A riqueza musical de Alceu no Carnaval de Natal

Sheyla Azevedo
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Uma conversa com Alceu Valença sobre cuidados para manter o vigor artístico aos 71 anos de idade, a impossibilidade de ficar sem cantar no carnaval e a infância de menino de interior recém-chegado em Recife com seus blocos carnavalescos de rua

Ele faz show neste domingo (26) na capital potiguar, em Ponta Negra, com abertura da banda DuSouto

Fotografia de capa: Rodolfo Bartolini

Cantar frevo, fazer shows em diversos palcos no carnaval e conseguir se divertir enquanto trabalha para os outros se divertirem. A receita há muito tempo faz parte do universo artístico de Alceu Valença, participante do Carnaval de Natal 2017 pelo terceiro ano consecutivo.

Ele se apresenta no polo de Ponta Negra, neste domingo (26), em uma noite que começa às 21h, com abertura da banda DuSouto. Dias atrás, ele levou mais de 50 mil pessoas às ruas de São Paulo, com o bloco Bicho Maluco Beleza.

Afora Natal, Alceu Valença leva sua agitação para o Marco Zero, em Olinda, parada sempre obrigatória; para Recife, onde será o grande homenageado do ano no Galo da Madrugada; e para algumas outras cidades de Pernambucno.

Alceu_Zé Ramalho e Lula Côrtes

União histórica entre Zé Ramalho, Alceu e Lula Cortês nos 70s

E como é que ele faz para aguentar o pique?

“Caminho diariamente 10 mil passos, que meço com um aplicativo do celular. Seja no carnaval ou em qualquer outra época do ano. Jamais descuido da alimentação. Não fumo, não bebo, não tomo café, não uso drogas. Pratico a alimentação alcalina que me foi ensinada por minha mulher Yanê. No meu camarim, peço apenas frutas e água. E mantenho o mesmo peso dos 30 e poucos anos. Mas não há nada mais saudável para mim do que estar no palco”.

Por isso diz que, embora não se divirta mais como folião em Olinda, o palco vira seu momento de celebração.

“É ali que me apresento, me exponho, me divirto, me emociono. É claro que os eventos cresceram muito. Nos anos 80, por exemplo, havia poucos foliões em Olinda e eu curtia bastante a folia, brincava mais do que fazia shows no período. Mas, não consigo imaginar um carnaval sem cantar”.

Quando se mudou para Recife, aos sete anos, o pernambucano nascido em São Bento do Una, foi morar na rua dos Palmares, onde passavam muitos blocos de rua durante o carnaval.

“Eu chamava a rua de carnavalódroma. Éramos vizinhos de Nelson Ferreira, o grande maestro do carnaval. Mas só me arrisquei a cantar frevo por influência de Carlos Fernando, criador do projeto Asas da América, que renovou o gênero nos anos 1980 com diversos LPs dedicados ao frevo”.

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No Carnaval, Alceu respeita a tradição de só cantar gêneros fecundados no litoral e na Zona da Mata, raizes da sonoridade pernambucana, com lastros em boa parte da região Nordeste

Frevos, cirandas, caboclinhos e maracatus

Em parceria com Carlos Fernando, ele compôs canções como O Homem da Meia-Noite – canção obrigatória nos shows até hoje, regravada há três anos, no álbum Amigo da Arte (2014). O frevo como trabalho de carreira se instalou de vez em seu repertório depois que ele gravou o disco Estação da Luz, em 1985. A partir daí, o Alceu carnavalesco chegou com tudo.

“Um dos marcos desta vertente é o DVD ‘Marco Zero’ (2006), em que fizemos um maravilhoso carnaval em pleno agosto, no Recife. Como me dizia Jackson do Pandeiro, ‘para cantar frevo tem que ter queixada!’.  Nunca fui um tradicionalista, mas gosto de honrar as tradições. No carnaval, canto somente frevos, maracatus, cirandas, caboclinhos, ou seja, os gêneros desenvolvidos no litoral e na zona da mata que acabaram se tornando a trilha sonora oficial do carnaval de Pernambuco”.

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Sheyla Azevedo

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