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Peça Jacy encerra temporada no próximo fim de semana

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Temporada da peça Jacy encerra em Natal neste final de semana (29 e 30), às 20h, na Casa da Ribeira, dentro do início da comemoração dos 10 anos do Grupo Carmin.

Fotografia de capa: Bob Sousa

Eleita pelo jornal Estado de São Paulo como um dos dez melhores espetáculos do Brasil em 2015, a peça Jacy voltou recentemente de uma temporada na Paulicéia.

Se, em 2016, a peça circulou por 18 estados brasileiros, na avaliação do grupo a temporada em Natal foi surpreendente.

Ator e diretor, Henrique Fontes destaca a média de público na capital potiguar.

“Foi muito bonito ver as pessoas indicando amigos e, muitas vezes, voltando para rever a peça. Tivemos uma média de 80 pessoas por apresentação, o que é muito bom”.

Leia aqui o comentário de Marco Aurélio Felipe sobre Jacy.

Criada a partir do encontro de uma frasqueira abandonada em uma das ruas mais movimentadas da cidade de Natal, Jacy tem quatro anos desde sua estreia.

Ela reconta a história real de uma mulher que, na década de 1940, durante a 2ª Guerra Mundial, se apaixonou por um capitão americano.

Nos anos 1960 e 1970, ela atravessa a ditadura no centro político do Brasil e termina seus dias solitária, nos 2000s.

Jacy em Florianopolis_Teatro Alvaro de Carvalho 2016

Grupo Carmin ensaia no Teatro Álvaro de Carvalho, em Florianópolis (2016).

Mistura de ficção e realidade

A História de Jacy em formato de peça foi escrita pelos filósofos Iracema Macedo e Pablo Capistrano (colaborador deste Substantivo Plural).

A dramaturgia também é do próprio Pablo, com Henrique Fontes – este assina a direção compartilhada com a atriz Quitéria Kelly, o cineasta Pedro Fiuza e o produtor Daniel Torres.

O processo de investigação para criação da peça intrigou os autores.

Exemplo foi a coincidência do fato de Jacy ter tido seu primeiro emprego na mesma rua onde fica a Casa da Ribeira (rua Frei Miguelinho).

Quitéria Kelly acredita que a forma de contar a vida da mulher é a grande força da narrativa.

“Acredito que a forma como vamos revelando a investigação e a história de vida de Jacy, que atravessa a história de Natal e do Brasil, tem chamado muito a atenção do público A gente vê pessoas voltando trazendo os pais e avós”.

Para Pedro Fiuza que, além de cineasta e operador de câmera, luz e som, “A peça é construída misturando ficção e realidade, mas sempre com base no que a gente encontrou. E tem alguns mistérios que até hoje não encontramos explicação. Tudo isso é relatado na peça e o audiovisual é usado para ampliar objetos e dúvidas”.

Um dos mistérios está em recibos de encomendas mensais postadas por Jacy para um homem, no Rio de Janeiro.

A velhice no centro da narrativa

Assunto que atravessa a peça é como a sociedade brasileira trata os mais velhos.

“Há uma cultura de supervalorização dos mais jovens e de descarte dos mais velhos. E o que é mais assustador é a ausência de políticas públicas efetivas para o idoso”, lamentou Henrique.

Segundo o IBGE (2010), a população de idosos no Nordeste cresceu de 5,1%, em 1991, para 7,2% em 2010.

Segundo a Fundação Perseu Abramo, esse crescimento saltará de 8% para 16% ao ano, nos próximos 25 anos.

Grupo Carmin

Grupo Carmin reunido na Casa da Ribeira: Quitéria Kelly, Mateus Cardoso, Robson Medeiros, Pedro Fiuza e Henrique Fontes.

Assim, a peça Jacy representa a vida de muitos que envelhecem e tem suas histórias jogadas, literalmente, no lixo.

Ao mesmo tempo, relata o descaso com idosos e com o próprio destino das cidades, também envelhecidas e abandonadas, em muitos aspectos.

Peça Jacy- Último fim de semana

Sábado e Domingo (29 e 30), às 20h

Entrada: R$ 20,00 (meia) e R$ 40,00 (inteira)

Local: Casa da Ribeira

Ingressos: Bilheteria da Casa (Tel: 3211-7710 à tarde) ou online www.sympla.com.br/casadaribeira (para o domingo, os 80 primeiros ingressos custam R$20,00 para todos)

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