PAPO RETO com Carlão de Souza

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Quando alguém reclamava falta de crítica literária em Natal, havia sempre uma ressalva: “Tem a coluna de Carlão de Souza”. Mas o próprio reconhece: não era crítica literária. Era um espaço que o amante dos livros e da leitura apreciava, um coluna já tradicional em uma mídia tradicionalíssima. E acabou. O último texto foi publicado na última quarta-feira. Uma lacuna deixada na Tribuna do Norte ou na imprensa potiguar. Oito anos de tentativas, resenhas e dicas literárias. Nos resta, por hoje, esse PAPO RETO com essa figura impoluta das nossas letras e de alguns seletos botecos:

1. Por qual motivo começou e por qual terminou sua coluna na Tribuna do Norte?
Queria criar um canal de divulgação de livros que despertasse o interesse na leitura. E acabou porque cansei da falta de retorno financeiro, de leitores, de prazer.

2. A coluna divulgava, mas pouco criticava literatura. O autor potiguar não suporta críticas ou o crítico tem muito amigo autor?
Até tentei fazer algumas críticas, mas era difícil demais. Acabava sempre magoando alguém. Aí desisti. Vivo numa província metida a besta que o resto do país ignora solenemente. Então resolvi fazer só resenhas dos livros, indicações de leitura.

3. Qual crítica você faz aos seus romances? E sobre o próximo?
São textos de um sonhador, experimentador, sem grandes pretensões. Acho que meus livros só servem para me dar algum prazer. Aqui e acolá algum leitor me dá um retorno e isso basta. E o próximo livro vai ser sobre Camões, sobre um cara que ama As Lusíadas e sonha conhecer Portugal, mas não sai de Natal.

4. Um livro para ler só ou uma cerveja para beber com amigos?
Cerveja com os amigos, porque é vida que interessa. Ler sozinho fica em segundo plano, no escuro do quarto, na rede da varanda; a prioridade é viver e viver bem, plena e afetivamente.

5. Quem você pensa que é?
Um jornalista que entrou numa máquina do tempo com defeito.

FOTO: ESPAÇO DUAS

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Comentários

5 comments

  1. thiago gonzaga 28 novembro, 2016 at 09:53

    Poxa, Sergio. Que noticia triste.
    Lamento muito.
    Sou muito fã do Carlos de Souza e eu lia sempre a coluna dele. Todavia, assino em baixo, com tudo que ele falou.

  2. Sergio Vilar 28 novembro, 2016 at 10:16

    É difícil mesmo manter. E jornalões hoje, para dar esse retorno que ele fala, está cada vez mais difícil.

  3. osair 29 novembro, 2016 at 09:35

    carlão sabe dar as piores notícias com suavidade. e agora, na imprensa natalense, nem resenhas. era o último ermo onde se erguia uma voz. valeu, carlão.

  4. François Silvestre 1 dezembro, 2016 at 16:59

    Figuraça! De ser humano, pensador, escriba. Tudo. Faz falta sua escrita nesta província cada vez mais pobre de texto e empaturrada de mediocridade. Aqui mesmo, neste Portal, tem cada besta escrevente que dá pena…

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