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A vida cotidiana que se esvai

Xavier1

um ator se vai. mas como os atores vão? eles carregam consigo, as aventuras, as lamparinas, as falas inacabadas. eles cultuam entre o efêmero e a eternidade, a lembrança de um abraço, o afeto do sorriso. pois o mundo deles é como uma grande rosa perfumada. quando um ator se vai, parece que a abóbada celestial se enobrece. um ator indo, deixa como tesouro, a sua voz, o seu legado de ter sido tão exaustivamente humano e raro. esse limiar entre a entrega total e o pensamento dele, que transpõe eras e a finitude de um adeus. sim, quando um ator se despede, a coxia, o palco, e principalmente a cortina, desaparecem. tantos, milhares, milhões de takes. de tantas e interminávXavier2eis marcações. pois ele, centro gravitacional de sentimentos, pura poesia; traduz o magistral eixo entre o real e o imaginário.

pois, é assim, que ele constantemente transita, como um audaz mágico, como um holofote por sobre nossos esquecimentos e lembranças. quando um ator vai, deixa com nós, uma eterna saudade. das suas aparições, das suas vibrações, das suas interpretações. ele, como irradiador de descobertas e geniais atalhos. ele como um predestinado amante dos seus papéis e calhamaços de ideias vibrantes. essa enxurrada de inesquecíveis, cenas, episódios, capítulos, enredos, vidas. quando um ator, vai, leva consigo, nossas lágrimas, aplausos, satisfações e simpatias. o encantamento do ator, está invariavelmente destinado a destilar ócios e triunfos. está, essencialmente na descoberta dele, em subverter noites e a claridade do sol. tantos e tantos mais. tantos são exatamente seus suores e delírios. quando um ator se vai, parece que a lua desaparece. compreendendo a travessia de um homem que se fez estátua e feliz tempo.

 

gurgelcarlos@outlook.com

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Carlos Gurgel

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