 de setembro a 25 de outubro
De terça a domingo, das 11h às 19h
Entrada gratuita

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