A soul music de Booker T. Jones

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Donald Dunn, Steve Cropper, Steve Potts e Booker T. Jones formavam o Booker T. and The M.G’s, banda instrumental de soul music

Booker T. Jones é um dos principais nomes da história da soul music.

Nos anos 1970, à frente da Booker T. and The M.G’s, o multi-instrumentista foi responsável por momentos incríveis.

Ainda adolescente, ele já tocava oboé, saxofone, trombone e piano.

Época em que se dividia entre participar da banda de uma igreja e frequentar uma loja de discos em sua Memphis natal.

Isso no comecinho dos 60s.

Dessa rotina, compôs um dos maiores clássicos da música americana, Green Onions, tema de vários filmes, comerciais e afins.

E forma o Booker T. and The M.G.’s, quarteto da mítica gravadora Stax Records, com um soul instrumental que até hoje reverbera nos stereos mundo afora.

Cinco décadas depois, o setentão lançou alguns álbuns com uma trupe de amigos que valem o registro.

O melhor deles talvez seja Sound The Alarm.

São 12 faixas com sua marca registrada: o teclado Hammond, característico do gênero mais romântico da música negra norte-americana.

O álbum foi lançado pela Stax Records, gravadora de Memphis, Tennessee, especializada em soul, blues e rhythm and blues.

Corrijo: hoje a Stax se chama Concord Records.

Nomes como Otis Redding, Bill Cosby e rei Elvis Presley já compuseram seu catálogo de artistas – hoje o mais conhecido é Ben Harper.

Inclusive Booker Jones é autor dos standards mais populares de Otis Redding e Sam & Dave, dupla também da Stax.

Bem como integrou a produção de trabalhos de Bill Withers e Willie Nelson.

Neste que é seu terceiro disco solo, fãs se animaram com o vigor das faixas, revelador da constância e do talento de um cara também famoso como ótimo músico de estúdio.

A faixa-título abre a sessão com a voz do premiado Mayer Hawtorne (um dos queridinhos do soul atual), acompanhado por palmas e um riff simpático, revelador da proposta de Sound the Alarm.

Em seguida, a alegria de Fun e Feel Good, antes de uma sequência matadora iniciada ao lado de um dos blueseiros do momento.

Falo da ótima Austin City Blues, na companhia do guitarrista Gary Clark Jr – de quem vi o showzaço no Lollapalooza Brasil 2013.

Se desde 1971 Booker T. Jones não gravava pela Stax Records, a volta a velha casa mostra que a lenha continua no fogo.

Sobretudo em meio ao cenário do soul atual.

Ou não somos obrigados a um esforço sobre-humano para realmente gostar do que tem sido despejado no mercado?

O vídeo acima é uma espécie de mini documentário em que o processo criativo, a volta ao mundo fonográfico, os envolvidos na produção e convidados grifam a importância de Booker T. Jones para a música.

Os depoimentos transbordam a sensação de que todos ali sentem prazer ao lado da lenda.

Memphis soul

Longe de ser uma obra-prima, Sound The Alarm passa por média com sobras.

É daqueles discos que crescem a partir da segunda audição, para dominar seu tracklist.

A lista de acompanhantes de luxo inclui Anthony Hamilton, Estelle e Sheila E. e Poncho Sanchez, estes responsáveis pela percussão na melhor música do disco, 66’Impala, digna dos melhores momentos do The M.G’s.

Nascido em 1944, filho do Tennessee, Booker T. Jones faz parte de uma geração que alicerçou muito do que se escuta por aí.

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Aos 72 anos, Booker T. Jones é uma máquina de fazer música; desde os anos 1960 ele lidera a cena de Memphis, no Tennessee, como arranjador e multi-instrumentista

E esse Sound The Alarm, seu décimo disco solo desde a saída da Stax no 70s, mostra a vitalidade e o desprendimento de um homem que passou mais de 20 anos sem soltar material inédito de sua autoria, entre os anos 1980 e 1990.

São 12 faixas compostas por Jones sozinho ou em dupla, todas ricas em arranjos elaborados em parceria com um elenco de colaboradores de primeira.

Superado o silêncio, ele nos brinda com uma dúzia de composições revigorantes, instigantes para este domingão.

E nada de soul vintage requentado, como vimos em banda de lata, nos últimos dez anos.

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