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Quatro poemas

A chuva

Cai a chuva
Incessante
Nas biqueiras do quintal
Cai a chuva
Irritante
Pelas ruas de Natal.
Cai a chuva
Inclemente
Soterrando os barracos
Cai a chuva
Persistente
Transformando tudo em cacos.
Cai a chuva
Destruindo
A paz de quem está dormindo
Cai a chuva
Esmagando
O velhinho que vai passando.
Cai a chuva
Assistindo
A criança se afogando
Cai a chuva
Insistindo
Cai a chuva
E vai caindo.

 

Lua

Lua branca
Lua cheia
Plenilúnio total
Balão gigante, flutuante
De papel-de-arroz japonês
Boia de luz radiante
No mar do céu de Natal.

 

Por amor

Só quem amou
Há de entender
O que o amor
Pode fazer

Como saber
O estranho sentido
De prazer morrer
Sem haver morrido?

Insano querer.
Dar-se à alguém
Nada obter
E sentir-se bem!

 

Borboleta

Quanta beleza a natureza te deu
Quão graciosa a liberdade te fez
Voas por entre as perfumadas flores
Bailas no ar em alegres volteios.
Tens a amplidão dos campos infindos
Por companhia nos teus passeios
Mágicas cores refletem as asas
Iridescentes raios de luz
A pulular pelos belos jardins
E coletar seu néctar doce
Nem desconfias que polinizas
Pudicas flores que te ofertam
Pudendas partes qual um festim.
Tão delicada e frágil figura
Não sabe que um dia foi outro ser
Nem advinha seu triste passado
Feia lagarta tinha que ver!
Se contorcia e destruía
Todas as folhas dos vegetais
A consumir em ânsia e agonia
Tudo que a flora podia prover.
Assim portanto são as pessoas
Pois aos seres iguais elas são.
Grotescas larvas se receberem
De ajuda a luz na escuridão
Em belos entes talvez se formem
E em borboletas se tornarão!

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Edmar Cláudio

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