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Violência e desarmamento

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Cidades em chamas. Violência alarmante. Motins. Massacres. Ódio campeando nas redes sociais. Forças Armadas nas ruas. Jornais censurados. Congresso e governo nas mãos de quadrilhas. Judiciário politizado. Recessão e desemprego. Reformas votadas de afogadilho por um governo sem legitimidade.

Ainda bem que o mundo se acaba quinta-feira.

Quer acabe ou não, este é o Brasil atual. “Descendo a ladeira”, como diz a música de Moraes Moreira. Se já não estamos numa ditadura, não sei o que falta mais. Está ruim. Mas não faltam propostas para piorar. A da revogação do Estatuto do Desarmamento é uma delas.

Algo como querer apagar um incêndio com gasolina. Ou de que violência se combate com violência.

Fico pensando aqui nas “pessoas de bem” armadas. Uma pequena discussão no trânsito. Na fila do banco. Ou no condomínio.

Os Estados Unidos têm muito a nos ensinar nesse quesito de porte indiscriminado de armas.

Trata-se de uma discussão que coloca em lados opostos “esquerda” e “direita” no Brasil. As aspas aí são porque esses conceitos estão embaralhados. Já não temos esquerda e direita como antigamente.

É só reparar em alguns políticos filiados ao PC do B no Rio Grande Norte. Gente do calibre do vice-governador Fábio Dantas (vice-presidente estadual). Ou do neto do major Theodorico Bezerra, Theodorico Neto. O major deve estar dando cambalhotas de rir no túmulo com essa.

O fim do Estatuto foi abraçado pelo pessoal que saiu às ruas pedindo o impeachment de Dilma. Incluíram isso na agenda do ato em favor da Lava Jato marcado para os próximos dias.

Como era de se esperar, o deputado federal potiguar Rogério Marinho também abraçou a causa. Ele está, agora, ainda mais à vontade, alinhado à bancada da bala.

Em artigo publicado no Novo Jornal domingo, o parlamentar potiguar alinhou números sobre a violência que lhe são convenientes, para justificar o apoio ao projeto de lei que revoga o Estatuto.

Números e argumentos sobre essa questão, sejamos honestos, existem dos dois lados do debate.

Eu sou inteiramente contra o fim do Estatuto do Desarmamento. Considero um retrocesso gritante, que pagaremos caro por ele.

Se desarmado o ser humano é um estúpido, armado pode virar um monstro.

Os dois links abaixo mostram que armar a população não é solução. Poderia apontar mais. Creio que esses dois bastam.

http://www.bbc.com/portuguese/internacional-38530919

http://brasileiros.com.br/2016/06/estatuto-do-desarmamento-reduziu-mortes-por-armas-de-fogo-em-154-no-brasil/

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Tácito Costa

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