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Sobre a eloquência das lápides

Da Eloquência das Lápides e Outros Poemas

Quarto livro de poesias de Paulo Ouricuri, Da Eloquência das Lápides e Outros Poemas parte das esferas íntima, social e espiritual para refletir sobre finitude

Lápide, segundo os dicionários, é a laje que cobre o túmulo, trazendo uma breve inscrição que homenageia a memória do morto ali sepultado. De certo modo, a lápide possui a ingrata função de resumir, em uma única frase, a existência de alguém – o que, convenhamos, não parece muito justo.

Daí a necessidade da eloquência: é preciso talento, desenvoltura e capacidade de síntese para definir, em tão poucas palavras, algo tão grandioso e complexo como a vida de qualquer pessoa.

A partir desta análise, posso dizer que a obra Da Eloquência das Lápides e Outros Poemas, quarto livro de poesias do escritor Paulo Ouricuri, desempenha com maestria o papel ao qual se propôs: refletir sobre a finitude com delicadeza e encantamento, utilizando a poesia como forma e a vida como conteúdo.

O livro, lançado em dezembro de 2016, foi publicado pela Editora Novo Século, e reúne poemas divididos em três partes independentes, mas que naturalmente se entrelaçam e se relacionam: a esfera íntima, a esfera social, e a esfera espiritual – e como o poeta transforma em poesia seu confronto com todos estes mundos.

Assim, o título da obra não poderia ser mais adequado: utilizando-se da indispensável eloquência encontrada em lápides, Paulo Ouricuri alcançou a síntese necessária ao poeta, sem perder em absolutamente nada a grandeza e a sagacidade, obrigatórias à boa poesia.

Da Eloquência das Lápides e Outros Poemas

Livro foi lançado em dezembro de 2016 pela Editora Novo Século, e reúne três partes independentes, mas entrelaçadas de alguma forma

Ler Da Eloquência das Lápides e Outros Poemas é uma forma de mergulhar de modo suave, porém profundo, em uma imensa diversidade de temas que são íntimos de todos nós, e reinterpretá-los a partir das reflexões promovidas pelo autor.

Não seria errado dizer que o leitor interage diretamente com o texto, trazendo os seus próprios sentimentos para dentro do livro, e colocando-os em contato com os sentimentos levantados pelo autor. Uma relação bilateral bonita e rara.

Porque, sob a minha perspectiva, é muito importante que o livro me abrace, e me carregue para dentro de suas páginas. Somente assim a leitura deixa de ser mecânica e se torna humana.

Afinal, ler é um modo de entrar em uma realidade e em um processo reflexivo elaborado por outra pessoa – o autor – e isso é algo bastante íntimo. Logo, para que haja tanta intimidade, é preciso haver conexão.

Eu me conectei com a obra Da Eloquência das Lápides e Outros Poemas, e isso é suficiente para que o livro faça parte do meu acervo pessoal mais querido; aquele que a gente sempre relê, fazendo e refazendo anotações em suas bordas, efetivamente dialogando com as questões levantadas.

Algo que somente a intimidade é capaz de fazer pelo autor, pelo leitor, e pela literatura.

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Jana Lauxen

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