Crônicas e Artigos

Sobre a PEC 241 e o Pré-Sal

corrupcao

Não faz sentido alimentar essa peleja entre ‘petralhas’ e ‘coxinhas’.

Desde que começou essa efervescência, culminando com o impeachment, a arenga só provou que não tem qualquer sentido.

Pior, facilita muito o trabalho da corja, na medida em que centraliza o foco de quase todas as discussões nessa guerrinha.

Assuntos importantes acabam perdidos, dois deles em destaque:

A PEC 241 e a questão do pré-sal.

Qualquer um que erga dúvidas sobre o que o governo quer passar, “é petralha, nem vou ler”.

Qualquer um que leia, veja sentido e tente ao menos argumentar, “é coxinha, nem vou ler”.

Assim fica difícil.

Eu li a respeito, dos dois lados, e fiquei com uma sensação péssima.

Não pelo mérito das questões em si, mas pelos métodos anunciados.

Pré-sal

É muito óbvio que a Petrobras está à beira de um colapso.

O PT, se não inaugurou os desvios na estatal (sabe-se que o esquema vem desde os anos 1990), ampliou bastante a rede de corrupção que abastecia campanhas de um monte de gente com dinheiro vindo da empresa.

educacaoOk.

Discutir quem roubou mais é inócuo.

Que tal, então, questionar essa ‘venda’ do pré-sal como está sendo feita?

Já perguntei a um monte de gente favorável à medida do Serra e não obtive resposta, então permanece:

Se a empresa tem potencial lucrativo imensurável e sofre com um problema gigantesco de gestão, porque simplesmente abrir mão das possibilidades?

Sendo simplista, mas didático:

Pensemos em uma máquina de dinheiro.

Ela é avaliada em um trilhão e pode dar um bilhão por mês de lucro, mas está com defeitos seriíssimos.

O prejuízo chega aos 500 milhões mensais, há tempos.

Você prefere se livrar dela por 100 bilhões ou fazer uma revisão completa e consertar tudo o que está errado, mesmo que isso signifique um grande aperto no curto/médio prazo?

Aliás, você também poderia fazer um acordo de arrendamento, né?

Tipo “Ó, tenho esse troço aí, mas não sai mais dinheiro. Conserte e fique usando à vontade, só precisa me dar a metade do que sair”.

PEC 241

Aqui é ainda mais simples.

Precisa fazer corte no orçamento?

ÓBVIO.

Aqui a grande pergunta é:

Precisa ser feito de uma maneira que PODE (não é exatamente VAI; cuidado com notícias manipuladoras da mídia petista, que demonizam além da conta algo que já é suficientemente demoníaco) atingir em cheio os investimentos federais em saúde e educação?

Quem, em sã consciência, pode defender esse método?

Percebam que não se trata de discutir o corte de custos, mas a forma como isso está sendo feito.

Quando falam em cortar da própria carne, por que não existe qualquer movimentação pelo contingenciamento nos imensuráveis gastos com auxílios milionários dos três poderes?

Porque não se ouve falar em um enxugamento da máquina pública, tão inchada de gente que não trabalha (não são todos, claro)?

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Cleo Lima

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