Poetas e Poesias

Sobre os tempos que um homem guarda dentro de um poema

escritor2

Tempo biográfico

 

No abismo: uma flor!

Parece solta: dispersa.

Apenas com sua pétala.

Asa.

Tecido.

Conjunto da carne

que preenche o limite

vegetal do broto-mundo.

 

Parece dançar: filosofia.

Autóctone, rega o osso

da costela.

Novena das graças

natimorto que foi.

 

Parece esguia: plena.

Sobre o plano: arde vilipêndios

ao bafo venal das horas.

Corpo vesgo

que transcende à fúria

narcísica

e estanca o evangelho

líquido do cálice.

 

Parece curva: elástica.

Signo da resiliência

do filamento.

Fio orgânico

condutor da seiva têxtil;

mineral do silêncio.

 

No abismo: uma flor jaz!

Presa ao estrume telúrico.

Sudário da matéria

anódina que é.

Chumbo da raiz

ancestral do gérmen.

Febra crônica

da vaidade

teatral do olho.

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Italo de Melo Ramalho

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